O que é genômica nutricional?

Screen Shot 2019-04-10 at 1.34.43 PM.png

Os alimentos interferem na expressão de genes. A ciência que estuda as interações entre o genótipo o epigenótipo e o ambiente (dieta, atividade física, condições do bebê durante a vida intrauterina, infecções, qualidade do sono, uso de medicamentos ou drogas, microbiota intestinal, contato com disruptores endócrinos, estresse psicológico, condição socioeconômica, consumo alimentar).

A genômica nutricional é uma área de estudo dentro da ciência da nutrição. Tenta compreender a interação entre genes e nutrientes. As três áreas de estudo da genômica nutricional são:

  • Nutrigenética: estuda a influência da variabilidade genética entre os indivíduos em relação às necessidades nutricionais, ao estado de saúde e ao risco de desenvolver doenças. Dessas variações estudadas no nosso DNA, destaca-se um tipo de alteração conhecido como polimorfismo de nucleotídeo simples (SNP) que consiste numa pequena variação na sequência de DNA que afeta apenas uma base na sequência do genoma.

  • Nutrigenômica: estuda o modo como os nutrientes e os compostos bioativos dos alimentos — o licopeno do tomate e a curcumina do açafrão-da-terra, por exemplo — influenciam a atividade dos genes, aumentando ou reduzindo a sua capacidade de promover a produção de proteínas.

  • Nutriepigenômica: estuda as alterações no DNA, provocadas por fatores relacionados com a alimentação ao longo da vida. Exemplo: A metilação (adição de grupos metil) ao DNA controla a expressão de vários genes.

Assim, a genômica nutricional fornece dados preditivos acerca do risco de problemas de saúde. O diagnóstico nutricional completo e definição de estratégias depende ainda de outros parâmetros, coletados por meio de ferramentas como análises bioquímicas, avaliação de sinais e sintomas, história familiar de doenças, preferências alimentares, ancestralidade, antropometria e avaliação consumo alimentar.

Compartilhe se achou interessante.
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Método genético calcula sua idade metabólica pelo nível de metilação do DNA

O metabolismo é acelerado na infância e adolescência, atingindo seu pico por volta dos 16 ou 17 anos. Depois, gradualmente vai diminuindo. Quanto menos acelerada estiver a taxa metabólica basal menos calorias poderá ingerir ou acabará ganhando peso em forma de gordura. Por muito tempo no consultório tive um aparelho de bioimpedância que calculava, além da taxa metabólica basal, a idade metabólica. Isso era importante pois existem pessoas jovens com metabolismo lento, mas existem pessoas mais velhas com o metabolismo mais acelerado. Ou seja, nem sempre nossa idade cronológica coincide com nossa idade metabólica.

A idade metabólica é calculada, pelo aparelho de bioimpedância, pela comparação da taxa metabólica basal do momento com a TMB média de sua faixa etária cronológica. Se a sua idade metabólica for superior à sua idade atual, é um sinal de que você precisa melhorar sua taxa metabólica, ganhando músculos e reduzindo o percentual de gordura.

Agora, um grupo de pesquisadores da Faculdade T.H.Chan de Saúde Pública de Harvard descobriu um novo método para determinar com mais precisão a idade cronológica e a idade metabólica de uma pessoa. Apelidado de relógio ribossomal, um segmento de DNA é utilizado como biomarcador do envelhecimento. O relógio ribosomal tem aplicações potencialmente amplas, incluindo a medição de como exposições a certos poluentes ou intervenções dietéticas aceleram ou retardam o envelhecimento.

De acordo com Bernardo Lemos, professor do Departamento de Saúde Ambiental em Harvard, existem dois tipos de idade: a cronológica, representada pelo número de anos que uma pessoa viveu, e biológica, que explica vários fatores do estilo de vida que podem encurtar ou prolongar a vida, incluindo dieta, exercícios e exposições ambientais. Em geral, a idade biológica tem se mostrado um melhor preditor de mortalidade por todas as causas e início de doença do que a idade cronológica.

dna-methylation.jpg

Analisando o rDNA, o segmento mais ativo do genoma e que também foi intimamente ligado ao envelhecimento em uma série de estudos anteriores, foram examinadas alterações químicas epigenéticas (metilação do DNA) neste segmento do material genético. A hipermetilação (metilação excessiva) foi considerada como um marcador do envelhecimento (Wang & Lemos, 2019).

Fatores estressantes aumentam a liberação de cortisol, levam a hipermetilação e envelhecimento mais acelerado (Zannas et al., 2015). Assim, técnicas de relaxamento tornam-se essenciais durante toda a vida, mantendo os níveis de estresse sob controle. A hipermetilação está ligada a problemas autoimunes e até aumento do risco de câncer. O uso indiscriminado de suplementos multivitamínicos pode acelerar o processo (Hodges, 2016). Desta forma, use suplementos dietéticos apenas com indicação nutricional ou médica.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Epigenética, nutrição e saúde mental

A deficiência de macro e micronutrientes tem sido associada ao aumento de problemas comportamentais e a suplementação nutricional tem se mostrado eficaz no tratamento de distúrbios neuropsiquiátricos. Como isso acontece? Pela disponibilidade de nutrientes para produção de hormônios e neurotransmissores e também pela regulação epigenética.

Muitos aspectos do desenvolvimento humano e da doença são influenciados pela interação entre genética e fatores ambientais. Entender como nossos genes respondem ao meio ambiente é fundamental para a preservação da saúde e é um dos principais desafios atuais da ciência. Vários processos epigenéticos afetam a estrutura cromossômica e acessibilidade do ácido desoxirribonucleico (DNA) à maquinaria enzimática que leva à expressão de genes.

A modificação química do DNA pela metilação (adição do grupo metil - CH3) pode mudar durante o desenvolvimento e em resposta ao meio ambiente, muitas vezes com efeitos profundos na expressão dos genes.

A interação entre meio ambiente e genética é chamada de plasticidade fenotípica, um mecanismo pelo qual espécies podem se adaptar rapidamente em resposta a mudanças das condições ambientais. As modificações que permitem que a plasticidade fenotípica ocorra não constituem uma mudança na sequência genética, não são mutações, mas mudanças epigenéticas. Ou seja, o gene herdado pelos pais está ali, mas pode expressar-se ou não dependendo do que comemos no dia-a-dia, da forma como vivemos, se fumamos ou não, do nosso nível de estresse e nível de atividade física.

A metilação é um importante processo regulatório na expressão dos genes. O aumento da metilação pode resultar na diminuição ou no aumento da expressão genética. A inserção de um grupo metil (CH3) junto a um gene depende do consumo de nutrientes específicos. No vídeo, explico o processo:

O reconhecimento de que o DNA pode ser modificado pela alimentação é recente mas modelos animais nos fornecem explicações sobre a influência da dieta nas modificações epigenéticas. Abelhas trabalhadoras e abelhas rainhas são diferentes. Esta diferenciação surge no início da vida. As larvas alimentadas com geléia real tornam-se rainhas. As alimentadas com pólen, néctar e mel tornam-se abelhas trabalhadoras. As últimas são menores, tem um tempo de vida mais curto, coletam néctar e são inférteis. Isto se dá devido ao alto consumo de compostos fenólicos pelas abelhas operárias. Os compostos fenólicos influenciam a expressão de genes que induzem mudanças em níveis genômicos de metilação do DNA.

Há evidências crescentes para apoiar a ideia de que, se uma modificação epigenética se estabelece no DNA de células germinativas, esta assinatura pode ser herdada para várias gerações. Isso implica que a alimentação dos pais no momento da concepção pode direcionar as características de seus descendentes.

O neurodesenvolvimento, por exemplo, depende de um DNA bem metilado. Fatores que afetam esta metilação no início da vida podem comprometer aprendizado, memória e acelerar a neurodegeneração. Muitos micronutrientes presentes na dieta são importantes doadores e cofatores para a metilação, como folatos, vitamina B12, metionina, betaína e colina.

Vários estudos sugeriram que níveis baixos de metilação, folato e SAMe correlacionam-se com depressão, fadiga, maior risco de autismo e esquizofrenia. Existem evidências de que melhorias na dieta ajudam a modular o controle epigenético, reduzindo o risco de doenças, tanto na infância quanto na fase adulta. No entanto, nossa compreensão dos efeitos potenciais da suplementação ainda é bastante limitado. Felizmente, muitos grupos de pesquisa hoje tem expressado interesse nesta área, para que no futuro possamos individualizar cada vez mais as intervenções dietéticas (Stevens, Rucklidge, & Kennedy, 2018).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Variantes genéticas ligadas à depressão

Até o momento já foram identificadas 44 variantes genéticas associadas ao risco aumentado de depressão (Wray et al., 2018). Tais variantes genéticas (ou polimorfismos) também podem explicar outros transtornos psiquiátricos, como a esquizofrenia.

Todos nós carregamos variantes genéticas para a depressão, mas aqueles com uma maior número de polimorfismos (variações genéticas) estão sob maior risco. Além da genética, experiências de vida também influenciam a susceptibilidade à doença. 

Hoje sabemos também que a obesidade é um dos fatores de risco para sintomas depressivos. Como apenas metade dos pacientes diagnosticados respondem bem aos medicamentos e tratamentos atualmente disponíveis, mais pesquisas que estudem os fundamentos genéticos e a influência dos agentes ambientais são importantes. 

Em relação à fitoterapia algumas plantas tem sido investigadas tanto para a redução dos sintomas depressivos, como no sentido de redução da expressão de genes ligados à doença, como Camellia sinensis, Griffonia simplicifoliaWithania somnifera, panax ginseng, Eleutherococus senticosus. Converse com um nutricionista especialista na área.

Compartilhe se achou interessante.
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/