Qual é a diferença entre probiótico e Produtos bioterapêuticos vivos?

Probióticos e Produtos Bioterapêuticos Vivos (LBPs) estão ambos relacionados ao uso de microrganismos vivos para benefícios à saúde, mas têm definições, vias regulatórias e aplicações distintas.

Probióticos

Definição:

  • Probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem um benefício à saúde do hospedeiro.

Regulação:

  • Os probióticos são geralmente regulamentados como suplementos dietéticos, alimentos ou ingredientes alimentares, dependendo da jurisdição.

  • São frequentemente regulamentados pelo FDA como suplementos dietéticos se não forem destinados a diagnosticar, tratar, curar ou prevenir nenhuma doença.

Usos Comuns:

  • Os probióticos são comumente usados para promover um equilíbrio saudável de bactérias intestinais e têm sido associados a vários benefícios à saúde, incluindo melhora da saúde digestiva, fortalecimento do sistema imunológico e redução dos sintomas de certos distúrbios gastrointestinais.

Exemplos:

  • Cepas comuns de probióticos incluem Lactobacillus, Bifidobacterium e Saccharomyces boulardii.

  • Produtos probióticos podem ser encontrados em alimentos (como iogurte e produtos fermentados) e suplementos dietéticos.

Segurança e Eficácia:

  • Os probióticos são geralmente considerados seguros para a maioria das pessoas, mas sua eficácia pode variar dependendo da cepa, dose e condição de saúde específica a ser abordada.

Produtos Bioterapêuticos Vivos (LBPs)

Definição:

  • Produtos Bioterapêuticos Vivos (LBPs) são uma nova categoria de agentes terapêuticos que consistem em microrganismos vivos especificamente desenvolvidos para a prevenção, tratamento ou cura de uma doença ou condição em humanos.

Regulação:

  • Os LBPs estão sendo regulamentados nos EUA como medicamentos ou produtos biológicos. Nos Estados Unidos, eles devem passar pelo processo de Investigational New Drug (IND) do FDA e, eventualmente, obter aprovação por meio de uma New Drug Application (NDA) ou uma Biologics License Application (BLA).

  • Isso significa que os LBPs passam por testes rigorosos de segurança, eficácia e qualidade de fabricação, semelhante a outros produtos farmacêuticos.

Usos Comuns:

  • Os LBPs estão sendo desenvolvidos para tratar doenças específicas, muitas vezes com um mecanismo de ação mais preciso em comparação com os probióticos.

  • Podem ser usados no tratamento de condições como doença inflamatória intestinal (DII), síndrome do intestino irritável (SII), infecções por Clostridioides difficile e certos distúrbios metabólicos.

Exemplos:

  • Os LBPs podem incluir bactérias geneticamente modificadas projetadas para produzir moléculas terapêuticas, consórcios bacterianos projetados para restaurar o equilíbrio saudável do microbioma ou cepas específicas com eficácia clínica documentada.

  • Exemplos de LBPs em desenvolvimento ou no mercado incluem SER-109 da Seres Therapeutics para infecção por C. difficile e RBX2660 da Rebiotix, também para C. difficile.

Segurança e Eficácia:

  • Os LBPs são sujeitos a extensos testes clínicos para demonstrar sua segurança e eficácia em condições de doença específicas, o que pode fornecer evidências mais robustas em comparação com muitos produtos probióticos.

MODULAÇÃO DA MICROBIOTA INTESTINAL

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Fontes de energia para o coração

Sob condições fisiológicas o coração utiliza de forma flexível uma variedade de substratos, incluindo cetonas, aminoácidos e lactato, com base na disponibilidade para gerar grandes quantidades de adenosina trifosfato (ATP).

Hipertensão, estenose da válvula aórtica, regurgitação da válvula mitral e isquemia são exemplos de situações que reduzem a flexibilidade metabólica do coração, com diminuição da oxidação de ácidos graxos e energia total. Isto pode contribuir para o desenvolvimento de cardiomiócitos e hipertrofia cardíaca e insuficiência cardíaca com disfunção sistólica e/ou diastólica.

(A) Utilização de substrato para produção de energia no coração. (B) Uso de β-hidroxibutirato (β-OHB) na cardiopatia (Nakamura, & Sadoshima, 2019).

Uma estratégia para compensar a perda da flexibilidade metabólica é o uso de corpos cetônicos. Os corpos cetônicos compreendem três moléculas solúveis em água, β-hidroxibutirato, acetoacetato (AcAc) e acetona. Estas moléculas s são produzidas predominantemente no fígado durante: (1) a ingestão de uma dieta pobre em carboidratos e rica em gordura (cetogênica), (2) jejum, (3) exercício prolongado, (4) diabetes descompensada, (5) insuficiência cardíaca.

PAPEL DOS CORPOS CETÔNICOS NO CORAÇÃO

Os corpos cetônicos (especialmente β-OHB) desempenham papéis fundamentais em vários processos celulares sob condições fisiológicas. No coração, são catabolizados em acetil-CoA na mitocôndria, que entra no ciclo do ácido tricarboxílico (TCA) e produz ATP via fosforilação oxidativa. Também atuam como molécula sinalizadora, através da modificação da cromatina com acetilação da lisina (modificação pós-traducional da proteína), modulação da inflamação e estresse oxidativo e regulação do sistema nervoso simpático via receptores acoplados à proteína G quando os carboidratos são abundantes.

A insuficiência cardíaca está associada à resistência à insulina, acompanhada de aumento da lipólise no tecido adiposo, que em parte contribui para o aumento dos níveis plasmáticos de corpos cetônicos. Pacientes com insuficiência cardíaca exibem aumento da expressão de proteínas relacionadas à cetólise, acompanhado por um aumento na oxidação de corpos cetônicos no coração.

Um aumento do suprimento de β-OHB aumenta a produção geral de ATP por meio de aumentos no corpo cetônico e na oxidação da glicose sem melhorar o trabalho cardíaco e a eficiência nos corações com falha e controle.

Os corpos cetônicos fornecem energia para o músculo cardíaco, atuam como um anti-inflamatório, suprimindo a ativação da formação do inflamassoma NLRP314 e um inibidor endógeno da histona deacetilase de classe I.

O CORAÇÃO É UM GRANDE CONSUMIDOR DE ENERGIA

Numa célula típica, uma molécula de ATP é consumida dentro de um minuto após sua formação. A quantidade de ATP no organismo é limitada a 100g, porém a renovação é alta.

Um ser humano em repouso consome 40 kg de ATP por dia (1,6kg por hora ou 27g por hora). Quando o coração é mais demandado, como durante a atividade física, o consumo de ATP pode aumentar para até 500g por minuto, dependendo da intensidade. As fontes de ATP durante o exercício são:

- ATP estocado;

- Reciclagem do ADP pela creatina;

- Glicólise anaeróbia (queima de glicose sem O2)

- Glicólise aeróbia (queima de glicose ou gordura com a presença de oxigênio)

Lembrando que a forma ativa do ATP é um complexo 1:1 com magnésio ou manganês. Ou seja, deficiências nutricionais destes minerais também interferem no funcionamento do organismo. ATP só liga-se na bomba de sódio de potássio se tiver magnésio ou manganês. Outro suplemento usado para melhorar a quantidade de energia no músculo cardíaco é a D-ribose.

Por fim, podemos pensar na suplementação da creatina, muito interessante para aumentar a performance esportiva mas também em condições em que se observa creatina baixa, como: autismo, esclerose múltipla, traumatismo craniano, vários tipos de tumores, doenças neuromusculares, cardiopatias, síndrome pós-covid, infecção crônica pelo vírus HIV.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Glúten, de Zumbido nos ouvidos à Doença Celíaca

Para 1 em cada 100 pessoas, até traços mínimos de glúten podem causar fortes dores abdominais, inflamação intestinal e sérios riscos à saúde. Estamos falando da doença celíaca, uma condição autoimune crônica desencadeada pelo glúten – proteína presente no trigo, centeio e cevada.

Um estudo liderado por cientistas da Universidade McMaster (Canadá) revelou que as células do revestimento intestinal não são apenas vítimas da inflamação, mas agentes ativos no desencadeamento da resposta imune contra o glúten (Rahmani et al., 2024).

Pessoas com os genes HLA-DQ2.5 ou HLA-DQ8 têm maior predisposição à doença, mas a presença dos genes não é suficiente: o glúten precisa ser processado por enzimas intestinais e apresentado ao sistema imune para iniciar o ataque autoimune.

As células epiteliais do intestino podem:

  • Apresentar pedaços do glúten (antígenos) às células do sistema imune (células T CD4+) por meio da molécula MHC Classe II, que é uma espécie de “placa” onde elas exibem essas informações.

  • Isso ativa as células T, que são importantes para a defesa do corpo, mas que na doença celíaca atacam o próprio intestino, causando inflamação e danos.

Então, ao contrário do que se pensava antes, as células do revestimento intestinal não são só uma barreira física, mas também atuam como “mensageiras” que podem disparar a reação imunológica ao reconhecer o glúten.

A única “cura” hoje para a doença celíaca é evitar completamente o glúten. Quando o paciente não sabe que tem a doença ou não adere à dieta, a inflamação contínua gera complicações como osteoporose, infertilidade, câncer intestinal, distúrbios neurológicos, zumbido nos ouvidos.

Pesquisas indicam, por exemplo, uma possível ligação entre doença celíaca e perda auditiva neurossensorial, além de associação com a doença de Ménière – que também causa zumbido. Embora as evidências ainda sejam preliminares, pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten podem apresentar sintomas auditivos e devem procurar avaliação médica.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/