Beta amiloide (βA): Estrutura, Biologia e Desenvolvimento Terapêutico

A beta-amiloide (βA) é uma proteína central no estudo de doenças neurodegenerativas, especialmente o Alzheimer. Este texto é baseado no artigo Amyloid beta: structure, biology and structure-based therapeutic development e explora a estrutura molecular do βA, seu papel biológico e como essas informações estão guiando o desenvolvimento de novas terapias baseadas em estrutura.

1. O que é a beta-amiloide (βA)?

A βA é um peptídeo formado a partir da clivagem da proteína precursora amiloide (APP). Sua agregação em placas no cérebro é uma característica marcante da doença de Alzheimer. A proteína existe em diferentes formas, variando em tamanho, sendo que os resíduos produzidos possuem 37 a 49 aminoácidos, sendo a βA42 a mais propensa à agregação.

A formação da beta-amiloide (Aβ) no cérebro depende de como a proteína precursora amiloide (APP) é processada. Esse processo ocorre por duas vias principais: a via amiloidogênica, que leva à produção do Aβ, e a via não amiloidogênica, que evita a formação dessa proteína.

A APP é uma proteína transmembranar expressa em várias células, especialmente no cérebro. Sua função normal inclui:

  • Regulação da plasticidade sináptica.

  • Participação no crescimento e reparo neuronal.

A clivagem da APP ocorre em diferentes locais da molécula, definindo qual via será ativada.

Quebra do APP (proteína percursora do amiloide) na via amiloidogênica e não amiloidogênica

2. A Via Não Amiloidogênica

Essa via é considerada a "rota saudável" de processamento da APP, pois não gera o Aβ. Os passos são:

  1. Ação da α-secretase
    A α-secretase cliva a APP em uma região diferente da β-secretase, liberando o fragmento sAPPα. Essa clivagem ocorre dentro da sequência do Aβ, impedindo sua formação.

  2. Ação da γ-secretase
    O fragmento transmembranar restante (CTF-α) é processado pela γ-secretase, gerando:

    • Peptídeos não tóxicos.

    • O fragmento intracelular AICD.

O produto final não é propenso à agregação, e sAPPα parece ter efeitos neuroprotetores, promovendo a sobrevivência neuronal e a plasticidade sináptica.

3. A Via Amiloidogênica

Essa via está associada à formação do peptídeo beta-amiloide e ocorre em duas etapas principais:

  1. Ação da β-secretase (BACE1)
    A β-secretase cliva a APP em uma região extracelular, liberando um fragmento chamado sAPPβ (soluble APP beta) e deixando um fragmento transmembranar, conhecido como CTF-β.

  2. Ação da γ-secretase
    O fragmento CTF-β é então clivado pela γ-secretase, que produz:

    • O peptídeo Aβ (incluindo as formas tóxicas βA40 e βA42).

    • Um fragmento intracelular chamado AICD (APP intracellular domain), que pode ter funções de sinalização.

Apesar de ser amplamente associada à neurotoxicidade, o βA também tem funções biológicas importantes:

  • Regulação de processos sinápticos.

  • Proteção contra infecções microbianas, atuando como parte do sistema imunológico inato.

No entanto, o desbalanço na produção e remoção do βA resulta em sua toxicidade. Os peptídeos βA tendem a se agregar, formando oligômeros solúveis tóxicos e, eventualmente, placas amiloides características da doença de Alzheimer.

A indústria farmacêutica tenta encontrar novos inibidores de agreção, moduladores da produção de βA, vacinas e anticorpos monoclonais visando remover depósitos de βA ou neutralizar formas tóxicas. Contudo, por enquanto, a medicação não tem mostrado-se eficaz na redução do avanço da doença. Por isso, outras estratégias são indicadas, incluindo a proposta pelo Dr. Dale Bredesen:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Transtorno neurocognitivo maior x delirium

A diferença entre Transtorno Neurocognitivo Maior (TNM) e Delirium está na natureza, na duração e no curso clínico de cada condição. Apesar de ambos afetarem as funções cognitivas, eles são distintos em vários aspectos.

1. Transtorno Neurocognitivo Maior (TNM):

  • Definição: Condição caracterizada por um declínio progressivo e significativo em uma ou mais funções cognitivas (memória, linguagem, raciocínio, habilidades motoras, entre outras) que interfere na capacidade de realizar atividades diárias.

  • Causas:

    • Doença de Alzheimer

    • Demência vascular

    • Demência frontotemporal

    • Parkinson ou condições neurodegenerativas

    • Lesões traumáticas, entre outras.

  • Natureza: Crônica e geralmente progressiva.

  • Duração: Longo prazo; meses ou anos.

  • Curso clínico: Lento e gradualmente progressivo, com piora contínua.

  • Consciência e atenção: Geralmente mantidas nas fases iniciais ou moderadas.

  • Reversibilidade: Geralmente irreversível (com exceções, como demências causadas por deficiências nutricionais ou infecções tratáveis).

  • Sintomas principais:

    • Perda de memória (particularmente recente, em muitos casos)

    • Dificuldade em planejamento e tomada de decisões

    • Alterações de personalidade e comportamento.

2. Delirium:

  • Definição: Estado agudo e transitório de confusão mental, caracterizado por alteração da atenção e da consciência, frequentemente associado a causas médicas subjacentes.

  • Causas:

    • Infecções (como infecção do trato urinário ou pneumonia)

    • Desidratação

    • Distúrbios metabólicos (como hipoglicemia, hiponatremia)

    • Internações hospitalares (especialmente em idosos).

    • Uso ou retirada de drogas/medicações

UpToDate. Evaluation of cognitive impairment and dementia. 2024.

  • Natureza: Agudo, frequentemente de início súbito.

  • Duração: Curto prazo; horas a dias (às vezes semanas).

  • Curso clínico: Flutuante, com sintomas que variam ao longo do dia.

  • Consciência e atenção: Alteradas; dificuldade em manter ou redirecionar o foco da atenção.

  • Reversibilidade: Geralmente reversível com o tratamento da causa subjacente.

  • Sintomas principais:

    • Desorientação

    • Percepção alterada (ex.: alucinações ou ilusões)

    • Discursos incoerentes

    • Alterações psicomotoras (hiperatividade ou hipoatividade).

Tanto pacientes com transtorno neurocognitivo maior quanto aqueles com delirium, especialmente os mais velhos estão em risco aumentado de ingestão oral inadequada, e uma grande proporção está desnutrida. Por isto, o acompanhamento nutricional é muito importante.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Níveis ideais de insulina para fertilização in vitro (FIV)

Manter níveis ótimos de insulina é importante para a saúde metabólica e para o sucesso reprodutivo durante a fertilização in vitro (FIV). Embora os valores "ideais" possam variar de acordo com a saúde individual e os protocolos adotados, algumas diretrizes gerais podem ser seguidas com base em pesquisas e práticas clínicas:

  1. Níveis de Insulina em Jejum

    • Em geral, os níveis de insulina em jejum devem estar abaixo de 25 µIU/mL, com o intervalo ideal sendo entre 2–10 µIU/mL.

    • A resistência à insulina (níveis elevados) pode prejudicar a função ovariana e a fertilidade, especialmente em pessoas com condições como a síndrome dos ovários policísticos (SOP).

  2. HOMA-IR (Modelo de Avaliação da Homeostase da Resistência à Insulina)

    • O HOMA-IR, um cálculo baseado nos níveis de glicose e insulina em jejum, deve idealmente ser inferior a 2,5. Isso indica uma boa sensibilidade à insulina.

  3. Relação Glicose-Insulina

    • Uma relação acima de 4,5–5,0 é geralmente considerada um marcador de boa saúde metabólica em mulheres que passam por FIV.

Por Que os Níveis de Insulina São Importantes na FIV?

  • Altos Níveis de Insulina

    • Podem causar disfunção ovariana e afetar negativamente a qualidade dos óvulos.

    • Estão associados ao hiperandrogenismo e à ovulação irregular em casos de SOP.

    • Podem prejudicar o ambiente uterino, reduzindo as chances de implantação.

  • Baixos Níveis de Insulina

    • Embora menos comuns, níveis extremamente baixos podem indicar distúrbios metabólicos subjacentes ou ingestão insuficiente de nutrientes, o que pode impactar a saúde dos óvulos e embriões.

Dicas para Otimizar os Níveis de Insulina Antes da FIV

  1. Dieta

    • Dê preferência a uma dieta equilibrada e de baixo índice glicêmico.

    • Minimize o consumo de carboidratos refinados e açúcares.

  2. Exercício Físico

    • Pratique exercícios moderados regularmente para melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir a resistência.

  3. Intervenções Médicas

    • Em casos de resistência à insulina, medicamentos como o metformina podem ser prescritos para melhorar a sensibilidade à insulina.

  4. Monitoramento

    • Realize exames regulares para monitorar os níveis de insulina em jejum, glicose e HOMA-IR.

  5. Modificações no Estilo de Vida

    • Mantenha um peso saudável.

    • Gerencie o estresse, pois o cortisol influencia os níveis de açúcar no sangue e de insulina.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/