Psicobióticos nos transtornos de humor

A microbiota é um elo importante relacionado à digestão e absorção de nutrientes, mas também apresenta um impacto significativo no desenvolvimento de transtornos psiquiátricos, especialmente aqueles relacionados ao relaxamento do estresse e ao aumento da ansiedade.

Apesar dos numerosos estudos sobre a comunicação do eixo-intestino-cérebro, os mecanismos exatos de ação desta via ainda não são totalmente compreendidos. Muitas análises mostram que existe uma influência significativa da microbiota intestinal na regulação da função cerebral e do sistema nervoso. Os mecanismos envolvidos na análise da importância dos microrganismos e dos seus metabólitos, que podem ter um impacto significativo na fisiologia cerebral e na função do sistema nervoso, estão atualmente a ser estudados. Um aspecto importante neste campo de pesquisa é o eixo hipolátamo-hipófise-adrenal (HPA), que faz parte da resposta do corpo ao estresse fisiológico e físico.

Mudanças na dieta humana, incluindo padrões alimentares, hábitos e processamento de alimentos, influenciaram muito a saúde intestinal. Além disso, a vida moderna e o seu impacto no microbioma intestinal também provocaram mudanças fundamentais no espectro das doenças humanas, mudando o foco das doenças infecciosas tradicionais para doenças mentais cada vez mais frequentes, como a depressão.

Garantir uma dieta saudável e manter o funcionamento ideal do intestino são fundamentais para o bem-estar mental, dada a forte correlação entre a saúde intestinal e o estado mental. No contexto das perturbações psiquiátricas, especialmente entre os pacientes resistentes ao tratamento, há um interesse crescente numa abordagem holística que reconheça o impacto da microbiota intestinal na saúde mental. A integração dos probióticos no consumo diário surge como um aspecto crucial desta estratégia moderna, uma vez que podem apoiar o equilíbrio microbiano intestinal e desempenhar um papel no tratamento de doenças mentais, particularmente holístico nos casos em que as terapias convencionais se revelam ineficazes. Assim, os psicobióticos (probióticos com ação cerebral) podem servir como terapia complementar para o tratamento dos transtornos de humor.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Ácidos Graxos de Cadeia Curta: Alicerces para uma Saúde Intestinal

Os Ácidos Graxos de Cadeia Curta (AGCC) são compostos orgânicos, mais precisamente ácidos graxos, formados por uma cadeia curta de carbonos (geralmente entre 4 e 6 átomos). São produzidos no intestino grosso a partir da fermentação de fibras alimentares pelas bactérias benéficas presentes em nossa microbiota intestinal.

Quais são os principais AGCC?

Os AGCC mais estudados e com maior impacto na saúde são:

  • Butirato: É o principal combustível das células do cólon, desempenhando um papel crucial na manutenção da integridade da mucosa intestinal.

  • Propionato: Está envolvido na regulação do metabolismo de glicose e lipídios, além de ter efeitos no sistema nervoso central.

  • Acetato: É o AGCC mais abundante e desempenha diversas funções, como a regulação do apetite e a produção de hormônios.

Por que os AGCC são importantes para a saúde?

Os AGCC exercem uma série de benefícios para a saúde, incluindo:

  • Saúde intestinal: Fortalecimento da barreira intestinal, prevenção de inflamações e redução do risco de doenças inflamatórias intestinais.

  • Metabolismo: Regulação do metabolismo de glicose e lipídios, contribuindo para o controle do peso e redução do risco de doenças metabólicas.

  • Sistema imunológico: Modulação da resposta imune, reduzindo a inflamação sistêmica e protegendo contra doenças autoimunes.

  • Saúde cerebral: Influência na função cognitiva e no comportamento, podendo ter um papel na prevenção de doenças neurodegenerativas.

Como aumentar a produção de AGCC?

Para aumentar a produção de AGCC, é fundamental consumir uma dieta rica em fibras, como:

  • Frutas e legumes: Maçã, banana, abacate, brócolis, espinafre.

  • Grãos integrais: Arroz integral, aveia, quinoa, pão integral.

  • Leguminosas: Feijão, lentilha, grão de bico.

  • Sementes: Linhaça, chia, gergelim.

Mais sobre o butirato

Os AGCC ligam-se a receptores GPR43 e GPR41 espalhados por todo o trato digestório, em adipócitos e no nervo vago. Acabam tendo um impacto no humor, melhorando a depressão. O principal AGCC responsável por este efeito é o butirato.

Butirato (da palavra grega antiga para "manteiga") é um ácido graxo de cadeia curta (SCFA) que ocorre naturalmente na manteiga e em outros alimentos e também é produzido por micróbios no intestino. No intestino, o butirato é a fonte de combustível preferida para os colonócitos, as células semelhantes à pele que revestem o cólon.

O butirato participa de uma ampla gama de vias metabólicas no corpo. Consequentemente, baixas concentrações de butirato no sangue, cólon, fígado e cérebro foram identificadas em diversas doenças. Geralmente, o aumento dos níveis de butirato demonstrou ter efeitos benéficos na saúde. Mais especificamente, a pesquisa apóia o papel do butirato no seguinte:

  • Permeabilidade intestinal reduzida (isto é, intestino permeável) – Maiores níveis de oxidação de butirato no intestino foram associados a menor permeabilidade colônica na colite ulcerativa.

  • Aumento da neurogênese – O butirato aumenta a neurogênese diretamente.

  • Tolerância à glicose melhorada – A microbiota de pessoas com diabetes tipo dois se afasta das espécies produtoras de butirato.

  • Inflamação reduzida – O butirato promove a maturação das células T reguladoras.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Intestino saudável e a produção de corpos cetônicos

O Beta-hidroxibutirato (BHB) é um corpo cetônico produzido no corpo a partir de butirato, gorduras dietéticas, gordura corporal ou aminoácidos cetogênicos. Durante períodos de baixa disponibilidade de glicose (como jejum, exercício físico ou dieta cetogênica), as cetonas, incluindo o BHB, tornam-se a principal fonte de energia para as células, especialmente no cérebro, fígado, coração e músculos.

Estratégias para Aumentar o BHB e o Butirato

O beta-hidroxibutirato (BHB) possui 4 átomos de carbono, assim como o butirato, que é um ácido graxo de cadeia curta produzido no intestino. A principal diferença entre os dois compostos está na estrutura química e no seu papel no metabolismo:

  1. Beta-hidroxibutirato (BHB):

    • Fórmula química: C4H8O3

    • O BHB é um corpo cetônico, gerado no fígado a partir da quebra de ácidos graxos, especialmente em situações de baixo carboidrato, jejum ou dietas cetogênicas. Sua estrutura contém um grupo hidroxila (–OH) no carbono beta da cadeia, o que o torna um álcool.

  2. Butirato:

    • Fórmula química: C4H8O2

    • O butirato é um ácido graxo de cadeia curta produzido principalmente pela microbiota intestinal. Ele é um produto da fermentação de fibras alimentares no intestino, especialmente pelas bactérias produtoras de butirato, e pode ser convertido em cetonas no fígado, como o BHB, em condições de jejum ou dieta cetogênica.

Diversas práticas e intervenções dietéticas têm mostrado potencial para aumentar a produção de BHB (corpo cetônico):

  1. Ácidos Graxos Ômega-3: O consumo de ômega-3 aumenta a concentração de bactérias produtoras de butirato no intestino.

  2. Exercícios Aeróbicos: O treinamento físico tem demonstrado aumentar a quantidade de bactérias produtoras de butirato, promovendo maior produção desse composto.

  3. Restrição de Tempo Alimentar: Dietas com restrição de tempo remodelam a microbiota intestinal e aumentam a produção de butirato, especialmente de famílias bacterianas como Lachnospiraceae.

  4. Suplementação com Dieta Cetogênica: Uma barra de refeição com alto teor de gordura e baixo carboidrato pode ampliar os benefícios cetogênicos e aumentar as concentrações séricas de BHB.

  5. Exercício de Resistência: Embora o treinamento de força não tenha esse efeito, exercícios de resistência aumentam o BHB nos músculos, melhorando o crescimento muscular e a função cognitiva, especialmente em camundongos idosos.

  6. Cetonas exógenas: Suplementos de cetona exógena podem aumentar rapidamente os níveis de BHB, mas têm um sabor e cheiro desagradáveis para muitas pessoas. Uma alternativa é consumir triglicerídeos de cadeia média (MCTs), especialmente C8 que também aumentam os níveis de BHB de forma dependente da dose.

Pesquisa sobre o Papel do Butirato na Saúde

A pesquisa atual investiga como o butirato (ácido graxo de cadeia curta) pode influenciar a saúde, com destaque para:

  • Treinamento Físico e Microbioma Intestinal: O exercício aumenta a produção de butirato, o que pode reduzir o risco de doenças crônicas. Estudos indicam que, após seis semanas de exercícios de resistência, houve aumento significativo nas bactérias produtoras de butirato em indivíduos com IMC saudável.

  • Envelhecimento Cerebral e Butirato: Estudos mostram que a alteração da microbiota intestinal pode alterar a trajetória do envelhecimento cerebral. Camundongos que receberam microbiota intestinal de camundongos mais velhos apresentaram maior neurogênese no hipocampo, e o butirato foi associado ao aumento de fatores de crescimento e sinalização da longevidade.

Embora o butirato C4 (produzido no intestino) possa ser convertido em acetil-CoA no fígado, o processo de conversão e a produção de corpos cetônicos a partir do butirato não são tão eficientes quanto a cetogênese tradicional derivada de ácidos graxos. Embora a via do butirato para os corpos cetônicos seja menos direta, ela pode contribuir em condições de jejum ou dieta cetogênica.

Conclusão

O BHB e o butirato desempenham papéis importantes no metabolismo energético, e estratégias como dieta cetogênica, exercício físico e suplementação com MCTs podem ajudar a aumentar sua produção. A pesquisa continua explorando como essas cetonas influenciam a saúde intestinal, o envelhecimento cerebral e o metabolismo geral, oferecendo novas perspectivas para otimizar a saúde por meio da alimentação e estilo de vida.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/