Jejum intermitente melhora o funcionamento do cérebro

Existem substâncias boas para o cérebro. Existem substâncias ruins para o cérebro. Um cérebro sobrecarregado com radicais livres derivados da oxidação (quebra e perda de elétrons) dos alimentos pode aumentar o risco de doença de Alzheimer, Parkinson e Lou Gehrig.

Uma nova publicação de estudo de cientistas de Harvard mostrou que o exercício vigoroso, associado ao jejum de 12 horas aumentaram significativamente os níveis de cAMP, um gatilho químico que induzir o processo celular de eliminação de toxinas. Contudo, estes efeitos duram apenas algumas horas (VerPlank et al., 2019).

O jejum é um desafio para o cérebro, que ativa respostas adaptativas que o ajudam a lidar com as toxinas que ali chegam. Falo mais sobre o tema no resumo do livro “Genius Foods”:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

O que é nutrição funcional?

O termo funcional foi cunhado nos Estados Unidos para referir-se à uma prática que funciona. No caso da nutrição, uma nutrição eficaz para seus problemas, que realmente funciona pois encara a pessoa por vários ângulos. Não trata apenas sintomas, mas busca suas causas para que a solução seja definitiva.

Por exemplo, a Síndrome do Intestino Irritável (SII) tem como sintomas diarréia e/ou obstipação (prisão de ventre), cólicas abdominais ou dores, inchaço e gases intestinais. O que não funciona? Tratar os sintomas isoladamente (com medicamentos, suplementos ou fitoterápicos). Estas estratégias encobrem temporariamente o problema.O que funciona? Conhecer a história e o ambiente nos quais o problema surgiu, os fatores da dieta e do estilo de vida que causam os sintomas e as intervenções que realmente permitem a cura definitiva.

A ferramenta utilizada pelo nutricionista para conhecer o paciente é a matriz da nutrição funcional.

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Com esta ferramenta avaliamos a história familiar, o contexto de nascimento, a dieta, processos de digestão e eliminação, sinais e sintomas, exposição a toxinas, funcionamento de diversos sistemas, dentre tantas outras variáveis.

A partir do diagnóstico é estabelecida uma parceria terapêuticas. O paciente recebe explicações, é inspirado e decide o caminho a seguir. Tratamentos iguais para pessoas diferentes não tem nada de funcional.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Afinal, o óleo de coco é bom ou ruim?

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O óleo de coco passou 2015 e 2016 sendo vendido na internet e nas revistas de saúde como capaz de emagrecer. melhorar a imunidade, dar energia, combater a candidíase, melhorar a saúde do fígado... Só que muitas das alegações destes veículos e também da indústria de suplementos e alimentos "saudáveis" advém de interpretações superficiais da ciência. Tudo bem, o óleo de coco pode não ser péssimo mas como você sabe bem, não existe alimento milagroso! Maçã faz bem, mas cura tudo? Não. Chia faz bem, mas cura tudo? Não. Azeite faz bem, cura tudo? Claro que não! E o mesmo acontece com o óleo de coco e qualquer outro alimento supostamente milagroso que você queira investigar.

Nossa saúde depende de uma combinação de fatores, incluindo genética, qualidade do sono, atividade física, alimentação equilibrada, dentre tantas outras questões. Quanto à alimentação, para que ela seja equilibrada deve fornecer tudo o que o corpo precisa, em termos de calorias, ácidos graxos essenciais, aminoácidos, vitaminas, minerais, fibras...

Por isso, no meio do ano passado a Associação Americana do Coração se emputeceu e soltou um comunicado alertando para o fato de que os resultados de pesquisas não podem ser extrapolados tão facilmente como fazem alguns "gurus da boa forma", revista e outros meio de divulgação de informações de saúde. 

Vejamos o que a indústria e os comerciantes (que faturaram muito vendendo óleo de coco a preço de ouro) diz sobre o produto:

  • Fonte de gordura saturada "boa". De fato, grande parte dos ácidos graxos do óleo de coco são iguais ao presente no leite materno. Existem estudos mostrando que o ácido láurico melhora o perfil lipídico, aumentando o "colesterol bom" (HDL-c). No entanto, dados mais recentes mostram que o consumo de óleo de coco é na verdade pouco benéfico neste sentido, pois o ácido láurico aumenta na verdade o HDL-c e também o "colesterol ruim" (LDL-c). Além disso, o óleo de coco é veículo de vários outros ácidos graxos saturados que aumentam exclusivamente o LDL-c. Os óleos de coco e de palma são os que possuem mais gordura saturada na natureza (82%), bem acima de manteiga (63%), carne vermelha (50%) e banha de porco (39%), azeite de oliva (14%), óleo de cártamo (6%).

  • Propriedades antimicrobianas. A indústria diz que o óleo de coco melhora o sistema imunológico e protege o corpo contra bactérias. De fato, em estudos laboratoriais, conduzidos em placas de petri e tubos de ensaio o óleo de coco foi capaz de danificar o revestimento lipídico na membrana de algumas bactérias. Mas isso não é necessariamente benéfico. Nosso corpo possui bactérias boas e ruins. Caso o revestimento de bactérias boas seja alterado na verdade prejudicaremos a nossa imunidade, ao invés de melhorá-la.

  • O óleo de coco reduz a gordura abdominal. O que acontece é que o consumo de qualquer gordura leva tempo para ser digerido. Além disso, o consumo de gordura não estimula a liberação de insulina. Com isso a fome diminui e a pessoa leva mais tempo para comer. Ou seja, não é o óleo de coco que emagrece e sim a pessoa provavelmente está consumindo menos calorias ao final do dia. Mas isso aconteceria com qualquer tipo de gordura. Em 2010 um grupo de pesquisadores avaliou homens que consumiram laticínios, óleo de coco ou carne no café da manhã e não observaram diferenças significativas entre os grupos em termos de fome, saciedade ou consumo energético ao final do dia (Poppitt et al., 2010).

Em 2015 um grupo da UFRJ publicou o efeito do consumo de óleo de coco extra virgem no peso e na circunferência da cintura de pessoas com doença arterial coronariana. Cerca de 100 pessoas participaram do estudo e consumiram 1 colher de sopa de óleo de coco por dia com fruta. Os homens do estudo reduziram um pouco a circunferência abdominal mas o grupo controle não recebeu nada (Cardoso et al., 2015). O grupo experimento precisaria ter sido comparado com um grupo que recebeu um placebo para que pudessemos discutir melhor. Além disso, as frutas tem um efeito anti-obesidade (Sharma et al., 2016). Assim, podemos dizer que existem aspectos confundidores no estudo que precisam ser analisados.

Outro grupo brasileiro comparou o consumo de óleo de coco versus o consumo de óleo de soja (Assunção et al., 2009). Desta vez não houveram diferenças em termos de circunferência da cintura nos grupos. Só que as pessoas que receberam o óleo de coco aumentaram os níveis de insulina circulantes. Ou seja, a resistência à insulina piorou, o que não é nada bom porque aumenta o risco de diabetes tipo 2. Um estudo mais novo, publicado por pesquisadores da Universidade do Colorado também não encontraram melhorias no peso ou circunferência da cintura, circunferência do quadril ou percentual de gordura com o consumo de óleo de coco versus óleo de girassol (Harris et al., 2017).

  • Outra alegação é que o óleo de coco pode ser passado na pele para proteção contra queimaduras solares. Contudo estudo publicado por Gause & Chauhan (2016) mostrou que óleos naturais não bloqueiam bem os raios ultravioleta. Na verdade, o fator de proteção do óleo de coco fica próximo de 1. Dermatologistas recomendam o uso de protetores com no mínimo FPS 30. Por outro lado, é um excelente hidratante que pode ser usado em áreas ressecadas do corpo. Para maior proteção solar você pode usar o óleo de coco associado a óleos essenciais como lavanda francesa, manuka, calêndula ou açafrão (turmérico). Mesmo assim, se não for utilizar um protetor solar, como recomendado pelos dermatologistas, use chapéu e blusa de manga comprida branca, para maior proteção.

O óleo de coco seja a pior coisa do mundo mas definitivamente não é o salvador da pátria, como dizem por aí. Dieta saudável é dieta colorida, bem variada, gostosa e que atenda as necessidades nutricionais e emocionais de quem estiver comendo.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/