Nutrição e Saúde Mental de idosos

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, saúde mental é um estado de bem estar em que a pessoa consegue perceber seu potencial, consegue lidar com os estresses da vida, consegue trabalhar de forma produtiva e é capaz de contribuir com a comunidade.

Já a doença mental refere-se a alterações no cérebro ou na função do sistema nervoso, gerando em percepções e respostas diferenciadas em relação ao ambiente. Podem gerar sofrimento, incapacidade e maior morbimortalidade. Pode acontecer devido a perturbações mentais e neurológicas ou por uso de substâncias (WHO, 2013), podendo ainda surgir devido a fatores genéticos, biológicos e psicológicos, bem como a condições sociais adversas e fatores ambientais (WHO, 2013).

As doenças mentais associam-se a maior mortalidade por suicídio, doenças e mortes acidentais. O tratamento envolve acompanhamento psicológico, psiquiátrico e nutricional. Muitos problemas de saúde mental são influenciados pela nutrição, como: (1) alterações no ritmo circadiano e na qualidade do sono; (2) ansiedade; (3) hiperatividade); (4) demência; (5) depressão; (6) transtornos alimentares; (7) problemas de memória; (8) vícios e abuso de drogas; (9) delírio.

Já falei em outros textos sobre os 7 primeiros. Hoje vou escrever então sobre o delírio. O mesmo é frequentemente associado a uma dieta pobre. Por isso, carências nutricionais precisam ser avaliadas. O delírio é uma desordem neurocognitiva, caracterizada por distúrbio no nível de consciência e capacidade reduzida de direcionar, focalizar, sustentar e desviar a atenção. É uma condição mental temporária, comum em adultos idosos hospitalizados. Mas também pode ocorrer em pacientes anoréxicos, após o uso de drogas ou em pacientes severamente desidratados.

O delírio está associada a um maior risco de morte, de demência, aumento do tempo de internação hospitalar, aumento da probabilidade de cuidados de longo prazo. O delírio difere da demência e depressão, pois no delírio os sintomas começam de uma hora para outra, apesar de poderem durar de alguns dias até 1 ano. 

delirium1b-300x199.jpg

Os sintomas incluem incapacidade de concentração, pensamento rápido ou incoerente, desorientação, alucinações, agitação, sonolência. A prevalência entre idosos internados varia entre 10% a 70%, dependendo da população estudada e do método utilizado. Os idosos são acometidos mais frequentemente devido a presença de infecções sistêmicas, hipoglicemia, período pós-operatório (anestesia), abstinência do álcool ou uso de medicamentos como benzodiazepenos, antidepressivos, antipsicóticos e lítio.

A deficiência de antioxidantes, vitamina B12, tiamina, niacina ou proteína, distúrbios eletrolíticos, níveis alternados de magnésio, fosfato e potássio são encontrados em pessoas com delírios. Fosfato, potássio e magnésio são importantes para o funcionamento neuronal devido ao seu envolvimento no metabolismo energético e seu papel na manutenção do potencial de membrana das células.

O tratamento do delírio requer alimentação, hidratação e sono adequados. É fundamental o restabelecimento dos níveis normais de líquidos e eletrólitos, normalização dos níveis de glicose e outros nutrientes. Além da dieta, um suplemento polivitamínico e mineral também pode ser considerado.. Também é fundamental avaliar a presença de distúrbios metabólicos como diabetes e desordens da tireóide, assim como a presença de doenças crônicas do coração, rins e fígado.

Compartilhe se achou interessante.
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!