Transtorno alimentar x Comer transtornado

A diferença entre transtorno alimentar e comer transtornado está na gravidade e na regularidade dos sintomas.

Transtorno Alimentar

São condições psiquiátricas diagnosticáveis, caracterizadas por padrões persistentes e disfuncionais de alimentação que afetam a saúde física e mental. Exemplos incluem:

  • Anorexia Nervosa (restrição alimentar extrema, medo intenso de ganhar peso)

  • Bulimia Nervosa (episódios de compulsão alimentar seguidos de comportamentos compensatórios, como vômito ou uso de laxantes)

  • Transtorno da Compulsão Alimentar (comer grandes quantidades de comida em pouco tempo, sem controle e sem comportamentos compensatórios)

Comer Transtornado

Refere-se a comportamentos alimentares irregulares ou prejudiciais, mas sem critérios suficientes para um diagnóstico formal de transtorno alimentar. Exemplos incluem:

  • Pular refeições frequentemente

  • Comer por emoções (ansiedade, estresse, tédio)

  • Sentir culpa excessiva ao comer determinados alimentos

  • Ter padrões alimentares muito restritivos, mas sem atingir o nível clínico de anorexia

O comer transtornado pode ser um alerta para o desenvolvimento de um transtorno alimentar se não for tratado, mas por si só não é considerado uma doença mental. Aprenda mais no curso online Psiconutrição.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Avaliação de comportamentos alimentares disfuncionais

O questionário de 3 fatores ou Three-Factor Eating Questionnaire (TFEQ), desenvolvido por Stunkard e Messick em 1985, é um instrumento clássico para avaliar três dimensões de comportamentos alimentares disfuncionais, que podem estar associados à compulsão alimentar:

  1. Restrição Cognitiva (Restritivo)

  2. Comer Emocional (Emocional)

  3. Comer Externo (Externo)

O questionário original contém 51 itens (TFEQ-51), mas há versões reduzidas, como o TFEQ-R18 e TFEQ-R21. Abaixo, apresento uma versão simplificada com exemplos representativos de cada fator (usada para fins educativos, triagem ou estudo preliminar):

Mini TFEQ – Versão Simplificada por Fatores

Instruções: Responda cada item com Verdadeiro (V) ou Falso (F).

🔹 FATOR 1 – Restrição Cognitiva (Controle do que come para manter ou perder peso)

  1. Eu conscientemente evito certos alimentos para não ganhar peso.

  2. Tento não comer entre as refeições para controlar meu peso.

  3. Recuso comida mesmo quando estou com fome para manter minha dieta.

  4. Planejo com antecedência o que vou comer para evitar exageros.

  5. Me sinto culpado(a) quando como algo que considero “proibido”.

🔹 FATOR 2 – Comer Emocional (Comer em resposta a emoções negativas)

  1. Quando me sinto ansioso(a), tenho vontade de comer.

  2. Como mais do que o normal quando estou estressado(a) ou deprimido(a).

  3. A comida me conforta quando estou triste ou solitário(a).

  4. Em situações emocionais difíceis, comer me ajuda a lidar melhor.

  5. Frequentemente como para aliviar sentimentos ruins.

🔹 FATOR 3 – Comer Externo (Comer em resposta a estímulos ambientais, não à fome)

  1. Sinto vontade de comer quando vejo outras pessoas comendo.

  2. Tenho dificuldade em resistir à comida quando ela está visível.

  3. A presença de comida saborosa me faz comer mesmo sem fome.

  4. Quando sinto cheiro de comida, tenho vontade de comer imediatamente.

  5. Costumo comer mais quando estou assistindo TV ou distraído(a).

📊 Interpretação (simplificada):

  • Para cada fator, conte o número de respostas "Verdadeiro".

  • Quanto maior a pontuação, maior a tendência ao comportamento disfuncional correspondente.

Além deste questionário é feita uma avaliação profissional, por meio de entrevista. O questionário serve apenas como ferramenta educativa ou preliminar para pesquisa/compreensão pessoal. Se os resultados indicarem comportamentos frequentes em qualquer fator, pode ser útil conversar com um psicólogo ou nutricionista especializado. Aprenda mais no curso psiconutrição.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Entrevista motivacional no tratamento dos transtornos alimentares

A entrevista motivacional (EM) é uma abordagem centrada no paciente que visa aumentar a motivação interna para a mudança de comportamento. No contexto do tratamento dos transtornos alimentares — como anorexia nervosa, bulimia nervosa e transtorno da compulsão alimentar periódica — a EM tem se mostrado uma ferramenta eficaz, especialmente nas fases iniciais do tratamento, quando a resistência à mudança costuma ser elevada.

O que é a Entrevista Motivacional?

Desenvolvida por William Miller e Stephen Rollnick, a entrevista motivacional é uma abordagem colaborativa, empática e orientada por objetivos. O foco é ajudar a pessoa a explorar e resolver sua ambivalência em relação à mudança.

Aplicações nos Transtornos Alimentares

1. Redução da resistência

Pessoas com transtornos alimentares muitas vezes não reconhecem o problema ou não querem mudar. A EM cria um espaço seguro para explorar esses sentimentos sem julgamento.

2. Promoção da motivação intrínseca

Ao invés de impor mudanças, a EM ajuda o paciente a descobrir razões pessoais para mudar, o que é crucial para adesão ao tratamento.

3. Fases do comportamento alimentar

Pode ser adaptada às diferentes fases do transtorno:

  • Pré-contemplação: quando o paciente ainda não reconhece o problema.

  • Contemplação: começa a considerar a mudança.

  • Preparação, ação e manutenção: EM ajuda a fortalecer e sustentar a decisão de mudar.

Técnicas fundamentais da EM (resumidas pelo acrônimo OARS)

  • OPerguntas abertas: “O que te preocupa em relação ao seu comportamento alimentar?”

  • AAfirmações: “É admirável que você esteja aqui procurando ajuda.”

  • RReflexões: “Você se sente dividida entre querer manter o controle e cuidar da sua saúde.”

  • SResumos: Integra o que foi discutido e reforça o progresso.

Evidências de eficácia

Pesquisas indicam que a EM pode:

  • Melhorar o engajamento no tratamento.

  • Reduzir comportamentos alimentares desordenados.

  • Aumentar a aceitação de abordagens nutricionais e psicoterapêuticas subsequentes.

É particularmente útil antes ou em paralelo com terapias como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou terapia familiar.

Exemplo prático (diálogo simplificado)

Terapeuta: “O que te trouxe até aqui hoje?”
Paciente: “Minha família acha que estou muito magra, mas eu me sinto bem assim.”
Terapeuta: “Você está aqui porque se importa com a opinião deles, mas ainda sente que sua forma atual está certa para você.”
Paciente: “Sim… parte de mim sabe que algo está errado, mas mudar me assusta.”

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/