Papel do ômega-3 no esporte

O ômega-3, especialmente os ácidos graxos EPA e DHA, exerce papel relevante no esporte por seus efeitos fisiológicos sobre inflamação, recuperação, função muscular e cardiovascular.

EPA e DHA modulam a produção de eicosanoides e resolvinas, reduzindo inflamação induzida pelo exercício. Isso pode atenuar dor muscular tardia e acelerar a recuperação entre sessões.

Evidências indicam redução de marcadores de dano muscular, como creatina quinase, e menor percepção de dor após exercícios excêntricos, favorecendo manutenção da qualidade do treino.

O ômega-3 pode melhorar a eficiência da sinalização anabólica via mTOR e a sensibilidade à insulina no músculo, potencializando síntese proteica muscular, especialmente em combinação com proteína e treinamento de força.

Melhora da função endotelial, redução da viscosidade sanguínea e possível aumento da eficiência cardíaca, com impacto positivo na economia de oxigênio em esportes de resistência.

DHA também é componente estrutural de membranas neuronais, contribuindo para tempo de reação, coordenação motora e tomada de decisão, relevantes em esportes de alta complexidade técnica.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

A Ciência do Envelhecimento Ovariano e das Mitocôndrias

O envelhecimento ovariano é um dos processos biológicos mais complexos do corpo feminino e, frequentemente, os ovários são os primeiros órgãos a apresentar sinais de declínio. No entanto, a ciência moderna está revelando que esse processo não impacta apenas a fertilidade; ele está intrinsecamente ligado à longevidade e à saúde geral da mulher.

Mitocôndrias: Mais que Usinas de Energia

Tradicionalmente conhecidas como as "usinas de energia" das células, as mitocôndrias desempenham um papel muito mais profundo nos ovários. Elas atuam como reguladoras epigenéticas, fornecendo metabólitos essenciais — como o acetil-CoA, NAD+ e ATP — que modificam a expressão dos genes sem alterar a sequência do DNA.

Quando as mitocôndrias não funcionam corretamente (disfunção mitocondrial), ocorre uma cascata de eventos:

  • Erros cromossômicos: A falta de energia (ATP) prejudica a divisão celular, aumentando o risco de aneuploidia (número incorreto de cromossomos) nos óvulos.

  • Alterações Epigenéticas: A escassez de metabólitos mitocondriais altera padrões de metilação do DNA e modificações de histonas, o que acelera o envelhecimento celular.

A Genética e o Risco de Doenças

Estudos recentes identificaram variantes genéticas raras que têm impactos significativos na idade da menopausa. Por exemplo, mutações no gene ZNF518A podem antecipar a menopausa em mais de 5 anos.

Além disso, existe um elo genético fascinante entre o envelhecimento reprodutivo e o câncer. Variantes nos genes BRCA1 e BRCA2, famosas pelo risco de câncer de mama, também estão ligadas a uma reserva ovariana reduzida e à menopausa precoce. Curiosamente, variantes no gene SAMHD1 foram associadas a uma vida reprodutiva mais longa, mas também a um risco elevado de diversos tipos de câncer.

Impacto na Próxima Geração

A saúde dos ovários pode influenciar até a integridade genética dos filhos. Pesquisas indicam que mulheres com predisposição genética para a menopausa precoce podem apresentar taxas mais altas de mutações de novo (mutações que surgem pela primeira vez) em seus descendentes. Além disso, polimorfismos no gene MCM9 em mães foram associados a um risco aumentado de erros na recombinação genética, o que pode levar à Síndrome de Down.

Estratégias para a Longevidade Ovariana

Embora o envelhecimento seja inevitável, a ciência aponta caminhos para proteger a função ovariana e, consequentemente, a saúde metabólica e cardiovascular da mulher. Algumas intervenções estudadas incluem:

  • Melatonina: Este hormônio não regula apenas o sono; ele atua como um poderoso antioxidante nos ovários, reduzindo o estresse oxidativo nas mitocôndrias.

  • Nutrição e Metabólitos: O uso de precursores de NAD+ e suplementação com ácido fólico e vitamina B12 pode ajudar a manter os padrões saudáveis de metilação do DNA.

  • Resveratrol: investigado por sua capacidade de mitigar alterações epigenéticas e melhorar a qualidade dos óvulos.

  • Metformina: imita a restrição calórica, com o potencial de prolongar o processo de retardamento do envelhecimento dos ovários. Compensa efeitos negativos da SOP na qualidade dos oócitos, reduz alterações epigenéticas e diminui estresse oxidativo.

O envelhecimento ovariano é um marcador crítico da saúde sistêmica. Compreender o diálogo entre as mitocôndrias e os nossos genes nos permite não apenas vislumbrar tratamentos para a infertilidade, mas também estratégias para que as mulheres vivam vidas mais longas e saudáveis, minimizando os riscos de doenças associadas à menopausa, como a osteoporose e doenças cognitivas.

Referências

  1. Mani S, Srivastava V, Shandilya C, Kaushik A, Singh KK. Mitochondria: the epigenetic regulators of ovarian aging and longevity. Front Endocrinol. 2024 Nov 13;15:1424826. doi: 10.3389/fendo.2024.1424826.

  2. Stankovic S, Shekari S, Huang QQ, Gardner EJ, Ivarsdottir EV, Owens NDL, et al. Genetic links between ovarian ageing, cancer risk and de novo mutation rates. Nature. 2024 Sep 19;633(8030):608–614. doi: 10.1038/s41586-024-07931-x.

  3. Pal U, Halder P, Ray A, Sarkar S, Datta S, Ghosh P, et al. The etiology of Down syndrome: Maternal MCM9 polymorphisms increase risk of reduced recombination and nondisjunction of chromosome 21 during meiosis I within oocyte. PLoS Genet. 2021 Mar 22;17(3):e1009462. doi: 10.1371/journal.pgen.1009462.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

CICLO MENSTRUAL

A menstruação é um sangramento genital periódico e temporário, que marca a vida da mulher da menarca (primeira menstruação) até a menopausa. O ciclo existe para dois eventos principais: permitir a ovulação e preparar o útero para receber um embrião

Um ciclo saudável geralmente dura entre 24 e 35 dias, com sangramento de 3 a 7 dias e volume de 30 a 80 ml.

O ciclo funciona como uma engrenagem envolvendo o Eixo Hipotálamo-Hipófise-Ovário. O Hipotálamo libera o hormônio GnRH de forma pulsátil. A Hipófise anterior reage ao GnRH secretando as gonadotrofinas FSH e LH. O Ovário produz estrogênio e progesterona.

A Jornada dos Folículos (Do Útero à Puberdade): uma reserva finita

A mulher já nasce com todos os seus folículos. Na 20ª semana de vida intrauterina, o feto tem cerca de 7 milhões de folículos. Ao nascer, restam apenas 1,5 a 2 milhões, e na puberdade, esse número cai para 300 a 500 mil.

A cada mês, o ovário recruta cerca de mil folículos para disputar a ovulação. Apenas um vencerá, e os outros 999 sofrerão atresia (morte celular).

Desenvolvimento Folicular e a Teoria das Duas Células

O desenvolvimento vai do folículo primordial ao pré-ovulatório. O processo chave ocorre aqui:

    ◦ Células da Teca: Sob influência do LH, transformam colesterol em androgênios.

    ◦ Células da Granulosa: Sob influência do FSH, usam a enzima aromatase para converter esses androgênios em estrogênio. O folículo que melhor realizar essa conversão e tiver o ambiente mais estrogênico será o folículo dominante.

Feedback Hormonal (Freio e Acelerador)

O estrogênio faz um controle com a hipófise.

    ◦ Feedback Negativo: Quando o estrogênio está baixo, ele funciona como um "freio", segurando a liberação excessiva de hormônios enquanto o folículo cresce.

    ◦ Feedback Positivo: Quando o estrogênio ultrapassa 200 pg/ml por cerca de 50 horas, a hipófise entende que o folículo está pronto. Isso gera o pico de LH, que é o gatilho para a ovulação.

Ovulação e Fase Lútea

O pico de LH faz a meiose do óvulo ser retomada e causa a ovulação. O folículo vazio se transforma no corpo lúteo, que produz progesterona. A progesterona prepara o endométrio e aumenta a libido da mulher, estimulando o desejo sexual no período fértil.

Gravidez vs. Menstruação

Se houver fecundação o embrião produz HCG, que mantém o corpo lúteo ativo produzindo progesterona, e a mulher não menstrua. Se não houver fecundação o corpo lúteo atrofia, os níveis de progesterona caem drasticamente e o endométrio descama, gerando a menstruação. Assim termina um ciclo e o recrutamento para o próximo mês já começou nos bastidores.

Um ciclo saudável depende de nutrientes

A nutrição é fundamental para a saúde da mulher e para a fertilidade. Por exemplo, a insuficiência de minerais essenciais como ferro, zinco, cálcio, magnésio, selênio e iodo está associada a alterações hormonais, disfunção ovulatória, resposta endometrial subótima e consequente redução da fecundidade.

A nutrição é fundamental para a síntese e ação de hormônios reprodutivos (FSH, LH, estrogênios e progesterona), suporte antioxidante dos gametas e tecidos e integração com metabolismos como o da insulina e tiroide. Seu ciclo está uma bagunça? Marque uma consulta de nutrição para analisarmos sua dieta e fazermos os ajustes necessários.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/