Alzheimer aumenta mortalidade entre pessoas com Síndrome de Down

Trabalho inglês acompanhou 211 pessoas com síndrome de Down (SD) entre 2012 e 2017. No período 27 participantes morreram. Destes 70% tinham, além da trissomia do cromossomo 21, diagnóstico de demência. Ou seja, morreram 5 vezes mais pessoas com demência do que pessoas com SD sem demência.

O risco de morte também foi 7 vezes maior nos indivíduos que tinham o gene APOE ε4. Indivíduos com múltiplas doenças também, como epilepsia, também faleceram mais. O estudo mostra a importância e necessidade de bons cuidados de saúde e acompanhamento durante toda a vida (Hithersay et al., 2018).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Dieta cetogênica para controle das convulsões

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A convulsão é um distúrbio no qual descargas elétricas anormais no cérebro geram contração muscular desordenada, tremores, respiração irregular, alterações dos sono e da deglutição, perda da consciência ou confusão mental.

A convulsão pode ser gerada por febre alta, trauma craniano, intoxicação por chumbo, uso de alguns remédios, doenças que afetam o cérebro ou consumo de drogas, incluindo a cocaína. As convulsões podem gerar insuficiência respiratória e déficits neurológicos permanentes por perda de neurônios.

Algumas doenças geram episódios recorrentes como epilepsia de difícil controle, síndrome de West e síndrome de Lennox-Gastaut.  Na epilepsia, por exemplo, a dieta cetogênica tem sido usada com sucesso desde a década de 1920. Estudos mostram que aproximadamente 20 a 30% dos pacientes com epilepsia não respondem adequadamente ao tratamento medicamentoso, por isto outras estratégias precisam ser testadas. 

A dieta cetogênica também beneficia pessoas com deficiência de GLUT-I, deficiência de piruvato desidrogenase, síndrome de Rett, espasmos infantis, Síndromede Dravet, gicogenose tipo V, síndrome de Landau-Kleffner.

Esta dieta leva a um aumento do nível dos corpos cetônicos no sangue e estudos mostram que os corpos cetônicos e seus componentes tem efeito neuroprotetor evitando as convulsões por reduzir a excitabilidade neural.

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Para que tenha sucesso de 75% a 90% das calorias ofertadas deverão vir de gorduras, 3 a 10% de carboidratos e 7 a 20% de proteínas. A dieta em geral é seguida por 3 a 4 meses para que os efeitos sejam percebidos e deverá ser mantida por 2 a 3 anos. Para começar a dieta o paciente deve passar por avaliação médica e aconselhamento nutricional.

Dentre os exames solicitados no início e durante o processo estão hemograma e contagem de plaquetas, eletrólitos, enzimas hepáticas, funcionamento renal, lipidograma, perfil de acilcarnitina sérica, exame de urina, níveis de drogas anticonvulsivantes, aminoácidos séricos. Conforme as crises vão diminuindo o neurologista fará a revisão do uso de anticonvulsivantes. Já o nutricionista deverá calcular cardápios variados, fornecer receitas e suplementar multivitamínicos e minerais, cálcio e vitamina D, selênio, magnésio, zinco, fósforo, carnitina, triglicerídeos de cadeia me'dio e sódiio, conforme necessidade.

O tratamento pode ser iniciado em casa ou no hospital, a critério da equipe de saúde. Devem ser excluídos do cardápio alimentos fonte de glutamato monossódico e bebidas estimulantes.

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Algumas fitoterápicos também podem agravar o quadro epiléptico devendo ser eliminados do esquema terapêutico: kava kava, valeriana, passiflora, gingko biloba, ginseng.

Em relação aos resultados 33% não conseguem seguir a dieta, há redução de 50% das convulsões em 33% dos pacientes, há redução de 90% em 17% dos pacientes e outros 17% dos pacientes livram-se totalmente das convulsões,

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Efeitos colaterais podem surgir e incluem letargia (provavelmente pelo efeito sedativo dos corpos cetônicos), hipoglicemia, alterações gastrointestinais, como náuseas, vômitos (pelo elevado nível de corpos cetônicos) e dificuldades de ingestão da dieta. Desidratação também pode acontecer.

À longo prazo, as complicações podem incluir litíase renal (que pode ser associada à acidúria e queda do pH urinário ou à restrição hídrica), infecções recorrentes (consequência da alteração da função dos granulócitos), aumento do ácido úrico, acidose, depleção de carnitina, hipercolesterolemia, irritabilidade, letargia e recusa de ingestão de alimentos.

A dieta cetogênica também pode acarretar a piora de pacientes com deficiência da enzima piruvato-carboxilase, de carnitina,  com porfiria ou defeitos na beta-oxidação (queima) de ácidos graxos. Além disso é contra indicada para pacientes com doenças cardíacas, renais e musculoesqueléticos, incluindo osteopenia.

Fontes:

Kossof et al. (2009). Optimal clinical management of children receiving the ketogenic diet: Recommendations of the International Ketogenic Diet Study Group. Epilepsia, 50(2):304-17

Pereira et al. (2010). Dieta cetogênica: como o uso de uma dieta pode interferir em mecanismos neuropatológicos. Revista de Ciências Médicas e Biológicas, R. Ci. méd. biol., 9(Supl.1):78-82

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Melatonina na prevenção do Alzheimer

Alterações no padrão secretor de melatonina foram encontradas em uma série de doenças psiquiátricas e neurológicas como distúrbio bipolar, depressão, bulimia, anorexia, esquizofrenia, transtorno de pânico, transtorno obsessivo compulsivo, epilepsia, autismo, Alzheimer e Parkinson.

Uma das características marcantes de alteração cerebral na doença de Alzheimer é a presença de placas beta-amilóides, formada pelo agrupamento de proteínas e bloqueando a sinalização e processo de sinapse cerebral. A má qualidade do sono é capaz de aumentar a proliferação dessas placas nas áreas cerebrais, comprometendo cada vez mais a capacidade cerebral.

A melatonina, hormônio produzido em tecidos como cérebro e trato digestório inibe a formação e agregação das placas beta-amilóides e previne os danos oxidativos devido ao seu papel antioxidante. Contudo, estes benefícios parecem ocorrer apenas nos estágios iniciais da doença. Alimentos fonte de melatonina incluem uvas, vinho e azeite de oliva.

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Dieta cetogênica no tratamento da epilepsia

Avanços nas pesquisas mostram que dietas pobres em carboidratos e ricas em gorduras (dietas cetogênicas)  podem reduzir a excitação cerebral, tendo ação anticonvulsivante e antiepiléptica (Pereira et al., 2010).

O fígado converte gorduras a corpos cetônicos, os quais chegam ao cérebro e são utilizados como fonte de energia. Para a pesquisadora Dra. Mackenzie Cevenka a dieta cetogênica é eficiente para tratar pelo menos metade dos adultos epilépticos graves e resistentes a drogas convencionais. De acordo com pesquisadores do Hospital Johns Hopkins a dieta costuma ser segura mesmo para crianças. Com a redução das crises a dieta contribui ainda para a melhor estimulação e desenvolvimento psicomotor.

É bom destacar que há necessidade de acompanhamento e individualização por profissionais especializados na área já que a dieta pode ter efeitos colaterais como letargia, anorexia e complicações gastrointestinais (Hirano et al., 2015), atraso no crescimento, acidose metabólica e dislipidemia (Vilches, 2016). 

A suplementação de nutrientes específicos pode ser necessária. Nutrientes como  vitaminas B6 e C, os minerais manganês, magnésio e zinco, além do inositol também vem sendo estudados como coadjuvantes do tratamento das convulsões e epilepsia.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/