Síndrome da fadiga crônica

Herpes, covid (inflamação aguda), inflamação crônica de baixo grau, estresse crônico, trabalho excessivo, falta de descanso, sono irregular, estresse pós-traumático, trabalho por turnos, são alguns dos gatilhos para a síndrome da fadiga crônica.

A Síndrome da Fadiga Crônica (SFC) é uma condição complexa e debilitante, caracterizada por uma fadiga intensa e persistente que não melhora com o descanso e que dura por mais de seis meses. Os sintomas podem variar bastante entre os indivíduos, mas os mais comuns incluem:

  1. Fadiga extrema: A fadiga não é aliviada pelo descanso e afeta significativamente a capacidade de realizar atividades diárias. É uma fadiga profunda e muitas vezes incapacitante.

  2. Dores musculares e articulares: Muitas pessoas com SFC experimentam dores no corpo, incluindo dor muscular e nas articulações, sem sinais de inflamação.

  3. Problemas de sono: Insônia ou sono não restaurador (mesmo após uma noite de sono, a pessoa ainda se sente cansada).

  4. Dor de garganta e gânglios inchados: Algumas pessoas podem ter dor de garganta frequente ou gânglios linfáticos inchados, mesmo sem sinais de infecção.

  5. Dores de cabeça: Comuns em indivíduos com SFC, variando de dor de cabeça leve a severa.

  6. Sensibilidade aumentada: Maior sensibilidade à luz, som e outros estímulos sensoriais.

  7. Mal-estar pós-exercício: A síndrome é frequentemente acompanhada de uma sensação de piora da condição após esforço físico ou mental, o que é conhecido como "piora pós-esforço" (post-exertional malaise, PEM). Esse mal-estar pode durar dias ou semanas após a atividade.

  8. Sintomas digestivos: Algumas pessoas com SFC experimentam sintomas como náuseas, dor abdominal e outros problemas gastrointestinais, ligados à disbiose intestinal.

  9. Alterações no sistema imunológico: Pode haver sinais de um sistema imunológico enfraquecido, como infecções frequentes ou dificuldades em se recuperar de infecções comuns.

  10. Dificuldade de concentração e memória: Conhecido como "névoa cerebral", isso inclui dificuldade para lembrar de coisas ou para se concentrar em tarefas simples.

Alterações do eixo HPA e Síndrome da Fadiga Crônica

A redução da atividade do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) durante processos inflamatórios está ligada à forma como o corpo responde ao estresse e à inflamação. Vou explicar os mecanismos envolvidos e como isso pode se relacionar com a síndrome da fadiga crônica (SFC), bem como os potenciais tratamentos com dieta e adaptógenos.

Por que a inflamação reduz o eixo HPA?

1) Resposta imunológica e citocinas inflamatórias

Durante inflamações, o corpo libera citocinas como IL-6, IL-1β e TNF-α. Essas moléculas sinalizam ao hipotálamo e podem modular negativamente o eixo HPA, reduzindo a liberação de cortisol, que é o principal hormônio produzido pelo HPA. A redução de cortisol pode ser paradoxal porque, em condições normais, ele ajuda a controlar a inflamação.

2) Regulação negativa do feedback

Quando a inflamação é crônica, o sistema de feedback do eixo HPA (onde altos níveis de cortisol deveriam suprimir a inflamação) pode ficar desregulado. Isso pode levar a uma menor capacidade do HPA de responder ao estresse.

3) Fadiga e exaustão do HPA

Em doenças como a SFC, é comum observar um eixo HPA hipoativo, muitas vezes associado ao desgaste do sistema devido a inflamações crônicas ou estresses prolongados.

Tratamento com dieta e adaptógenos

Dieta

  1. Anti-inflamatória: Tirar o que está fazendo a pessoa ficar inflamada, como açúcar, fast food, carboidratos refinados, glúten. Incluir:

    • Alimentos ricos em antioxidantes: Frutas vermelhas, folhas verdes escuras, açafrão (curcumina) e gengibre ajudam a combater inflamações.

    • Ácidos graxos ômega-3: Presentes em peixes gordurosos, sementes de linhaça e chia, ajudam na modulação inflamatória.

  2. Melhora do microbioma intestinal: aumentar o consumo de fibras e alimentos fermentados. Também podem ser usados suplementos.

    • Prebióticos: Alimentos ricos em fibras (banana verde, aspargos, alho).

    • Probióticos: Lactobacillus e Bifidobacterium podem melhorar sintomas gastrointestinais associados.

  3. Suporte energético: Usar gorduras saudáveis (abacate, azeite), proteínas magras e carboidratos complexos. Marque sua consulta de nutrição para individualização.

Adaptógenos

São substâncias naturais que ajudam o corpo a lidar com o estresse, equilibrando o eixo HPA. Exemplos incluem:

  1. Ashwagandha:

    • Reduz níveis de cortisol.

    • Ajuda a melhorar energia e sono.

  2. Rhodiola rosea:

    • Melhora a resistência ao estresse e reduz a fadiga mental.

  3. Panax ginseng:

    • Estimula energia e clareza mental, além de ter propriedades anti-inflamatórias.

  4. Maca peruana:

    • Regula o equilíbrio hormonal e pode aliviar a sensação de exaustão.

  5. Reishi (Ganoderma lucidum):

    • Fungos medicinais conhecidos por suas propriedades imuno-reguladoras.

Outros hábitos complementares:

  • Exercícios leves: Caminhadas curtas ou yoga podem ajudar sem agravar os sintomas.

  • Higiene do sono: Estabelecer rotinas para um sono mais profundo e reparador.

  • Mindfulness e meditação: Reduzem o impacto do estresse crônico.

Uma abordagem integrada envolvendo dieta anti-inflamatória e uso de adaptógenos pode ajudar na modulação do eixo HPA e na redução dos sintomas, mas é importante consultar um médico ou nutricionista especializado.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Irisina e miostatina: efeitos na saúde

Exercina e miostatina são proteínas com papéis contrastantes no metabolismo e no controle do crescimento muscular. Vamos entender cada uma delas:

Exercina (Irisina)

Também conhecida como irisina, é um hormônio peptídico liberado principalmente pelos músculos esqueléticos durante o exercício físico. Sua descoberta foi publicada em 2012.

Funções da irisina

  1. Conversão de gordura branca em gordura marrom: A exercina estimula a transformação do tecido adiposo branco em tecido adiposo marrom, que é mais ativo metabolicamente e ajuda na queima de calorias.

  2. Regulação do metabolismo energético: Ajuda no controle do peso corporal e melhora a sensibilidade à insulina, contribuindo para a prevenção de doenças metabólicas como o diabetes tipo 2.

  3. Benefícios cardiovasculares e cognitivos: A exercina está associada à melhora da saúde do coração e ao estímulo de fatores que protegem o cérebro.

Miostatina

Proteína pertencente à família do fator de crescimento transformador beta (TGF-β). É expressa nos músculos esqueléticos e funciona como um inibidor do crescimento muscular.

Funções da miostatina

  1. Inibição do crescimento muscular: Regula negativamente a hipertrofia muscular, limitando o tamanho dos músculos. Isso é essencial para evitar o crescimento excessivo e desequilíbrios no organismo.

  2. Manutenção do equilíbrio muscular: Garante que o corpo não gaste recursos excessivos para sustentar musculatura desnecessária.

O que acontece com a ausência ou inibição da miostatina?

Animais e humanos com mutações genéticas que reduzem ou eliminam a ação da miostatina apresentam hipertrofia muscular extrema. Por exemplo, em experimentos com ratos e cães, a ausência de miostatina resultou em indivíduos com músculos muito mais desenvolvidos.

Bloqueadores de miostatina estão sendo investigados para tratar condições como distrofia muscular e obesidade sarcopênica. A obesidade sarcopênica é uma condição complexa caracterizada pela perda de massa muscular esquelética e aumento de gordura corporal, especialmente entre os idosos. Estão envolvidos mecanismos como resistência insulínica, inflamação crônica, alterações hormonais, disfunção mitocondrial, acúmulo de gordura intramuscular, redução da atividade física, com aumento de miostatina e redução de irisina.

Mecanismos da obesidade sarcopênica (Kim et al., 2023)

Relação entre Exercina e Miostatina

Complementaridade no exercício físico: A exercina promove o aumento de massa magra e a queima de gordura, enquanto a miostatina age como um "freio" no crescimento muscular. Durante o exercício regular, a produção de miostatina pode ser reduzida, criando um ambiente mais favorável para a hipertrofia muscular.

Implicações na saúde: Alterações nos níveis dessas proteínas podem influenciar tanto no desempenho atlético quanto na predisposição a doenças metabólicas e musculares.

Exercinas e memória

A exercina (irisina) tem sido amplamente estudada por seu papel benéfico no cérebro, especialmente na memória e na saúde cognitiva.

Ação no Hipocampo:

  • O hipocampo é uma região cerebral crucial para a memória e o aprendizado.

  • Estudos mostram que a exercina estimula a expressão de genes associados à neurogênese (formação de novos neurônios) no hipocampo, promovendo a plasticidade cerebral.

Estimulação do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF):

  • A exercina aumenta os níveis do BDNF, uma proteína essencial para a sobrevivência e o crescimento de neurônios.

  • O BDNF melhora a comunicação entre as células cerebrais (sinapses), essencial para consolidar memórias e facilitar o aprendizado.

Proteção Contra Doenças Neurodegenerativas:

  • Estudos sugerem que a exercina pode ajudar a proteger o cérebro contra condições como o Alzheimer e outras formas de demência, ao reduzir a inflamação e o acúmulo de placas beta-amiloides no cérebro.

Redução de Inflamação e Estresse Oxidativo:

  • A exercina tem propriedades anti-inflamatórias que podem proteger os neurônios de danos associados ao estresse crônico e à inflamação, fatores que prejudicam a memória. Pesquisas mostram que indivíduos que praticam exercícios regularmente apresentam melhores resultados em testes de memória. Níveis mais altos de exercina no sangue correlacionam-se com maior volume do hipocampo.

A atividade física regular pode ser recomendada como estratégia para melhorar a memória e prevenir doenças neurodegenerativas. Estratégias nutricionais também são importantes tanto para melhoria da composição corporal como para a boa memória.

A ingestão adequada de proteína, uso de suplementos como creatina, vitamina D, ômega-3, antioxidantes ajudam a melhorar a saúde geral. Marque aqui sua consulta de nutrição para individualização.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Interação entre as sirtuínas, PGC-1α e longevidade

Compreender como sirtuínas e PGC-1α regulam a saúde celular pode levar a novas abordagens terapêuticas para melhorar a longevidade humana. Algumas estratégias, como dietas restritas em calorias, exercícios físicos regulares e compostos naturais como o resveratrol (um ativador de SIRT1), têm mostrado potencial em aumentar a atividade das sirtuínas e do PGC-1α.

A interação entre as sirtuínas e o PGC-1α (coativador-1 alfa do receptor ativado pelo proliferador de peroxissoma gama) desempenha um papel crucial em diversos processos celulares, especialmente na regulação do metabolismo energético e na resposta ao estresse oxidativo.

O que são sirtuínas?

As sirtuínas são uma família de enzimas dependentes de NAD+ que atuam como desacetilases ou mono-ADP-ribosiltransferases. Elas estão envolvidas em:

  • Controle do metabolismo energético

  • Longevidade celular e do organismo

  • Regulação da inflamação e resposta ao estresse

O que é o PGC-1α?

PGC-1α (Coativador do receptor gama ativado por proliferadores de peroxissoma α) é um regulador mestre do metabolismo energético. Ele modula a biogênese mitocondrial, a oxidação de ácidos graxos e a termogênese. Sua atividade é essencial em tecidos metabolicamente ativos, como músculo esquelético, fígado e tecido adiposo marrom.

Relação entre sirtuínas e PGC-1α

  1. Ativação de PGC-1α pelas sirtuínas:

    • A SIRT1, uma das sirtuínas mais estudadas, desacetila o PGC-1α, ativando sua função.

    • Essa desacetilação promove a transcrição de genes envolvidos na biogênese mitocondrial e no aumento da capacidade oxidativa celular.

  2. Resposta ao estresse energético:

    • Quando os níveis de NAD+ aumentam (em situações de restrição calórica ou exercício), a atividade da SIRT1 é potencializada, levando à ativação do PGC-1α.

    • Isso melhora a eficiência metabólica, a produção de energia e a resistência ao estresse oxidativo.

  3. Regulação metabólica:

    • Sirtuínas e PGC-1α colaboram para ajustar o metabolismo às condições ambientais. Por exemplo:

      • Durante o jejum, há aumento da oxidação de ácidos graxos e da gliconeogênese hepática.

      • Em situações de frio, promovem a termogênese no tecido adiposo marrom.

    • O PGC-1α, por sua vez, pode ativar a SIRT1 e outras sirtuínas, criando um ciclo de retroalimentação que favorece a saúde celular, aumenta a resistência ao estresse e pode retardar o envelhecimento.

  4. Implicações para doenças e envelhecimento:

    • A interação SIRT1-PGC-1α pode proteger contra doenças metabólicas, como diabetes tipo 2 e obesidade.

    • Esses dois sistemas também se conectam com outros mecanismos envolvidos no envelhecimento, como a senescência celular, a inflamação e a regeneração de tecidos.

Modulação dessa interação:

  • Fatores que aumentam a atividade:

    • Resveratrol: Um polifenol que ativa indiretamente a SIRT1.

    • Restrição calórica e jejum intermitente.

    • Exercício físico.

  • Fatores que prejudicam a interação:

    • Dietas ricas em gorduras e açúcar.

    • Sedentarismo.

    • Envelhecimento natural (redução de NAD+).

Essa via é um alvo de interesse para terapias que buscam melhorar a saúde metabólica e promover a longevidade.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/