Possíveis mecanismos antidepressivos do Ômega-3

A imagem a seguir apresenta um diagrama que explica os possíveis mecanismos antidepressivos dos ácidos graxos poli-insaturados ômega-3 (PUFAs) no sistema nervoso central. O centro do diagrama destaca os efeitos diretos dos ômega-3, enquanto os círculos ao redor mostram como esses efeitos interagem com diferentes processos neurológicos.

  1. Ômega-3 PUFAs (Centro)

    • Afetam a fluidez da membrana celular.

    • Regulam a atividade de proteínas de membrana.

    • Influenciam a montagem de complexos de proteínas e lipídios.

  2. Neuroinflamação

    • Produzem metabólitos anti-inflamatórios (maresinas, protectinas, resolvinas).

    • Atuam em receptores de membrana ou intracelulares (GPR120, PPAR-γ, TLR-4).

    • Modulam a fagocitose de micróglia, exocitose neuroendócrina e liberação de neurotransmissores.

  3. Estresse Oxidativo

    • Aumentam a resistência celular ao estresse.

    • Melhoram a capacidade antioxidante.

    • Alteram o perfil lipídico e previnem a peroxidação lipídica.

  4. Eixo Neuroendócrino (HPA)

    • Regulam a atividade de moléculas sinalizadoras (NF-κB, JNK, p38MAPK).

    • Modulam os níveis de neurotransmissores e hormônios (5-HT, DP, NE, eCBs, GC, hormônios femininos).

  5. Sistema de Neurotransmissores

    • Influenciam a expressão gênica de fatores como BDNF, COX-2, CREB, PPAR, Nrf2, TNF-α, IL-1β.

    • Regulam a plasticidade neural e sináptica.

  6. Neuroplasticidade e Sinapses

    • Afetam a proliferação, diferenciação, crescimento, senescência e apoptose celular.

    • Impactam processos ligados à neurodegeneração.

  7. Neurodegeneração

    • Relacionada à neuroinflamação, estresse oxidativo e redução da plasticidade neuronal.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Vitamina D e autismo

A relação entre os níveis de vitamina D e o transtorno do espectro autista (TEA) é apoiada por vários estudos que destacam o impacto potencial da deficiência de vitamina D no desenvolvimento e na gravidade do TEA. Aqui estão as principais descobertas:

Em 2010, já se discutia a possibilidade de que a carência dessa vitamina pudesse estar associada ao aumento da incidência do autismo na população, e estudos recentes parecem confirmar essa hipótese (5,6, 7).

Funções da Vitamina D e Seu Papel no Cérebro

A vitamina D é essencial para várias funções no organismo, como a absorção de cálcio, a proteção do material genético e a regulação da expressão de genes. Estudos indicam que sua deficiência aumenta o risco de diversas doenças, incluindo câncer de mama, doenças autoimunes, asma, doenças cardiovasculares, Alzheimer, Parkinson e obesidade (8).

Além disso, hoje sabemos que a vitamina D atua como um esteroide neuroativo, influenciando o desenvolvimento e a função cerebral. Ela é essencial para a mielinização dos neurônios e a formação de conexões entre eles (7).

Acredita-se que a vitamina D influencie o desenvolvimento e a função do cérebro por meio de vários mecanismos, incluindo modulação do sistema imunológico, ação antioxidante, regulação genética, redução da neuroinflamação (3,4).

Vitamina D e Autismo: A Conexão Científica

Pesquisas revelam que polimorfismos nos genes dos receptores de vitamina D (VDR) são mais comuns em crianças com TEA. Em um estudo com 480 crianças (237 com TEA e 243 neurotípicas), observou-se que esses polimorfismos estavam mais presentes no grupo autista, sugerindo que a vitamina D pode desempenhar um papel na patofisiologia do transtorno (9).

Um estudo envolvendo 1.529 crianças e adolescentes com TEA descobriu que aproximadamente 95% tinham deficiência ou insuficiência de vitamina D. Notavelmente, adolescentes de 11 a 18 anos exibiram níveis significativamente mais baixos de 25-hidroxivitamina D sérica em comparação com crianças mais novas (2).

Além disso, níveis reduzidos de vitamina D estão correlacionados com mais sintomas do autismo, avaliados por escalas como CARS e ABC. A suplementação da vitamina tem demonstrado benefícios na redução desses sintomas, especialmente em crianças pequenas (10)).

Suplementação de Vitamina D e Prevenção do Autismo

Vários estudos sugerem que o baixo status de vitamina D durante o desenvolvimento inicial pode ser um fator de risco ambiental para TEA. Por exemplo, pesquisas indicam que a deficiência de vitamina D na gravidez e na primeira infância pode levar à ocorrência de TEA (1).

Alguns estudos indicaram que a suplementação de vitamina D pode melhorar os sintomas do TEA, embora os mecanismos subjacentes permaneçam obscuros. Isso sugere uma via terapêutica potencial para gerenciar os sintomas do TEA por meio da intervenção com vitamina D (1).

Estudos indicam que a administração de vitamina D pode reduzir a incidência do TEA. Algumas recomendações incluem:

  • Crianças com autismo: 1.000 UI/dia até os 3 anos de idade ou cálculo por quilo de peso (300 UI/kg)

  • Mulheres que já possuem um filho com TEA: 5.000 UI/dia durante a gestação.

  • Recém-nascidos de mães com histórico de TEA na família: suplementação de 1.000 UI/dia até os 3 anos de idade. Outros estudos mostram doses maiores (2.000 UI)

Essa abordagem mostrou uma redução significativa no risco do transtorno, reduzindo a incidência de 20% para apenas 5% em famílias com histórico de TEA (11).

Evidências de Estudos Meta-Analíticos

Uma revisão abrangente analisou 34 estudos envolvendo 20.580 participantes. Os resultados indicaram que crianças e adolescentes com TEA apresentavam níveis significativamente mais baixos de vitamina D em comparação com grupos controle. Além disso, uma análise de 10 estudos revelou que a deficiência dessa vitamina aumenta em mais de cinco vezes o risco de desenvolver TEA (OR: 5.23, IC: 3.13-8.73, p < 0.0001).

Pesquisas também sugerem que baixos níveis maternos ou neonatais de vitamina D elevam em 54% a probabilidade de desenvolvimento de TEA (OR: 1.54, IC: 1.12-2.10, p = 0.0071). Esses achados reforçam a necessidade de monitoramento e intervenção precoce (12).

Referências:

1) J Wang et al. Research Progress on the Role of Vitamin D in Autism Spectrum Disorder. Frontiers in behavioral neuroscience (2022). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35619598/

2) E Şengenç et al. Vitamin D levels in children and adolescents with autism. The Journal of international medical research (2020). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32668174/

3) XY Duan et al. [Relationship between vitamin D and autism spectrum disorder]. Zhongguo dang dai er ke za zhi = Chinese journal of contemporary pediatrics (2013). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23965890/

4) L Alzghoul et al. Role of Vitamin D in Autism Spectrum Disorder. Current pharmaceutical design (2019). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31755381/

5) Kittana, M.; Ahmadani, A.; Stojanovska, L.; Attlee, A. The Role of Vitamin D Supplementation in Children with Autism Spectrum Disorder: A Narrative Review. Nutrients 2022, 14, 26. https://doi.org/10.3390/nu14010026

6) Kinney DK, Barch DH, Chayka B, Napoleon S, Munir KM. Environmental risk factors for autism: do they help cause de novo genetic mutations that contribute to the disorder? Med Hypotheses. 2010 Jan;74(1):102-6. doi: 10.1016/j.mehy.2009.07.052. Epub 2009 Aug 21. PMID: 19699591; PMCID: PMC2788022.

7) Wang T, Shan L, Du L, Feng J, Xu Z, Staal WG, Jia F. Serum concentration of 25-hydroxyvitamin D in autism spectrum disorder: a systematic review and meta-analysis. Eur Child Adolesc Psychiatry. 2016 Apr;25(4):341-50. doi: 10.1007/s00787-015-0786-1. Epub 2015 Oct 29. PMID: 26514973.

8) Muscogiuri G, Altieri B, Annweiler C, Balercia G, Pal HB, Boucher BJ, Cannell JJ, Foresta C, Grübler MR, Kotsa K, Mascitelli L, März W, Orio F, Pilz S, Tirabassi G, Colao A. Vitamin D and chronic diseases: the current state of the art. Arch Toxicol. 2017 Jan;91(1):97-107. doi: 10.1007/s00204-016-1804-x. Epub 2016 Jul 18. PMID: 27425218.

9) Coşkun S, Şimşek Ş, Camkurt MA, Çim A, Çelik SB. Association of polymorphisms in the vitamin D receptor gene and serum 25-hydroxyvitamin D levels in children with autism spectrum disorder. Gene. 2016 Aug 22;588(2):109-14. doi: 10.1016/j.gene.2016.05.004. Epub 2016 May 4. PMID: 27155524.

10) Feng, J., Shan, L., Du, L., Wang, B., Li, H., Wang, W., … Jia, F. (2016). Clinical improvement following vitamin D3 supplementation in Autism Spectrum Disorder. Nutritional Neuroscience, 20(5), 284–290. https://doi.org/10.1080/1028415X.2015.1123847

11) Stubbs G, Henley K, Green J. Autism: Will vitamin D supplementation during pregnancy and early childhood reduce the recurrence rate of autism in newborn siblings? Med Hypotheses. 2016 Mar;88:74-8. doi: 10.1016/j.mehy.2016.01.015. Epub 2016 Feb 2. PMID: 26880644.

12) Wang Z, Ding R, Wang J. The Association between Vitamin D Status and Autism Spectrum Disorder (ASD): A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients. 2020 Dec 29;13(1):86. doi: 10.3390/nu13010086. PMID: 33383952; PMCID: PMC7824115.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Vitamina D e a proteção do cérebro

A vitamina D tem um papel importante na prevenção e tratamento da depressão. Regula proteínas transportadores de cálcio e a calbidina, reduzindo níveis excessivos de Ca²⁺, o que previne sua toxicidade. A vitamina D também ativa o fator de transcrição NRF-2, que estimula antioxidantes e reduz o estresse oxidativo.

A vitamina D também desempenha um papel importante na regulação da síntese de serotonina por meio da modulação da triptofano hidroxilase (TPH), a enzima responsável pela conversão do triptofano em 5-hidroxitriptofano, que é um precursor da serotonina.

Especificamente:

  • A vitamina D aumenta a expressão da triptofano hidroxilase 2 (TPH2), que é a isoforma predominante no sistema nervoso central (SNC). Isso favorece a síntese de serotonina no cérebro, o que pode estar relacionado à melhora do humor e à redução do risco de transtornos como a depressão.

  • Ao mesmo tempo, a vitamina D reprime a expressão da triptofano hidroxilase 1 (TPH1), que é a isoforma predominante em tecidos periféricos como o trato gastrointestinal e o sistema imunológico. Isso pode ser benéfico, pois níveis elevados de serotonina periférica estão associados a inflamação e outras condições adversas.

Essa regulação ocorre porque o receptor de vitamina D (VDR) pode se ligar a elementos regulatórios no DNA e modular a transcrição dos genes TPH1 e TPH2. Isso sugere um papel crucial da vitamina D no equilíbrio da serotonina, impactando tanto a saúde mental quanto a resposta imunológica. Aprenda mais sobre nutrição e cérebro na plataforma https://t21.video.

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