Suplementação para redução de nódulos mamários e dor nas mamas

Um estudo aleatorizado, multicêntrico e duplo-cego controlado foi realizado em mulheres com dor mamária cíclica (mastalgia) associada a alterações mamárias fibrocísticas. O objetivo era avaliar se a suplementação poderia contribuir para redução dos nódulos e da dor.

Metade do grupo de mulheres receberam uma suplementação líquida contendo 1 g de ácido gama-linolênico (GLA), 750 μg de iodo e 70 μg de selênio. A outra metade dos grupo estudado recebeu uma fórmula controle sem estes ingredientes.

Durante o estudo as mulheres registraram a presença de dor na mama, uso de medicamentos e sinais menstruais. A presença de nódulos foi determinada por exame físico das mamas.

Os escores de dor nas mamas diminuíram de forma semelhante nos grupos experimental (-32,2%) e controle (-33,1%) (p = 0,64). A nodularidade foi reduzida no grupo experimental, mas não no grupo controle (p = 0,03). As mulheres que usavam medicação para dor conseguiram reduzir a dosagem com o uso da suplementação contendo GLA (Mansel et al., 2018).

Se a sua preocupação é o câncer de mama evite o consumo excessivo de gorduras e carboidratos simples para controlar a resistência insulínica. Estudo mostrou que tumores nas mamas não usam apenas glicose, mas também muita proteína e aminoácidos (especialmente alanina, leucina, isoleucina, valina, glutamato). Assim, o ideal na maior parte dos cânceres é a dieta de característica cetogênica (rica em gordura, suficiente em proteína e pobre em carboidrato).

Em vermelho: processos metabólicos mais ativos no câncer de mama (Santos et al., 2020).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Desregulação do receptor NMDA e doenças neurológicas

O receptor NMDA (N-metill-d-aspartato) é um tipo de receptor de glutamato ionotrópico acoplado à proteína G que desempenha um papel crucial na regulação de uma ampla variedade de funções neurológicas, incluindo respiração, locomoção, aprendizado, formação de memória e neuroplasticidade.

Consequentemente, o comprometimento estrutural e funcional do receptor NMDA pode levar a distúrbios neurodegenerativos e cognitivos, incluindo doença de Alzheimer, doença de Parkinson, doença de Huntington, dor neuropática, epilepsia e distúrbios psiquiátricos.

Os receptores NMDA requerem dois ligantes, glutamato e glicina, para ativação. Além disso, os receptores sofrem bloqueio dependente de voltagem pelo Mg2+ e apresentam alta permeabilidade ao Ca2+ quando o bloqueio do Mg2+ é removido.

Estrutura dos receptores NMDA

Os receptores NMDA são compostos por quatro subunidades distintas: duas subunidades GluN1 de ligação à glicina e duas subunidades GluN2 de ligação ao glutamato. Essas subunidades formam um canal central permeável a cátions.

Como qualquer outro receptor, os receptores NMDA sofrem uma alteração conformacional induzida pelo ligante para serem ativados. O glutamato é liberado do terminal pré-sináptico para a fenda sináptica em uma concentração muito alta (cerca de 1,1 mM) e liga-se aos receptores NMDA pós-sinápticos para induzir a abertura dos poros do canal. Leia sobre as funções do glutamato no cérebro neste outro artigo.

Após a ativação, os receptores NMDA continuam a passar correntes pós-sinápticas excitatórias por dezenas a centenas de milissegundos, mesmo após a remoção do glutamato da fenda sináptica. No estado de repouso, o Mg2+ extracelular entra no poro do receptor e liga-se firmemente ao receptor, o que restringe a entrada adicional de íons e impede a ativação do receptor. Após uma despolarização suficientemente forte, o Mg2+ é removido do poro, permitindo a entrada de íons permeantes (Ca2+).

Funções dos receptores NMDA

Os receptores NMDA desempenham papéis cruciais em muitas funções neurológicas:

  • Regulam a plasticidade estrutural e funcional das sinapses, dendritos e neurônios ativando uma série de vias de sinalização mediadas pelo cálcio.

  • Fortalecem sinapses, processo conhecido como potenciação de longo prazo (LTP), muito importante para a formação da memória, especialmente na região CA1 do hipocampo. Para uma LTP eficaz, é necessário o influxo de cálcio através do receptor NMDA. O cálcio que entra no receptor induz a ativação da proteína quinase II dependente de cálcio/calmodulina, que por sua vez interage com o receptor NMDA e, assim, aproxima-se do receptor AMPA, levando à fosforilação do receptor AMPA e iniciação de LTP.

Desativação do receptor NMDA

A depressão de longo prazo (DLP) é um fenômeno oposto ao LTP que causa enfraquecimento das sinapses. Mecanicamente, os receptores NMDA medeiam o DLP desfosforilando os receptores AMPA e removendo este fósforo da membrana sináptica. Este processo também requer influxo de cálcio através do receptor NMDA.

A desativação do receptor NMDA por vários antagonistas induz vários problemas psiquiátricos em humanos, incluindo alucinação, transtorno do humor, delírio, pensamento anormal, agitação, falta de motivação, déficit cognitivo e outros problemas emocionais.

O bloqueio do receptor NMDA mediado por antagonistas (hipofuncionamento) leva à liberação excessiva de neurotransmissores excitatórios (glutamato e acetilcolina) em diferentes regiões do cérebro, o que, por sua vez, causa hiperestimulação de neurônios pós-sinápticos e subsequente indução de quadros psicóticos.

Os receptores NMDA sofrem um estado de hipofuncionamento com o avanço da idade. Esse hipofuncionamento se deve basicamente a uma redução dos sítios de ligação do ligante do receptor. Curiosamente, esse efeito é mais proeminente no córtex em comparação ao hipocampo.

Em pessoas com doenças neurodegenerativas relacionadas à idade, como a doença de Alzheimer, o grau de inativação do receptor NMDA é muito maior do que em pessoas saudáveis da mesma idade. Estudos propuseram que o hipofuncionamento do receptor NMDA pode induzir características neurodegenerativas semelhantes à doença de Alzheimer, e a amiloidose (deposição anormal de proteína beta-amilóide) pode deteriorar ainda mais o estado de hipofuncionamento do receptor NMDA. A contribuição coletiva desses processos pode eventualmente desencadear o início da doença de Alzheimer.

Aumentar o funcionamento do receptor NMDA por meio de várias drogas tornou-se uma estratégia terapêutica importante na prevenção da neurotoxicidade associada ao hipofuncionamento do receptor. Por exemplo, descobriu-se que drogas que aumentam a neurotransmissão GABAA reduzem a liberação excessiva de acetilcolina e subsequentemente previnem a neurotoxicidade causada pelo hipofuncionamento do receptor NMDA.

Da mesma forma, descobriu-se que drogas que ativam os receptores alfa-adrenérgicos reduzem a liberação de acetilcolina e previnem a neurotoxicidade e as complicações psiquiátricas causadas pelo hipofuncionamento do receptor NMDA.

Hiperativação do receptor NMDA

Tanto a hipofunção quanto a hiperativação do receptor NMDA são problemáticas (Zhou, & Sheng, 2013). O excesso de ativação é frequente em pacientes inflamados, com excesso de homocisteína e em casos de hipóxia. Também associa-se a doenças que cursam com excesso de glutamato, como Parkinson, Alzheimer, epilepsia, esclerose lateral amiotrófica, esquizofrenia, isquemia, transtorno do espectro autista. Leia sobre glutamato e neuroinflamação neste outro texto.

Como o receptor NMDA (NMSAR) pode ter papeis opostos?

Existem 2 modelos explicativos para o fenômeno. O modelo de localização (a) propõe que a ativação de NMDAR nas regiões extra-sinápticas (em marrom, na figura abaixo) leva à ativação de vias de sinalização de morte celular, enquanto a ativação de NMDARs sinápticos (em azul) é neuroprotetora.

O modelo de composição de subunidades (b) propõe que a ativação de GluN2B-NMDARs (verde) é excitotóxica, enquanto a ativação de GluN2A-NMDARs (laranja) é neurotrófica. Observe que os GluN2A-NMDARs são mais preferencialmente localizados na sinapse, enquanto os GluN2B-NMDARs são preferencialmente distribuídos nas regiões extra-sinápticas.

COMO MODULAR OS RECEPTORES NMDA?

Para modular os receptores NMDA é fundamental o combate à inflamação, ajuste de magnésio e zinco na dieta. Podemos também usar L-teanina e extrato de groselha negra para melhorar o funcionamento dos astrócitos e regular GABA, neurotransmissor que contrabalanceia o glutamato. Aprenda mais sobre nutrição e o cérebro em https://t21.video.

Melhorar a microbiota para reduzir a inflamação e prevenir doenças neurodegenerativas

Há evidências crescentes de estudos clínicos e pré-clínicos sugerindo que um desequilíbrio no microbioma intestinal (MI), conhecido como disbiose, desempenha um papel significativo no desenvolvimento de distúrbios neurodegenerativos, como a doença de Alzheimer (DA) e a doença de Parkinson (DP).

A pesquisa em andamento sobre o MI forneceu informações valiosas sobre a composição e as características do microbioma associado a doenças neurodegenerativas. Além disso, estudos demonstraram a influência de moléculas específicas derivadas do MI na neurodegeneração. Essas descobertas abriram novas possibilidades para o desenvolvimento de novos probióticos que poderiam tratar distúrbios neurodegenerativos de forma significativa.

Revisão publicada em 2023 resume o conhecimento atual sobre a composição e características do MI em relação às doenças neurodegenerativas.

Destaca-se a interação entre a suscetibilidade genética do hospedeiro à neurodegeneração e à disbiose intestinal. Corynebacterium, Porphyromonas e Prevotella interagem com as variantes genéticas rs356229, rs10029694 e rs6856813, respectivamente.

Além disso, Citrobacter rodentium interage com a neurotoxina microbiana ambiental BMAA , desencadeando disfunção mitocondrial e levando à neurodegeneração. Além disso, a autofagia defeituosa, a falha na eliminação de patógenos intracelulares induz alterações na composição do microbioma intestinal, num ciclo vicioso.

Também discute resultados de pesquisas sobre moléculas-chave derivadas do MI que afetam a neurodegeneração. Além disso, a revisão explora as aplicações potenciais de novos probióticos, incluindo Clostridium butyricum, Akkermansia muciniphila, Faecalibacterium prausnitzii e Bacteroides fragilis, no manejo e alívio de doenças neurodegenerativas.

Aprenda a modular a microbiota intestinal aqui.

Aprenda a interpretar testes nutrigenéticos aqui.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Suplementos na SIBO por aumento de sulfeto de hidrogênio

SIBO é a abreviação de supercrescimento bacteriano no intestino delgado (em inglês). Como o nome sugere, acontece quando bactérias intestinais normais começam a crescer no intestino delgado, uma parte do trato digestivo onde normalmente não estariam presentes (a maioria das bactérias reside no intestino ou intestino grosso).

Dependendo do tipo de bactéria que está a crescer no intestino delgado haverá maior produção de hidrogênio (não específico), metano (mais ligado à constipação) ou sulfeto de hidrogênio (cursa mais com diarreia). Hoje, o foco será neste último gás.

O sulfeto de hidrogênio (H2S) é uma molécula produzida pela microbiota intestinal com efeitos variados na fisiologia humana. A produção endógena de H2S ocorre através das enzimas cistationina beta-sintase (CBS), cistationina gama-liase (CSE) e 3-mercaptopiruvato enxofre transferase (3-MST). Estas enzimas são dependentes de piridoxal-5'-fosfato (forma ativa da vitamina B6).

O H2S produzido desempenha uma série de papéis fisiológicos, incluindo: supressão do estresse oxidativo no cérebro, regulação da pressão sanguínea por meio da vasodilatação e proteção das células estreladas hepáticas da cirrose no fígado.

Contudo, quando a quantidade de H2S aumenta exageradamente os efeitos passam a ser tóxicos. Concentrações excessivas geradas pela microbiota intestinal podem romper a camada de muco, gerar inflamação e até aumentar o risco de câncer de intestino.

Várias bactérias produzem H2S, sendo as mais importantes as das espécies Desulfovibrio e Bilophila (Braccia et al., 2021). Clostridium, E. coli, Pseudomonas e talvez Klebsiella também parecem ser microorganismos geradores de H2S, em menor proporção.

Tratamento da SIBO

Exercício, banhos de sol, boa mastigação, boa música e tudo o que te faça relaxar. Além disso, retire da sua dieta tudo o que já sabe que está fazendo mal e siga as dicas de suplementação:

  • Matar as bactérias: antibióticos (sob prescrição médica), óleo de orégano em cápsula ou líquido, berberina (menos potente que o óleo de orégano), bismuto entre as refeições para quebrar biofilmes (protocolo básico, junto com modificações na dieta).

  • Melhorar a motilidade: procinéticos como Megaguard.

  • Neutralizar os gases: usar gengibre, chá de gengibre (também é procinético e antiinflamatório), zinco acetato ou óxido de zinco (formas menos absorvíveis do mineral), hidroxicobalamina (também é ótimo para as mitocôndrias).

  • Dar suporte às mitocôndrias: resveratrol, curcumina e EGCG melhoram o funcionamento mitocondrial e ainda reduzem Desulfovibrio. A combinação dos polifenóis resveratrol e quercetina reduzem também Bilophila.

  • Tratar a inflamação intestinal: gengibre, azeite de oliva extra-virgem.

  • Correção de carências nutricionais. Isto é bastante individual. Analise com seu nutricionista deficiências de ferro, zinco, vitaminas do complexo B (como B1, B2, B9, B12), vitaminas antioxidantes.

  • Recuperar o intestino: repor probióticos, pós-bióticos (butirato), prebióticos, especialmente GOS, FOS e inulina. Atenção pois fibras são formadora de gases. O GOS costuma ser mais bem tolerado. Comece qualquer um deles lentamente.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/