É anemia ou inflamação?

A distinção entre anemia verdadeira e anemia associada a processos inflamatórios depende fundamentalmente da interpretação integrada dos marcadores hematológicos e metabólicos do ferro. A inflamação ativa eleva a hepcidina hepática, que reduz a liberação de ferro pelos macrófagos e diminui a absorção intestinal. O resultado é um quadro de ferro funcionalmente indisponível, mesmo quando os estoques totais estão preservados.

Avaliações essenciais incluem hemoglobina, VCM, RDW, ferritina, saturação de transferrina e proteína C reativa. A ferritina elevada com saturação de transferrina baixa sugere anemia de inflamação. A ferritina baixa com saturação reduzida caracteriza anemia por deficiência de ferro. O aumento isolado de RDW e a redução progressiva do VCM reforçam deficiência de ferro, enquanto valores normocíticos e normocrômicos predominam nos estados inflamatórios.

A hepcidina atua como marcador molecular central ao bloquear ferroportina. Em condições inflamatórias crônicas ocorre sequestro de ferro no sistema reticuloendotelial, limitando a eritropoese e reduzindo a resposta à eritropoietina. Na deficiência de ferro verdadeira há exaustão dos estoques medulares e queda absoluta da ferritina.

Em síntese, anemia por deficiência de ferro reflete carência real do metal. Anemia da inflamação reflete má distribuição induzida por citocinas. O diagnóstico diferencial preciso orienta terapias opostas: reposição de ferro quando há depleção verdadeira e controle do processo inflamatório quando a limitação é funcional.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Tipos de TDAH de acordo com Daniel Amen

O transtorno de déficit de atenção, com ou sem hiperatividade (TDAH) envolve alterações funcionais no córtex pré-frontal, cerebelo, giro do cíngulo anterior, lobos temporais, gânglios da base e sistema límbico profundo. Alterações nessas estruturas comprometem atenção, organização, memória, planejamento, controle inibitório, regulação emocional e processamento motivacional.

Impacto do TDAH no cotidiano

  • Rotinas prolongadas para tarefas simples

  • Bloqueio cognitivo na escrita

  • Reuniões escolares que descrevem crianças brilhantes, porém dispersas

  • Múltiplos lembretes necessários para atividades básicas

  • Procrastinação extrema

  • Atrasos recorrentes

  • Ambiente doméstico caoticamente desorganizado

  • Atenção instável em contextos sociais

  • Frustração parental acumulada

  • Comportamentos impulsivos em público

  • Interrupções constantes

  • Explosões emocionais com pouca provocação

Esse conjunto de experiências ilustra o impacto funcional real do TDAH, destacando a urgência de avaliação especializada e tratamento direcionado. No livro Healing ADHD (Curando o TDAH) o psiquiatra Daniel Amen, propõe a existência de 7 subtipos de transtorno de déficit de atenção, com ou sem hiperatividade.

Classificação dos Subtipos de TDAH

Tipo 1. TDAH Clássico
Padrão neurocognitivo caracterizado por desatenção persistente, distração fácil, desorganização funcional, inquietação motora, hiperatividade e impulsividade.

Tipo 2. TDAH Desatento
Predomínio de desatenção, distraibilidade elevada e desorganização. Frequentemente descrito como sonhador, lento, introspectivo e hipofuncional. Ausência de hiperatividade.

Tipo 3. TDAH Hiperfocado
Desatenção associada à dificuldade marcada de alternância atencional. Tendência a ciclos ruminativos, rigidez cognitiva, preocupação excessiva e comportamento opositor. Hiperatividade variável.

Tipo 4. TDAH do Lobo Temporal
Desatenção, distração, desorganização, irritabilidade, impaciência, pensamento negativo, instabilidade afetiva e possíveis dificuldades de aprendizagem. Hiperatividade variável.

Tipo 5. TDAH Límbico
Desatenção e distração acompanhadas de humor cronicamente deprimido, negatividade persistente, baixa energia, isolamento social e sentimentos recorrentes de desesperança. Hiperatividade variável.

Tipo 6. TDAH Anel de Fogo
Desatenção com elevada reatividade emocional, irritabilidade, hipersensibilidade e labilidade de humor. Tendência a comportamentos opositores. Hiperatividade variável.

Tipo 7. TDAH Ansioso
Desatenção associada à ansiedade elevada, tensão física, preocupação antecipatória, ansiedade social e sintomas somáticos relacionados ao estresse. Hiperatividade variável.

De acordo com Daniel Amen, conhecer o subtipo é fundamental para intervenções mais direcionadas e eficazes. Para chegar a esta classificação o médico avalia 4 aspectos:

  1. Biológico: genética, nutrição, exercício, saúde geral, sono.

  2. Psicológico: histórico de desenvolvimento, padrões de pensamento.

  3. Social: estressores, qualidade das relações.

  4. Espiritual: propósito, significado, motivação existencial.

Avaliação do Funcionamento Cerebral
Utilização de SPECT, EEG quantitativo e testes neuropsicológicos para análise de humor, ansiedade, habilidades sociais, atenção, memória, função executiva, velocidade de processamento, impulsividade e viés negativo. Questionários online substituem exame de imagem quando indisponível.

Conhecimento de Marcadores Fisiológicos
Monitoramento de antropometria, pressão arterial, glicemia, função tireoidiana e outros biomarcadores essenciais para desempenho cognitivo e energético. A combinação desses processos orienta um plano terapêutico preciso baseado nos quatro círculos: intervenções biológicas, psicológicas, sociais e espirituais.

Aumento da Reserva Cerebral
Priorização da saúde cerebral, eliminação de fatores tóxicos e manutenção sistemática de hábitos protetores como exercício, alimentação adequada, suplementação específica, aprendizagem contínua e manejo de estresse.

Tratamentos Comuns para Todos os Subtipos

Intervenções específicas podem melhorar marcadamente a função cerebral, evidenciadas por exames antes e depois. O objetivo do tratamento é remover barreiras, não alterar a identidade do indivíduo.

  1. Suplementação multivitamínica e mineral completa.

  2. Ingestão de óleo de peixe com predominância de EPA.

  3. Eliminação de cafeína e nicotina.

  4. Exercício diário por 30 a 45 minutos.

  5. Limitação rigorosa de telas a 30 minutos por dia.

  6. Alimentação com ênfase em proteínas e redução de carboidratos simples.

  7. Interação sem gritos para evitar reforço negativo mediado por dopamina.

  8. Triagem de dificuldades de aprendizagem, especialmente no subtipo 4.

  9. Continuidade da busca por ajuda profissional.

nutrição no tdah
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Jejum e cetogênica: como funcionam juntos e o que esperar

Você já deve ter ouvido que a dieta cetogênica imita o efeito do jejum no corpo. E é verdade! Quando você está ceto-adaptado, jejuar fica muito mais fácil e natural. Mas atenção: as reações do seu corpo variam dependendo de você ser um “queimador de gordura” (amigo do ceto) ou um “queimador de açúcar”.

O que acontece com o açúcar no sangue

Durante o jejum, é normal que a glicemia caia. Desde que esteja estável e acompanhada de cetonas suficientes, não há problema nenhum. É apenas o corpo usando o açúcar disponível e começando a queimar gordura.

  • Em jejum, é comum a glicemia ficar entre 3,3 e 3,9 mmol/L, podendo até cair um pouco mais.

  • É importante monitorar os níveis de açúcar, porque, em alguns dias, ele pode subir de novo. Isso indica que o corpo está catabólico, ou seja, quebrando músculos para produzir energia, e nesse caso é melhor interromper o jejum ou ajustar a estratégia.

Cetonemia: o combustível da queima de gordura

As cetonas aumentam naturalmente durante o jejum. Depois de alguns dias, podem passar de 1,7-3,2 mmol/L e se estabilizar em torno de 4-5 mmol/L. Isso mostra que o corpo está usando gordura armazenada de forma eficiente. É normal, saudável e é um mecanismo preventivo do organismo para manter energia.

A sensação de fome

Se o açúcar no sangue estiver estável e a produção de cetonas adequada, a fome pode desaparecer. O corpo consegue usar a gordura armazenada como combustível. Se ainda houver fome nas últimas horas do jejum, uma opção é o óleo TCM. Ele fornece energia rápida, ajuda na queima de gordura e tem pouco risco de armazenamento.

Oxidação de gordura: como saber se está queimando corretamente

Cada metabolismo é diferente, então não dá para prever exatamente quanto de gordura você vai queimar. Para garantir resultados:

  • Monitore o açúcar no sangue e a cetonemia.

  • Se a glicemia subir acima de 4,4-4,7 mmol/L (79,2 a 84,6 mg/dL), o corpo pode estar em gliconeogênese, ou seja, queimando músculos para produzir açúcar.

  • Nesse caso, duas opções: interromper o jejum temporariamente ou consumir mais gordura (como MCT) para estabilizar a glicemia.

Ouça sempre a sua fome. Se você consegue jejuar com facilidade, é sinal de que o corpo está adaptado. Caso contrário, é melhor parar e retomar em outro momento.

Jejum e cetogênica: uma dupla que funciona, mas não é obrigatória

Você pode alcançar seus objetivos de perda de gordura e saúde apenas com uma dieta cetogênica bem estruturada. O jejum é um recurso opcional que facilita a queima de gordura para quem já está ceto-adaptado.

Tipos de jejum intermitente

  1. 16:8: Jejum de 16 horas, janela de alimentação de 8 horas. Ideal para iniciantes.

  2. 5:2: Alimentação normal 5 dias, restrição calórica 2 dias. Bom para quem quer variar.

  3. Dias alternados: Alimentação normal em dias alternados e calorias mínimas nos outros. Mais extremo, requer acompanhamento profissional.

Quem deve ter cuidado

O jejum não é para todos. Pessoas com diabetes, problemas cardíacos, distúrbios alimentares ou certas condições médicas devem consultar um profissional antes de tentar qualquer protocolo. Mesmo dentro de métodos como TRE ou IF, o que funciona para um amigo pode não funcionar para você.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/