Importância da colina

A colina é uma vitamina essencial para todas as células. É necessária para a síntese de fosfatidilcolina e esfingomielina, que são os principais componentes da membrana plasmática. A colina também é um precursor do neurotransmissor acetilcolina e, por isso, existem transportadores (CTL) de colina por todo o sistema nervoso.

TRANSPORTADORES DE COLINA NA BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA - INAZU, 2019

A colina é doadora de betaína, que está envolvida em várias funções biológicas importantes, como metilação. Betaína também é substrato para DNA e histona metiltransferases, e é, portanto, necessária para o estabelecimento e manutenção do epigenoma.

A betaína está envolvida, por exemplo, na regulação da concentração de homocisteína no sangue. Assim, a adequada ingestão de colina pode beneficiar a saúde cardiovascular ao reduzir a homocisteína no sangue.

VIA METABÓLICA DA COLINA (CICLO DE KENNEDY) - INAZU, 2019

Deficiência de colina

A síntese de colina de novo em humanos não é suficiente para atender às necessidades metabólicas; portanto, a ingestão de colina da dieta é necessária. Boas fontes alimentares de colina incluem ovos, carne, aves, peixes, vegetais crucíferos, amendoim e laticínios.

A deficiência de colina causa deposição anormal de gordura no fígado, o que resulta em uma condição chamada doença hepática gordurosa não alcoólica. Em algumas pessoas, a deficiência de colina causa danos musculares. Variantes genéticas, sexo e estado hormonal influenciam as necessidades individuais e, portanto, a suscetibilidade à doença hepática gordurosa induzida por deficiência de colina.

Para adultos, a ingestão recomendada é de 425 miligramas (mg)/dia para mulheres e 550 mg/dia para homens. A necessidade de colina provavelmente aumenta durante a gravidez. As recomendações de ingestão alimentar aumentam durante a gravidez para 450 mg/dia e durante a lactação para 550 mg/dia.

Estudos em animais mostraram que a colina é essencial para o desenvolvimento ideal do cérebro e influencia a função cognitiva na vida adulta. No entanto, mais estudos em humanos são necessários para afirmar que a suplementação de colina durante a gravidez melhora o desempenho cognitivo na prole ou que a suplementação de colina ajuda a prevenir o declínio cognitivo em pessoas mais velhas.

Embora os resultados dos estudos de intervenção sejam mistos, algumas evidências sugerem que o tratamento com citicolina (um derivado da colina) pode ser útil para melhorar a função da retina em alguns pacientes com glaucoma. A citicolina também foi estudada como um tratamento potencial para limitar os danos neurológicos em pacientes que sofreram derrame ou lesão cerebral traumática.

CUIDADOS NA SUPLEMENTAÇÃO DE COLINA

O excesso de colina, associa-se a concentrações sanguíneas elevadas de trimetilamina N-óxido (TMAO) e associa-se a maior risco de eventos cardiovasculares em alguns estudos observacionais.

O consumo excessivo de colina tem sido associado à maior sudorese, odor corporal de peixe e efeitos colaterais gastrointestinais. O nível de ingestão superior tolerável (UL) para adultos é de 3.500 mg/dia.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Saúde e aparência da pele

A saúde e aparência da pele são influenciadas por uma variedade de fatores biológicos, incluindo:

  • Genética: A predisposição genética influencia a produção de melanina, a espessura da pele e a tendência a desenvolver certas condições, como a rosácea. Pessoas com pigmentação mais escura têm maior tolerância ao sol, enquanto aquelas com histórico familiar de câncer de pele, mesmo sem exposição solar, podem ter maior risco de desenvolver a doença.

  • Hormônios: Hormônios como testosterona e estrogênio, produzidos em parte pela pele, afetam a produção de sebo e a proliferação celular nos folículos capilares. Desequilíbrios hormonais, como os observados na síndrome do ovário policístico, podem levar ao aumento da acne.

  • Sistema imunológico: A pele e o sistema imunológico estão intimamente ligados. A inflamação, um componente chave da resposta imune, desempenha um papel significativo em condições como acne, rosácea e psoríase. Doenças autoimunes também podem se manifestar em problemas de pele.

  • Microbioma intestinal: Um microbioma intestinal saudável, influenciado pela dieta e pelo consumo de alimentos fermentados, contribui para a redução da inflamação sistêmica, beneficiando a saúde e aparência da pele.

  • Colágeno e Elastina: Essas proteínas fornecem elasticidade e estrutura à pele. A degradação do colágeno, causada pela exposição solar e pelo envelhecimento, leva a rugas e flacidez.

  • Hidratação: A água é essencial para manter a pele hidratada, com aparência viçosa e suave. A desidratação pode resultar em pele seca, opaca e com aparência envelhecida.

Outros fatores biológicos que influenciam a saúde da pele:

  • Exposição ao sol: A radiação UV do sol pode causar mutações no DNA das células da pele, levando ao câncer de pele e ao envelhecimento prematuro. A exposição moderada ao sol é importante para a produção de vitamina D e outros hormônios, mas a proteção solar é crucial.

  • Níveis de estresse: O estresse crônico eleva os níveis de cortisol e adrenalina, o que pode levar à vasoconstrição, inflamação e envelhecimento da pele.

  • Sono: O sono adequado é essencial para a reparação e regeneração celular, incluindo as células da pele. A privação do sono pode resultar em pele opaca, com olheiras e aparência envelhecida.

  • Dieta: Uma dieta rica em alimentos processados, açucarados e gordurosos aumenta a inflamação e pode agravar condições como acne e psoríase. Uma dieta rica em frutas, legumes, verduras e alimentos ricos em colágeno promove a saúde da pele.

  • Consumo de álcool e tabaco: O álcool e o tabaco aumentam a inflamação, prejudicam a produção de colágeno e reduzem o fluxo sanguíneo para a pele, acelerando o envelhecimento.

Compreender esses fatores biológicos e seus impactos na pele pode ajudar na tomada de decisões informadas sobre cuidados com a pele, estilo de vida e tratamentos para promover a saúde e aparência da pele.

E vários tratamentos comprovados e métodos de prevenção que podem melhorar a saúde da pele. Aqui estão alguns dos destaques:

● EVITAR Exposição solar excessiva: Embora alguma exposição ao sol seja boa para a produção de vitamina D e saúde geral, a exposição excessiva ao sol pode causar cancro de pele e acelerar o envelhecimento da pele. É crucial encontrar um equilíbrio e proteger a pele do sol usando barreiras físicas como roupas, chapéus e protetor solar.

● Protetor solar: Existem dois tipos principais de protetores solares: protetores solares orgânicos (químicos) e protetores solares inorgânicos (à base de minerais). Os protetores solares à base de minerais, que contêm óxido de zinco e/ou dióxido de titânio, são geralmente considerados mais seguros, especialmente para crianças pequenas. Os protetores solares químicos geraram algumas preocupações sobre potenciais disruptores endócrinos.

● Colágeno hidrolisado: A suplementação com colágeno hidrolisado, particularmente em combinação com vitamina C, demonstrou melhorar a composição do colágeno na pele, resultando em menos rugas, menos flacidez da pele e uma aparência mais jovem. O colágeno também pode ser obtido de fontes alimentares como caldo de osso.

● Niacinamida: A suplementação com niacinamida, uma forma de vitamina B3, pode aumentar a produção de ceramidas, o que melhora a hidratação da pele. Também pode reduzir a inflamação da pele, equilibrar a produção de óleo e reduzir o aparecimento de poros dilatados e manchas hiperpigmentadas. A niacinamida pode ser tomada por via oral ou aplicada topicamente (uso na pele).

● Ácido hialurônico: O ácido hialurônico é um componente natural da pele que ajuda a reter a umidade. Suplementos ou produtos tópicos contendo ácido hialurônico podem ajudar a manter a pele hidratada e com aparência jovem.

● Retinóides: Retinóides, como retinol e tretinoína, são derivados da vitamina A que podem estimular a produção de colágeno e promover o crescimento de nova pele. Eles podem ser altamente eficazes para melhorar a aparência jovem da pele, mas devem ser usados com cautela, pois podem aumentar a sensibilidade ao sol. As mulheres grávidas ou amamentando devem evitar retinóides.

● Fototerapia: A fototerapia, usando luz vermelha e infravermelha próxima, pode melhorar a saúde e a aparência da pele, reduzindo a inflamação, melhorando a função mitocondrial e aumentando o fluxo sanguíneo. Converse com um dermatologista sobre a principal solução para seu caso.

● Nutrição: Uma dieta pobre em alimentos ultraprocessados e açucarados e rica em alimentos anti-inflamatórios, como frutas, vegetais, peixes gordurosos e nozes melhora a saúde da pele. Tudo sobre nutrição e estética aqui.

● Microbioma intestinal: Um microbioma intestinal saudável está ligado à redução da inflamação e à melhora da saúde da pele. Promova um microbioma intestinal saudável consumindo alimentos ricos em fibras, como frutas, vegetais e grãos integrais, e incluindo alimentos fermentados de baixo teor de açúcar como kimchi e chucrute na sua dieta. Aprenda aqui a tratar a disbiose intestinal.

● Estilo de vida: Sono adequado, redução do estresse, hidratação adequada e evitar fumar e consumo excessivo de álcool são essenciais para a saúde e aparência da pele.

Embora estes tratamentos e métodos de prevenção comprovados possam melhorar significativamente a saúde da pele, lembre que continuaremos envelhecendo e é importante fazer as pazes com isto.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Demora no diagnóstico da esclerose múltipla

O diagnóstico de esclerose múltipla (EM) pode levar vários anos devido à complexidade da doença, aos sintomas variados e à falta de exames específicos e imediatos para sua confirmação. O tempo médio para o diagnóstico da EM geralmente varia entre 3 e 5 anos, mas em alguns casos pode ser mais longo (10 anos ou mais). Esse atraso tem várias implicações, tanto para o paciente quanto para o tratamento e manejo da doença.

Fatores que contribuem para o atraso no diagnóstico

  1. Sintomas iniciais variáveis e sutis: Nos primeiros estágios da esclerose múltipla, os sintomas podem ser leves, passageiros e semelhantes a outros problemas neurológicos. A pessoa pode experienciar fadiga, dificuldade de visão, dormência ou formigamento em partes do corpo, mas esses sintomas podem ser temporários e muitas vezes são confundidos com outras condições, como a síndrome do túnel do carpo, neuropatia ou até estresse.

  2. Episódios de surto e remissão: A EM é caracterizada por surtos (exacerbações dos sintomas) seguidos de períodos de remissão (quando os sintomas melhoram ou desaparecem). Essa natureza intermitente pode dificultar a identificação da doença, pois os sintomas podem melhorar temporariamente, o que leva a um diagnóstico errôneo ou atraso na investigação.

  3. Falta de exames específicos: Não há um único exame diagnóstico para a esclerose múltipla. O diagnóstico é feito com base em uma combinação de exames clínicos, históricos médicos e exames de imagem, como a ressonância magnética (RM) e a análise do líquor (líquido cerebroespinhal). Em muitos casos, a doença pode não ser evidente nas primeiras imagens de ressonância magnética, levando a mais testes e investigação para confirmar a EM.

  4. Diferenciação com outras condições: A EM pode ser confundida com outras doenças neurológicas que apresentam sintomas semelhantes, como doenças vasculares (AVC), doenças autoimunes, infecções ou outras condições neurológicas. Isso pode prolongar o diagnóstico, pois os médicos podem investigar várias possibilidades antes de considerar a esclerose múltipla.

Implicações do atraso no diagnóstico

  1. Tratamento tardio: O tratamento precoce é fundamental para retardar a progressão da doença e controlar os surtos. O uso de medicamentos modificadores da doença (DMTs) pode reduzir a frequência e a gravidade dos surtos, além de prevenir danos permanentes ao sistema nervoso. Quando o diagnóstico é feito tardiamente, a pessoa pode ter mais danos cerebrais e medulares, o que pode resultar em sintomas mais graves e maior dificuldade de tratamento.

  2. Dano progressivo: Como a esclerose múltipla pode causar danos cumulativos ao longo do tempo, o atraso no diagnóstico pode levar a um aumento do risco de deficiência permanente. A doença pode afetar o movimento, a coordenação, a fala e outras funções essenciais. Diagnosticar a EM precocemente permite iniciar tratamentos que podem retardar ou prevenir esse dano progressivo.

  3. Impacto psicológico e emocional: A incerteza e a falta de diagnóstico claro podem ser emocionalmente desgastantes para os pacientes. A frustração com a demora no diagnóstico, o medo do desconhecido e a ansiedade sobre a progressão da doença podem afetar a qualidade de vida do paciente. Além disso, os sintomas variáveis e imprevisíveis podem gerar estresse adicional.

  4. Planejamento de vida e adaptação: Quando a esclerose múltipla não é diagnosticada a tempo, pode ser difícil para o paciente planejar o futuro, tanto no aspecto profissional quanto pessoal. A doença pode afetar a capacidade de trabalho, a vida social e os relacionamentos, e um diagnóstico precoce permite que o paciente tome decisões sobre tratamento, modificações de estilo de vida e suporte emocional.

Atendi uma paciente que teve dois surtos que foram confundidos com AVC

O surto de esclerose múltipla (EM) e o acidente vascular cerebral (AVC) podem ser confundidos devido a algumas semelhanças nos sintomas e na forma como afetam o sistema nervoso central.

Tanto a esclerose múltipla quanto o AVC podem causar sintomas neurológicos semelhantes, como fraqueza muscular, perda de equilíbrio, dificuldade de fala, visão turva ou embaçada, e paralisia de membros. Esses sintomas são frequentemente associados a problemas no cérebro e podem ser confundidos, especialmente em situações de surto de EM, onde os sintomas podem aparecer de forma abrupta, como no AVC.

No caso da minha paciente, teve paralisia do braço direito e foi encaminhada ao neurologista para averiguação. Nestes casos, o neurologista precisa mesmo descartar um AVC. Isto é importante. O Acidente Vascular Cerebral é uma emergência médica e, se não for tratado de forma rápida e eficaz, pode levar a consequências graves, algumas das quais podem ser permanentes. As implicações (dano cerebral irreversível, paralisia, fraqueza muscular etc) de não tratar um AVC dependem do tipo de AVC (isquêmico ou hemorrágico), da área do cérebro afetada e do tempo decorrido desde o início dos sintomas. Só depois de descartar o AVC outras questões são investigadas, como neuropatia por diabetes, intoxicação, doenças autoimunes etc.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/