Estresse, ansiedade, intestino, yoga e CBD

Quando falamos em eixo intestino-cérebro, referimo-nos às comunicações estabelecidas entre estes dois órgãos e cujas mensagens são mediadas por uma série de sistemas: o intestino, o sistema imune e o sistema nervoso. A comunicação é feita por mensageiros como neurotransmissores, citocinas e hormônios que viajam de cima para baixo (cérebro a intestino) e de baixo para cima (intestino em direção ao cérebro).

Problemas intestinais podem influenciar a saúde do cérebro de várias maneiras. A má absorção de nutrientes afeta a produção de neurotransmissores, importantes para nosso bem-estar, motivação, aprendizagem e humo.

Estudos sugerem que pessoas com problemas intestinais crônicos são mais propensos a viver com ansiedade e depressão. Por isso, é muito importante uma dieta saudável, variada, rica em fibras e nutrientes adequados.

Problemas intestinais podem resultar em baixa produção de ácidos graxos de cadeia curta, metabolismo alterado de aminoácidos específicos, desregulação da atividade do nervo vago e muito mais. Problemas intestinais também causam inflamação de baixo grau, o que pode influenciar negativamente a saúde do cérebro. Se estiver com disbiose aprenda a corrigir aqui.

Aprenda a lidar com o estresse e a ansiedade

Ansiedade e estresse são duas queixas muito comuns entre adolescentes e adultos. Se não gerenciados reduzem o bem-estar, o desempenho nas atividades, aumentam o risco de depressão e fadiga crônica.

Crises de ansiedade prolongadas e graves são sentidas no intestino, pois causam alterações na motilidade intestinal. Episódios frequentes de ansiedade ou ansiedade crônica podem levar a alterações graves na microbiota intestinal, e isso pode ter uma influência negativa na conexão intestino-cérebro.

A ansiedade altera a motilidade e a microbiota intestinal, e a microbiota intestinal alterada aumenta o risco de ansiedade e depressão. Assim, o gerenciamento precoce da ansiedade é uma das melhores maneiras de quebrar esse círculo vicioso.

Yoga no gerenciamento do estresse e da ansiedade

A prática de yoga tem sido minha companheira há muitos anos. Foi imensamente importante durante o meu mestrado e doutorado, ajudando-me a controlar a ansiedade e seguir em frente. Acabei fazendo dois cursos de formação para meu próprio conhecimento. Como trabalho com nutrição na psiquiatria (especialmente transtornos de ansiedade, depressivos e bipolar) sempre indiquei que meus pacientes aprendessem a meditar, relaxar, respirar, combinando estas práticas com a psicoterapia, a medicação, a atividade física e a alimentação saudável. Mas muitos dos meus pacientes vivem em cidades com pouco acesso a escolas de yoga.

Felizmente hoje existe o YouTube com milhares de práticas. E os cursos de formação online para quem deseja se aprofundar. Como sempre me pediram muito durante as consultas montei um curso de 12 meses com 200h e meus pacientes com consultas mensais (12 meses por ano) recebem de presente gratuitamente meu curso online de yoga de 12 meses.

*Compra dos módulos de yoga avulsos

*Consultas de nutrição avulsas

*1 consulta de nutrição por mês + 1 módulo de yoga/mês (esse vem de graça no programa de 12 meses pelo mesmo preço da consulta avulsa)

CBD no gerenciamento do yoga e ansiedade

O CBD pode ajudar a conexão intestino-cérebro de várias maneiras, pois influencia o funcionamento do cérebro e do intestino devido à sua influência nos receptores CB1 e CB2. Aprenda mais sobre o tema na plataforma https://t21.video

O CBD pode ajudar a estabilizar o humor, reduzir a ansiedade e normalizar a comunicação. Na Europa poderá comprar o CBD 10% da Naturecan com 20% de desconto usando o código andreiatorres. No Brasil, converse com seu médico sobre as melhores opções.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Eixo intestino-cérebro e obesidade

A obesidade é uma doença complexa, que inclui em sua gênese fatores genéticos, hormonais, sociais, ambientais, econômicos. Hoje sabemos, por exemplo, que a regulação do nervo vago é importante para o controle da saciedade.

O termo “nervo vago” é, na verdade, a junção de milhares de fibras nervosas, organizados em 2 feixes que vão do tronco cerebral para baixo em cada lado do pescoço e no tronco, ramificando-se para tocar os órgãos internos, incluindo coração, intestino, pulmões, fígado, pâncreas, rins. Como capta muitos estímulos, o nervo vago – o mais longo dos 12 nervos cranianos – às vezes é chamado de “superestrada da informação”.

Estudos indicam que estimular o nervo vago pode ajudar pessoas com epilepsia, diabetes, depressão resistente ao tratamento medicamentoso, transtorno de estresse pós-traumático, transtorno de ansiedade, condições autoimunes inflamatórias, como doença de Crohn ou artrite reumatoide e também no controle da compulsão alimentar.

O eixo intestino-cérebro

É formado pelo sistema nervoso central (SNC), a inervação entérica que inclui fibras extrínsecas do sistema nervoso autônomo (SNA) e neurônios intrínsecos do sistema nervoso entérico (SNE), o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) e a microbiota intestinal.

A funcionalidade do trato GI (motilidade intestinal, função secretora, fluxos de fluidos ou fluxo sanguíneo) é regulada pela ação integrada do SNC e do SNE. Enquanto o SNC controla as funções intestinais por meio das inervações extrínsecas do SNA, o SNE pode agir de forma autônoma e independente do cérebro.

O SNE é composto por milhões de neurônios. As inervações entéricas são separadas do conteúdo luminal intestinal, incluindo a microbiota, pela barreira celular epitelial, pela camada mucosa e pelas secreções iônicas e líquidas. No entanto, a microbiota intestinal se comunica com as inervações entéricas por meio de vários possíveis rotas que podem envolver interações intermediárias com células imunes e células enteroendócrinas (EECs).

As EECs produzem hormônios intestinais (por exemplo, colecistoquinina (CCK) ou peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP-1) em resposta a estímulos bacterianos, que também modulam a atividade de inervação entérica; por sua vez, neurônios entéricos fazem sinapse em EECs permitindo alimentação mútua de volta. Portanto, a microbiota poderia influenciar o ENS por meio de sua interação direta com o funcionamento do EEC.

Muitos dos sinais de saciedade são hormônios anorexígenos, como peptídeo YY (PYY), GLP-1, neuropeptídeo inibidor gástrico (GIP), CCK, oxintomodulina (OXM) e prouroguanilina (Pimentel et al., 2012). Esses sinais são ativados durante o período pós-prandial. No entanto, durante o período de jejum, hormônios orexígenos como a grelina são liberados principalmente no estômago e excretados para a circulação periférica. Além disso, diferentes neuropeptídeos como a proteína relacionada agouti (AgRP) e o neuropeptídeo Y (NPY) são ativados em neurônios hipotalâmicos durante o jejum para produzir uma sensação de fome e uma resposta comportamental: ou seja, para começar a comer.

Mudanças na alimentação em resposta ao controle do apetite do SNC podem influenciar a disponibilidade de nutrientes para a microbiota intestinal e, posteriormente, sua composição. Por sua vez, a modulação da microbiota intestinal e sua atividade por intervenção dietética também podem modificar os sinais de saciedade. Quando as bactérias intestinais metabolizam prebióticos como oligofrutose (OFS) ou inulina, elas produzem ácidos graxos de cadeia curta que podem aumentar a expressão gênica de GLP-1 e PYY no trato intestinal induzindo a saciedade.

Algumas cepas probióticas pertencentes aos gêneros Bifidobacterium e Lactobacillus também influenciam o nervo vago e, como consequênica, há melhoria no humor e redução da ansiedade. Outro mecanismo pelos quais os probióticos podem mediar esses efeitos incluem suas possíveis propriedades reguladoras do sistema imunológico e a pordução de serotonina (5-HT). O 5-HT é um neurotransmissor monoamínico produzido a partir do triptofano, ingerido na dieta. Este neurotransmissor é bem conhecido por seu papel na cognição e humor no cérebro. Aproximadamente 95% da 5-HT é produzida no intestino.

As funções clássicas atribuídas ao 5-HT no trato GI estão relacionadas à sua participação na motilidade GI, secreção e percepção da dor. A 5-HT também tem ações de fator trófico neuroprotetor e ações pró-inflamatórias no intestino.

Técnicas para estimular o nervo vago

1) SOM

- Encontre um local calmo

- Coloque sua música ou mantra favorito (KALYANI, et al, 2011).

- Feche os olhos

- Cante junto

2) YOGA

A respiração lenta, a entoação de mantras como o OM, as posturas (ásanas) e as técnicas de concentração ajudam a ativar o nervo vago (STREETER et al. 2010).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Para que serve a serotonina produzida no intestino?

A serotonina ou 5-hidroxitriptamina (5-HT) tem papéis tradicionais como um neurotransmissor chave no sistema nervoso central e como um hormônio regulador do humor, sono, apetite e ansiedade. Mas 90% da serotonina é produzida no intestino.

Como o 5-HT não pode atravessar facilmente a barreira hematoencefálica, os pools centrais e periféricos de 5-HT são anatomicamente separados e, como tal, agem de maneiras distintas. Fora do cérebro a serotonina é também um hormônio metabólico, contribuindo para a homeostase da glicose e adiposidade, com uma relação causal existente entre os níveis circulantes de 5-HT e doenças metabólicas. Existem muitos outros efeitos periféricos da serotonina no pâncreas, fígado, tecido adiposo, plaquetas etc (Maierean et al., 2020).

Quase todo o 5-HT periférico é derivado de células enteroendócrinas especializadas, chamadas células enterocromafins (CE), localizadas ao longo do revestimento do trato gastrointestinal. As células EC são importantes células sensoriais luminais que podem detectar e responder a uma variedade de nutrientes ingeridos, bem como às substâncias produzidas pela microbiota.

A serotonina do intestino (representada na figura como bolinhas amarelas) pode ativar o nervo vago. Este sim está ligado ao sistema nervoso central. Assim, apesar da serotonina intestinal não chegar diretamente ao cérebro, pode inflluenciar sim sua fisiologia.

A estimulação do nervo vago é feita pelo contato com a serotonina, mas também com a respiração do yoga, com uso de lactobacillus (plantarum, reuteri), terapia neural. Dentro do nervo vago existem neurônios eferentes (que chegam do sistema nervoso central) e neurônios aferentes (que vão em direção ao sistema nervoso central). Em proporção existem mais neurônios aferentes, saindo do intestino para o cérebro (90%). Por isso, o que acontece no intestino interfere muito no sistema nervoso central.

Assim, apesar da serotonina intestinal não chegar ao cérebro, o estímulo do nervo vago leva mensagens ao sistema nervoso, ativando o núcleo do trato solitário, que proteja neurônios em direção ao locus coeruleus, que libera noradrenalina e no núcleo dorsal da rafe, ativa neurônios serotoninérgicos, que liberam serotonina.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/