Práticas integrativas para o alívio dos gases

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Você acorda com a barriga lisinha e ao final do dia está cheio de gases e com a barriga estufada? Isto é comum mas não é saudável. Felizmente, existem muitas práticas integrativas que contribuem para a eliminação dos gases.

São muitas as causas da flatulência. Por isso, o tratamento pode variar. Indigestão pode ser causada por hipocloridria (baixa produção de ácido clorídrico pelo estômago, gerando dificuldade na digestão de proteínas). A hipocloridria pode ser causada por inúmeros fatores como doenças auto-imunes, alimentação pobre em zinco e vitamina B6, consumo excessivo de gorduras e açúcares, estresse, abuso de bebidas alcoólicas e uso contínuo de medicamentos como omeprazol.

Café, chás com cafeína (como mate e preto), chocolate, consumo excessivo de gordura, refrigerantes, água com gás, laticínios e soja também podem agravar os sintomas. Tomar uma colher de sopa de óleo de abacate, gergelim ou azeite de oliva extra-virgem ou consumir um limão, 5 a 10 minutos antes do almoço ou jantar, também pode ajudar. Ao chegarem no intestino os óleos e o suco de limão estimulam a secreção pancreática, que ajudam no processo digestivo.

Outras causas para os gases incluem a mastigação rápida, o hábito de falar enquanto come, a intolerância à lactose, problemas pancreáticos, prisão de ventre, síndrome do intestino irritável, disbiose intestinal… Várias práticas integrativas ajudam a trazer alívio. Veja as dicas:

  • Trate a disbiose intestinal;

  • Mastigue devagar, apreciando sua comida (estude um pouco sobre alimentação consciente);

  • Pratique exercícios;

  • Troque os refrigerantes e a água com gás pelos chás de hortelã e gengibre;

  • Investigue a intolerância à lactose;

  • Diminua o consumo de gorduras e pratos pesados;

  • Consuma frutas que ajudem a regularizar o intestino, como laranja, ameixa, mamão, abacate, figo, kiwi.

  • Hidrate-se adequadamente. Sem água, o intestino movimenta-se menos, dando mais tempo para a fermentação dos alimentos, com produção de gases;

  • Evite alimentos e bebidas que contenham fermento como bolos, massas e cerveja.

Ayurveda e flatulência

O Ayurveda é o sistema de saúde mais antigo do mundo e tem muitas dicas e truques para aliviar o inchaço. De acordo com a medicina ayurvédica existem três tipos de inchaço, que são relacionados aos doshas (tipos mente-corpo de cada pessoa).

Os tipo Vata tendem a sofrer bastante com inchaço, gases e constipação intestinal, como resultado do excesso de ar em seus sistemas. Os Pitta sofrem mais com hiperacidez, refluxo ácido e irritação intestinal, como resultado do excesso do elemento fogo em seus sistemas. Já os kaphas tendem a sofrer de letargia, retenção de água e peso como resultado do excesso do elemento terra (compreenda melhor no curso online).

Vata é composto dos elementos ar e éter e, por isso mesmo, é normal que sofra com mais inchaço. O ayurveda sugere o consumo de água morna ou chá com cominho, 10 minutos antes das refeições, para estimular a digestão. Depois do almoço e jantar vale mastigar cerca de ½ colher de chá de sementes de erva-doce ou tomar uma xícara quente de chá de erva-doce para aliviar o acúmulo de gases.

O tipo pitta é composto dos elementos fogo e água. Não incha facilmente mas pode ficar com o intestino mais inflamado, o que pode ser aliviado com chá de camomila ou hortelã. Na comida, o açafrão é bastante indicado. Já para kaphas sofrem mais com excesso de peso. Também são mais gulosos, podendo sofrer desconfortos pelo excesso de alimento nas refeições. Para acelerar o metabolismo e a digestão podem incluir pimentas e outros condimentos picantes nas refeições. O gengibre ou seu chá também é uma ótima opção.

Outras práticas integrativas também podem contribuir para alívio dos gases. Massagens e automassagem são uma ótima pedida. Com movimentos circulares suaves, vá ajudando o intestino a movimentar-se para eliminar os gas aes. A massagem pode ser feita com óleos puros ou medicados com óleos essenciais, como hortelã-pimenta, alecrim, gengibre, anis e laranja doce.

Várias plantas podem ser utilizadas no tratamento da dispepsia (distúrbio que dificulta a digestão, principalmente de alimentos gordurosos) como alcachofra e carqueja. Vários chás ajudam a aliviar os gases, como chá de erva-doce, chá de folhas de abacateiro, chá de cardamomo. A tintura de coentro também poderá ser prescrita por um nutricionista especializado em fitoterapia.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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GLP-1 e sua saúde

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O GLP-1 (glucagon-like peptide-1) é uma incretina, uma substância produzida no intestino que tem muitas ações no organismo.

Os papéis fisiológicos do GLP-1 mais estudados são aqueles relacionados à função das células das ilhotas pancreáticas. No entanto, o hormônio também desempenha papel em vários outros tecidos e órgãos, com várias possíveis implicações na saúde e na doença (Muskiet et al., 2017).

Por exemplo, o GLP-1 aumenta a queima de gordura (termogênese), melhora a captação de glicose no músculo (aumentando o rendimento físico), reduz a inflamação, melhora o funcionamento renal, cardíaco, hepático e até cerebral.

O GLP-1 também aumenta a saciedade, reduz a glicose, retarda o esvaziamento gástrico e diminui a vontade de comer, o que ajuda a prevenir a obesidade. Mas para todos estes efeitos, o intestino precisa estar super saudável. Falo mais sobre este tema neste curso online.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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Probióticos melhoram a saúde do fígado e o metabolismo dos nutrientes

Metabolismo da glicose no fígado

Metabolismo da glicose no fígado

O fígado é um órgão essencial para a saúde. Atua como uma glândula exócrina (produzindo e liberando secreções que atuarão na digestão) e endócrina (produzindo e liberando substâncias que chegarão ao sangue e sistema linfático). Desempenha inúmeras funções como a desintoxicação do corpo, o armazenamento e liberação de glicose, o metabolismo dos lipídios e proteínas, a produção da maior parte das proteínas que circulam no plasma, o processamento de drogas e hormônios, a produção de bile etc. É por isso que, se o fígado vai mal, muitas outras coisas são afetadas, como a glicemia, a imunidade e até a cognição.

Por exemplo, quando o fígado não funciona bem há uma sobrecarga de toxinas circulando. Estas toxinas podem vir dos alimentos (aditivos, pesticidas), da produção hormonal, da produção por bactérias intestinais, de metais pesados, etc. Este excesso de toxinas prejudica a conversão do T4 em T3 (o hormônio mais ativo da tireóide). É por isso que pessoas com esteatose hepática podem ter prejuízo na tireóide. Todos os sistemas estão relacionados! As brássicas (brócolis, couve, repolho, couve-flor, rabanete, nabo, agrião, rabanete, rúcula) fornecem compostos que auxiliam o fígado no processo de destoxificação. Própolis é um suplemento que tem substâncias bioativas que ajuda também o fígado a liberar mais toxinas. Um fitoterápico interessante é a Withania somnifera (300 a 600 mg/dia).

Para melhorar o metabolismo hepático também é muito importante tratar o intestino. Sabia que suas bactérias intestinais fazem parte do seu sistema imunológico? Pois é, quando existem muitos microorganismos ruins no intestino, o sistema imune como um todo é desregulado. Quando existe uma variedade e quantidade maior de bactérias boas circulando o sistema imune como um todo é beneficiado. As bactérias benéficas (probióticas) também produzem compostos que beneficiam sua função hepática e ajudam a controlar o metabolismo dos nutrientes e a reduzir a pressão arterial.

O lactobacillus rhamnosus GG (LGG), que é encontrado em muitos suplementos probióticos comerciais reduz o estresse oxidativo no fígado. Em um experimento, camundongos que receberam uma dose tóxica de acetaminofeno, conhecido por causar lesões graves no fígado tiveram maior produção de radicais livres e inflamação. Porém, o grupo tratado com LGG sofreu menos dados no órgão. A administração do probiótico LGG a camundongos parece melhorar a resposta antioxidante do fígado, protegendo-o de danos oxidativos produzidos por drogas como o acetaminofeno. Estudos anteriores com animais também mostraram que o LGG ajuda proteger contra doença hepática alcoólica e esteatose hepática gordurosa não alcoólica, geralmente causada por dietas ricas em açúcar e alimentos processados.

O LGG parece ativar o Nrf2, uma proteína que regula a expressão de enzimas antioxidantes, como a superóxido dismutase e a catalase. O Nrf2 reduz a inflamação, melhora a função mitocondrial e estimula a biogênese mitocondrial. Além de consumir probióticos contendo LGG, o Nrf2 também pode ser ativado por: consumo de brássicas (novamente!). Como vimos, os vegetais crucíferos contém sulforafano que estimula o bom funcionamento hepático. Antioxidantes fenólicos presentes em alimentos como cebola, chá, uvas roxas, cacau, açafrão, cháv verde, mostarda, tofu, missô, linhaça. Uma outra forma de ativar o Nrf2 é com exercício de alta intensidade.

Modificações na microbiota durante a vida

Modificações na microbiota durante a vida

Voltando ao intestino: com o envelhecimento há uma alteração na composição da microbiota intestinal. Com isso aumenta a tendência à uma inflamação crônica de baixo grau e vários problemas que acompanham a velhice, como aumento da glicemia, dos níveis de colesterol e da pressão arterial, maior incidência de esteatose hepática, maior risco de intoxicação.

O uso de probióticos torna-se então importantíssimo nesta faixa etária. Recentemente, estudos vêm mostrando, por exemplo, a eficácia do transplante de microbiota fecal em pessoas idosas com problemas de saúde ou infectadas por Clostridium difficile de difícil tratamento (Messias et al., 2018). Nesta perspectiva de que tudo está integrado em nosso corpo, o uso de fecal também está sendo investigado para tratamento de aterosclerose, diabetes tipo 2, Parkinson e problemas hepáticos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Nutrição e doença de Crohn

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A doença de Crohn é uma afecção inflamatória crônica, que pode acometer qualquer local do trato digestivo, da boca ao ânus. A parte final do intestino delgado costuma ser bastante afetada. A ciência ainda não compreende a causa da doença, mas parece haver envolvimento genético, podendo atingir vários membros da mesma família. Também há envolvimento do sistema imunológico e do ambiente.

As células imunológicas acumulam-se nos intestinos, atacando bactérias, alimentos, tecido corporal saudável e outras substâncias inofensivas ou mesmo benéficas, causando sintomas como dor abdominal, diarréia, sangramento retal, perda de peso, febre e fadiga. Essas células imunes que se acumulam produzem substâncias químicas que promovem a inflamação, danificam as paredes intestinais e causam os sintomas da doença de Crohn.

O tratamento medicamentoso visa deter e cicatrizar os processo inflamatório intestinal. Cirurgias ficam reservadas quando há a necessidade de correção de complicações , como obstrução, hemorragia e abscessos. Durante as crises ocorre uma diminuição da capacidade de absorção de nutrientes. Há também perda de fluidos e eletrólitos, principalmente se houver diarreia.

Outras preocupações durante crises são a febre e o emagrecimento. Para garantir que todas as necessidades sejam atendidas durante crises pode ser necessária o uso de uma sonda (terapia enteral ou mesmo parenteral) ou modificações na dieta. Suplementos também podem ser prescritos pelo nutricionista já que deficiências podem surgir (especialmente de cálcio, ferro, zinco, manganês, cobre, selênio, vitaminas D, B9 e B12).

Se o paciente apresentar perda de apetite, risco de desnutrição ou já estiver desnutrido, se apresentar intolerâncias ou esteatorréia (perda de gordura nas fezes) produtos hipercalóricos e hiperproteicos também poderão ser necessários. Mesmo comendo bem a necessidade de energia está aumentada quando o intestino está muito inflamado ou perdendo sangue.

Durante as crises certos alimentos podem piorar os sintomas, aumentando gases e agravando a diarréia. É importante manter um diário alimentar que facilite a compreensão dos tipos de alimentos que funcionam como gatilhos para as crises. Além disso, é importante:

  • Fazer pequenas refeições, várias vezes ao dia;

  • Beber pequenas quantidades de água ou água de coco frequentemente ao longo do dia;

  • Se estiver com diarreia, evitar alimentos ricos em fibras. Cereais, massa e pães integrais, leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico) podem piorar o inchaço e dor abdominal. Estes alimentos podem ser bem tolerados fora das crises;

  • Evitar nozes, sementes e pipoca pois podem ser difíceis de digerir, causando maior irritação intestinal;

  • Cozinhar frutas e vegetais para facilitar a digestão;

  • Evitar alimentos gordurosos e frituras pois podem piorar os sintomas;

  • Evitar pimentas e outros alimentos picantes;

  • Limitar o consumo de produtos lácteos, se tiver dificuldade em digerir a lactose, o açúcar encontrado no leite;

  • Limitar a ingestão de cafeína, pois agrava as crises;

  • Evitar as bebidas alcoólicas e as com gases, como refrigerantes;

  • Dar preferência a alimentos leves e macios;

  • Reduzir o consumo de FODMAPs;

  • Incluir proteína suficiente na dieta.

Embora a doença de Crohn seja desafiadora é possível viver uma vida plena, recompensadora, feliz e produtiva. Existem algumas evidências de que os ácidos graxos ômega-3 (ou seja, óleos de peixe) podem ser úteis na redução de recidivas na doença de Crohn, devido ao seu efeito antiinflamatório. As dietas de exclusão mostraram benefício limitado, quando o paciente encontra-se estável. Ou seja, fora das crises a dieta vai sendo aos poucos liberada, respeitando-se a tolerância de cada pessoa.

Estudos preliminares sobre preparações probióticas que contenham Bifidobacterium, Lactobacillus e Streptococcus são promissoras na prevenção da recorrência da doença de Crohn. Prebióticos (alimentos não digeríveis que estimulam a atividade bacteriana no cólon) também podem ser suplementados, quando bem tolerados, ajudando a melhorar a composição da microbiota e a reduzir a inflamação do trato digestivo.

A atividade física regular é muito importante, ajudando a prevenir a osteoporose, manter a massa muscular, além de estimular o apetite. Para a saúde mental psicoterapia, grupos de suporte, meditação e yoga podem ser de grande valia.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/