Higienize bem a sua salada

No início deste mês (03/09/2008), um pesquisa apresentada no 21º simpósio internacional 'Food Micro 2008', mostrou como a bactéria salmonela consegue se fixar aos folhosos de nossa salada, causando contaminação e riscos à saúde.

Intoxicações alimentares por Salmonella e E. coli são comumente associadas ao consumo de carnes contaminadas, já que estes patógenos vivem no intestino de vacas e aves. Contudo, novos casos de contaminação pelo consumo de salada têm sido relatados. Na Inglaterra, 23% das infecções intestinais, dentre os anos de 1996 e 2000, foram causadas por contaminação alimentar, sendo 4% ligadas às saladas.

Uma nova pesquisa, liderada pelo Professor Gadi Frankel do Colégio Imperial de Londres e desenvolvida pelo Dr. Rob Shaw e colaboradores da Unversidade de Birmingham, aprofundou o conhecimento na área. É sabido que a Salmonella e a E. coli O157 contaminam os vegetais em decorrência do uso de fertilizantes ou água contaminados ou mesmo durante o processamento, pelo contato com utensílios (facas, embalagens, tábuas etc) contaminados. Contudo, até então não se sabia como estes microorganismos conseguiam se fixar às folhas. O Professor Frankel e seus colaboradores descobriram que os flagelos da Salmonella conseguem se ligar às folhas, como dedos. Para testar esta hipótese os pesquisadores "fabricaram" uma Salmonella geneticamente modificada sem os flagelos e observaram que as mesmas não conseguiam se ligar aos vegetais.

Os próximos passos dos pesquisadores envolvem descobrir como os diferentes folhosos são afetados pela bactéria, já que algumas folhas são mais susceptíveis à contaminação do que outras.

O mesmo grupo de pesquisadores já havia descoberto previamente como a E. coli 0157 se liga as folhas. Este patógeno utiliza minúsculos filamentos, normalmente utilizados para injetar proteínas nas células humanas, para atacar as folhas, causando contaminação e um maior risco à saúde.

O entendimento da forma como os patógenos ligam-se aos alimentos é muito importante para que os cientistas consigam desenvolver novos métodos de descontaminação destes produtos. As contaminações pelas saladas estão aumentando já que é maior o número de pessoas que se alimentam fora de casa, em locais muitas vezes longe de serem um exemplo de boas práticas. Além disso, vem aumentado o número de indivíduos que compram hortaliças pré-higienizadas ou pré-mal-higienizadas. :-)

Adaptado de materiais do Imperial College London.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Frutas e verduras previnem resfriados

Mais um artigo para nos alertar sobre a importância do consumo diário de frutas e verduras foi publicado no dia 25/06/08 no Am J Physiol Regul Integr Comp Physiololy.

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No estudo, ratos alimentados com quercetina, composto encontrado em frutas e verduras, tiveram menor propensão a contrair resfriados. O estudo também mostrou, mais uma vez, que o exercício extenuante aumenta as chances de pegar um resfriado. A novidade desta pesqusas foi que a quercetina cancelou estes efeitos negativos da atividade excessiva.

A quercetina, composto com propriedades anti-virais, está presente em muitas frutas e verduras, incluindo cebolas, uvas, chás, brócolis e vinho tinto. A mesma foi escolhida para a pesquisa uma vez que, além de ser encontrada em abundância nos alimentos, não existem relatos de efeitos colaterais pós consumo.

Veja os principais achados da pesquisa:

  • Ratos que realizaram exercício extenuante desenvolveram mais resfriados do que aqueles que não se exercitaram (91% x 63%).

  • Os ratos que se exercitaram desenvolveram o resfriado mais cedo (6.9 dias x 12.4 dias).

  • Os ratos que se exercitaram e ingeriram quercetina tiveram praticamente as mesmas taxas de infecção do que os ratos que não se exercitaram. Ou seja, a quercetina cancelou os efeitos negativos do exercício extenuante.

  • A quercetina também teve efeitos protetores entre os ratos que não se exercitaram.

Apesar deste trabalho ter sido desenvolvido com ratos, outros estudos em humanos tem demonstrados as propriedades antivirais da quercetina.

Conclusão: não deixe de consumir 5 porções de frutas e hortaliças diariamente e pratique uma atividade física prazerosa na maioria dos dias da semana, porém de forma moderada.

Referência: Davis et al. Quercetin reduces susceptibility to influenza infection following stressful exercise. AJP Regulatory Integrative and Comparative Physiology, 2008; 295 (2): R505 DOI: 10.1152/ajpregu.90319.2008

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

IstoÉ: Uma dieta feita só pra você

A revista Isto É desta semana publicou a reportagem: A dieta ideal. Na mesma, a jornalista Cilene Pereira, fala das duas novas áreas da nutrição (nutrigenômica e nutrigenética) que estudam como o perfil genético de cada pessoa influencia no aproveitamento dos alimentos.

As duas áreas estudam o vínculo dos alimentos com os nossos genes. O espinafre, por exemplo, contém a substância geranilgeraniol, que impede a ação de um gene importante para a proliferação de células tumorais. Compostos presentes no chá verde teriam atuação sobre genes associados ao câncer de mama, enquanto a soja interfere no funcionamento de 123 deles envolvidos no tumor de próstata, contribuindo para barrar a expansão do tumor. Já o brócolis é fonte de sulforafanos, que aumentam a atividade de genes associados à proteção contra agentes tóxicos presentes na poluição.

O mais interessante é que estes alimentos não funcionam de forma idêntica para todos. Caucasianos, negros e orientais podem apresentar respostas diferentes aos mesmos compostos e por isto a dieta deveria ser individualizada considerando também a herança genética. No futuro, exames de DNA estarão disponíveis como ferramenta para nutricionistas melhorarem ainda mais suas prescrições trazendo muito mais conforto e bem estar para seus clientes.

🧬 O seu paciente tem uma variante genética de risco. E agora?

É aqui que começa, e não termina, a verdadeira interpretação genômica. Uma revisão publicada na Frontiers in Nutrition mostra como variantes em genes como FADS1, BCMO1, MTHFR, FTO, TCF7L2 e APOE podem estar relacionadas à forma como diferentes pessoas respondem a nutrientes e intervenções nutricionais.

Mas existe uma diferença enorme entre encontrar uma variante e saber interpretá-la. Por exemplo:

🧬 Qual é o gene?

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🔬 Que proteína ou enzima ele produz?

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⚙️ Em qual via metabólica ele atua?

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🥑 Qual nutriente é afetado?

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🧪 Existe evidência de alteração funcional ou de resposta à intervenção?

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👤 Isso é relevante para este paciente?

É essa sequência de raciocínio que transforma um teste genético em informação útil. No curso Genômica Visual, você aprende a interpretar variantes dentro do contexto das vias metabólicas, priorizar o que realmente merece atenção e conectar genética, nutrição e fenótipo. Não é decorar que “gene X = suplemento Y”. É aprender como pensar a partir do genoma.

👉 Se você é profissional de saúde e quer aprender a fazer essa interpretação, conheça o curso Genômica Visual clicando neste link.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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