Prevenção de tratamento da infecção urinária

Infecções do Trato Urinário (ITUs) afetam mundialmente mais de 150 milhões de pessoas, estando entre as condições médicas mais comuns e recorrentes, especialmente para as mulheres, já que possuem uma uretra mais curta que os homens.

O primeiro passo para o desenvolvimento da infecção é a adesão de certas bactérias ao trato urinário. Essa adesão acontece pois as bactérias possuem fímbrias, que são como “braços” que servem para se agarrar às paredes do trato urinário. 

As fímbrias produzem um tipo de “cola” chamada adesina que fortalece a adesão, possibilitando que as bactérias se multipliquem e produzam toxinas que causam danos às células da uretra e da bexiga. Uma vez no trato urinário, as bactérias enfrentam uma formidável combinação de mecanismos de defesa que incluem o aumento do volume de urina e a produção de substâncias antimicrobianas.

No entanto, essa defesa pode ser prejudicada em momentos de estresse ou de carências nutricionais, situações que fazem a imunidade ser menos eficiente. A maioria das ITUs são tratadas com antibióticos. Contudo, se a pessoa tem infecções recorrentes precisa prevenir a infecção, melhorando a imunidade (com mais proteína, antioxidantes, vitamina D na dieta) e com o uso de D-manose e do Cranberry (arando), que também servem para o tratamento.

Como tratar infecção urinária de forma natural?

Antibióticos não devem ser usados o tempo todo. Geram distúrbios gástricos, pioram a microbiota, podem causar diarreia e, nas mulheres, maior risco de infecções vaginais por leveduras/fungos. Além disso, o uso constante de antibióticos gera resistência aos mesmos.

Extrato de cranberry (arando ou oxicoco) e D-manose possuem benefícios comprovados no tratamento de infecções do trato urinário. A D-manose é uma substância produzida no próprio corpo e também encontrada em alimentos como brócolis, berinjela, feijão, amora, maçã, pêssego e, em muito maior quantidade no cranberry, que também pode ser suplementado.

Quando as fimbrias das bactérias ligam-se à D-manose não conseguem aderir à superfície do trato urinário e são expulsas da bexiga pela urina. A D-manose também atua na ativação da proteína Tamm-Horsfall, que desempenha papel fundamental na defesa do organismo contra as infecções do trato urinário. O uso de 2g de D-manose ao dia, por 6 meses, reduz significativamente o risco de novas infecções (Kranjčec, Papeš, & Altarac, 2014).

Cranberries (particularmente na forma de suco de cranberry) têm sido amplamente utilizados por várias décadas para a prevenção e tratamento de ITUs. Contêm ácido quínico, ácido málico e ácido cítrico, substâncias que tornam a urina mais ácida e impedem que as bactérias (particularmente E. coli) adiram (grudem) às células uroepiteliais que revestem a parede da bexiga (Williams et al., 2023). Existem estudos com suco de Cranberry mas as doses variam muito entre os mesmos (de 120 a 1.000 mL/dia). Provavelmente os próprios estudos padronizarão o composto bioativo do cranberry (proantocianidina pra melhorar comparação e prescrições mais precisas).

8 hábitos para a boa saúde do trato urinário

Quem quer evitar a infecção urinária pode adotar práticas que diminuem o risco de aparecimento. Confira:

  1. Beber muita água durante todo o dia ou bebidas com ação diurética (chá verde, hibisco, cavalinha, carqueja e erva-doce) – isso ajuda a diluir a urina e aumenta a excreção urinária.

  2. Urinar sempre que sentir vontade – não segure a urina.

  3. Para mulheres, após urinar ou realizar suas necessidades fisiológicas, sempre limpar a região da frente para trás (e nunca o contrário!) e dar preferência ao uso de papel higiênico sem perfume. O uso de lenço umedecido também é uma recomendação eficaz, desde que não contenha perfume.

  4. Evitar banhos de banheira.

  5. Higienizar a área íntima antes e depois da relação sexual, e urinar após o ato.

  6. Evitar o uso de desodorantes íntimos, pois podem causar irritação.

  7. Dar preferência aos absorventes feitos de algodão.

  8. Utilizar 2g de D-manose ao dia, caso você tenha infecções urinárias recorrentes (melhor marca na Europa, com 2g de D-mannose, 50mg de Cranberry por sachê - 500 mcg de proantocianidinas). No Brasil, podemos fazer a prescrição magistral para farmácia de manipulação.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Evolução humana e impacto na microbiota

A evolução humana tem sido acompanhada por mudanças periódicas fundamentais no estilo de vida refletidas nos hábitos alimentares. Os humanos deixaram de ser caçadores-coletores nômades, típico do período Paleolítico ou Idade da Pedra Antiga, que começou há 2 milhões de anos. Uma profunda mudança no estilo de vida humano ocorreu com a Revolução Agrícola do período Neolítico, também conhecida como Idade da Pedra Nova (10.000 anos AC). Nesse período, o ser humano passou a levar uma vida sedentária, domesticando vários animais e plantas, que formaram a base de um novo estilo de vida baseado na agricultura e na coleta de alimentos.

Surgiram novos alimentos, como cereais e laticínios, e a densidade populacional aumentou. A última mudança marcante nos hábitos alimentares humanos começou com a Revolução Industrial, há menos de 200 anos, marcou o início de um afastamento radical dos alimentos locais e sazonais. A dieta moderna é caracterizada por uma alta ingestão de produtos de origem animal e açúcares, uso de conservantes e baixa ingestão de alimentos de origem vegetal, como frutas, vegetais e cereais integrais.

Estas mudanças afetaram nossa saúde, com o aumento da incidência de problemas de saúde como doenças inflamatórias intestinais (DII), síndrome do intestino irritável (SII), câncer, diabetes, asma, doenças autoimunes e até certos transtornos mentais. Um dos motivos é que as espécies microbianas do nosso intestino também foram mudando.

As práticas tradicionais de populações da África, América do Sul e Ásia, provavelmente se assemelham aos nossos estilos de vida antigos. Estudos dessas populações ajudam pesquisadores a determinar os efeitos do estilo de vida (caça e coleta como no Período Paleolítico, ou agricultura como no Período Neolítico) na coevolução dos humanos e sua microbiota intestinal.

As populações tradicionais estudadas, indivíduos de tribos isoladas, incluindo caçadores-coletores de Hazda, adultos e crianças de Malawi, crianças de Burkina Faso, Papua Nova Guiné e ameríndios possuem uma microbiota diferente das pessoas vivendo em sociedades com dieta ocidentalizada.

As dietas modernas contêm muito menos fibras e muito mais gordura do que as dietas antigas. A ingestão diária de fibra em dietas antigas pode chegar a 100 g, especialmenete solúvel, enquanto adultos em países industrializados normalmente comem apenas 15 g de fibra ao dia, ficando ainda aquém da ingestão diária mínima recomendada de 20–30 g, a depender da faixa etária. Além disso, no ocidente, consome-se mais fibras insolúveis.

Indivíduos vivendo na África rural podem consumir de 60 a 120 g de fibra por dia. Uma das consequências da depleção de fibras é a diminuição na produção de ácidos graxos de cadeia curta, potencialmente favorecendo o estabelecimento da família Enterobacteriaceae, que inclui muitas bactérias patogênicas como Escherichia coli, Salmonella, Proteus, Shigella e Yersinia.

A microbiota é mais diversa estruturalmente e funcionalmente (com capacidades aprimoradas de degradação de polissacarídeos, em particular) em populações rurais e remotas de países em desenvolvimento do que em populações urbanas industrializadas. Alguns táxons ou funções bacterianas podem ter desaparecido do intestino durante a ocidentalização. Os táxons provavelmente perdidos incluem o Treponema, um gênero de bactérias anaeróbicas do filo Spirochaetae altamente especializado na degradação de fibras.

Dieta adequada e intestino saudável geram a produção de substâncias benéficas à saúde (Derrien, & Veiga, 2016).

Ocidentalização, deficiência de vitamina D e disbiose intestinal

A ocidentalização teve consequências inesperadas para a saúde humana. Por exemplo, níveis adequados de vitamina D na população escocesa dependeram por mais de 14.000 anos de um equilíbrio tênue entre características biológicas (ou seja, pele despigmentada ao máximo otimizando a produção de vitamina D), exposição à luz solar (ou seja, atividades ao ar livre) e hábitos alimentares (ou seja, consumo de alimentos ricos em vitamina D, como bacalhau ou arenque).

No entanto, a urbanização crescente do país (iniciada há aproximadamente 200 anos) foi acompanhada por uma diminuição no consumo de peixes ricos em vitamina D e uma diminuição nas atividades ao ar livre, com essas duas mudanças contribuindo para a ruptura do frágil equilíbrio de vitamina D e levando a níveis sem precedentes de deficiência de vitamina D na escala populacional.

Acredita-se que essa deficiência seja um fator de risco para doenças emergentes relacionadas ao sistema imunológico. As agências de saúde pública, portanto, recomendam suplementar a dieta com vitamina D e aumentar a exposição à luz do dia.

A vitamina D ativa ações genômicas por meio de receptores de vitamina D (VDRs). VDRs são ativados no fígado por 1,25(OH)2D ou um ácido biliar secundário chamado ácido litocólico (LCA), que é produzido por bactérias intestinais e atua como um ligante fisiológico adicional para VDR.

Após a ativação, o VDR heterodimeriza com FXR/RXR e então se liga ao elemento responsivo à vitamina D do DNA. Assim, o VDR contribui para a degradação do LCA. A ativação do VDR também modula o gene CYP7A1 que regula a conversão do colesterol em ácidos biliares. Portanto, esse gene diminui a síntese de ácidos biliares, sugerindo que o VDR pode atuar como um sensor de ácidos biliares.

No intestino, verificou-se que o VDR mantém a função da barreira intestinal regulando as proteínas epiteliais das junções apertadas. Isso leva ao bloqueio da translocação de bactérias ou subprodutos bacterianos na circulação do hospedeiro e reduz a inflamação.

Este exemplo destaca como mudanças relativamente recentes na escala da história humana podem interromper equilíbrios estabelecidos há muito tempo controlados pela genética, comportamento, dieta e meio ambiente.

Melhore a dieta para apoiar seu microbioma e prevenir doenças

As intervenções dietéticas são a abordagem mais robusta e alcançável para modular a microbiota intestinal. Aumentar o consumo de fibras, diminuir o consumo de carne e diversificar a dieta faz parte das estratégias mais importantes neste sentido.

Quer aprender a tratar o intestino? Clique aqui.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Tratamento do câncer de mama triplo negativo

O câncer de mama triplo negativo (CMTN) representa cerca de 10-15% de todos os cânceres de mama. O termo CMTN refere-se ao fato de que as células cancerígenas não possuem receptores de estrogênio ou progesterona (ER ou PR) e também não produzem nenhuma ou quase nada da proteína chamada HER2.

Uma vez feito o diagnóstico de câncer de mama usando exames de imagem e uma biópsia, as células cancerígenas serão verificadas quanto a certas proteínas. Se as células testarem negativas em três testes, ou seja, se não tiverem receptores de estrogênio ou progesterona (ER ou PR) e também não produzirem nenhuma ou muito da proteína HER2, o câncer é considerado um câncer de mama triplo negativo.

O CMTN difere de outros tipos de câncer de mama invasivo porque tende a crescer e se espalhar mais rapidamente, tem menos opções de tratamento e tende a ter um pior prognóstico. Esses cânceres tendem a ser mais comuns em mulheres com menos de 40 anos, que são negras ou que têm uma mutação BRCA1.

Tratamento do câncer de mama triplo negativo

O câncer de mama triplo negativo tem menos opções de tratamento do que outros tipos de câncer de mama invasivo. Isso ocorre porque as células cancerígenas não têm receptores de estrogênio ou progesterona ou proteína HER2 suficiente para fazer a terapia hormonal ou os medicamentos HER2 direcionados funcionarem.

As opções de tratamento são a quimioterapia, a suplementação de reguladores epigenéticos, hipertermia (sauna), câmera hiperbárica e dieta cetogênica. Estas associações reduzem significativamente o tamanho do tumor possibilitando a cirurgia (Jemal, Molla, & Denejie, 2021).

Além de seus efeitos diretos no crescimento do tumor, a dieta cetogênica terapêutica tem o potencial de melhorar o estado geral de saúde dos pacientes e sua qualidade de vida.

Suplementos contendo os fitoquímicos resveratrol, genisteína, curcumina, EGCG tem como alvos genes que regulam o metabolismo celular. O resveratrol (3,4',5-tri-hidroxiestilbeno) é um composto polifenólico que ocorre naturalmente na casca de frutas de cor escura como uvas e bagas, em amendoins e vegetais fortemente pigmentados. O composto pode reverter várias alterações epigenéticas em células de câncer de mama (Selmin et al., 2020).

Genisteína e daidzeína são as isoflavonas mais abundantes encontradas em vários legumes, grãos e vegetais, com a soja contribuindo para a maior quantidade de isoflavonas na dieta humana. A genisteína regulou positivamente a expressão de BRCA-1 levando à expressão de ERα, e esses efeitos foram ligados à sensibilidade adquirida das células CMTN.

A curcumina, extraída do rizoma da Curcuma longa e amplamente utilizada na medicina indiana, restaura a expressão de BRCA1 através da redução do nível de metilação de seu promotor.

A Epigalocatequina 3-galato (EGCG), é a catequina mais abundante encontrada no chá verde e apresenta forte atividade antioxidante. Reduz a recorrência e melhorara a sobrevida em pacientes com CMTN. Os efeitos antiproliferativos do EGCG têm sido atribuídos à inibição da ácido graxo sintase (Selmin et al., 2020).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/