Síndrome da ressecção anterior do reto

O câncer de cólon, reto e ânus pode atingir homens e mulheres, sendo diagnosticado mais comumente na 5a década de vida. Desenvolve-se de forma lenta, sendo resultado da combinação entre genética, má alimentação, constipação intestinal crônica, presença de pólipos. Também é mais comum em pacientes com doenças prévias como retocolite ulcerativa e doença de Crohn.

O tratamento do câncer envolve quimioterapia, radioterapia e cirurgia para ressecção do tumor. Dependendo do estágio do câncer, a cirurgia pode envolver a ressecção de parte ou todo o reto . O reto é a parte final do tubo digestivo, ligando o cólon ao ânus. A função do reto é armazenar as fezes, absorvendo água e tornando-as mais consistentes.

A síndrome de ressecção anterior do reto é um conjunto de sintomas que as pessoas que passaram por uma ressecção parcial ou total do reto podem ter. Esses sintomas incluem:

  • incontinência ou vazamento fecal,

  • frequência ou urgência evacuatória,

  • alteração da consistência das fezes,

  • evacuação dolorosa,

  • perda de fezes involuntária.

Estes sintomas afetam a qualidade de vida pois podem gerar dependência de um banheiro fácil, preocupação com a movimentação intestinal, insatisfação com evacuação, problemas nos relacionamentos sociais ou na intimidade do casal, novas responsabilidades e estratégias de vida (Whittaker et al., 2021).

O manejo da condição envolve também alterações na alimentação. A dieta que mais favorece o paciente geralmente contém menos gordura, menos fibra insolúvel, dose adequada de fibras solúveis. Ainda não existem estudos suficientes para recomendação de probióticos, tipos e doses específicas.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Epilepsia infantil

A epilepsia infantil é um termo amplo que engloba diferentes tipos de epilepsia que se manifestam em crianças. Existem mais de 500 genes associados às epilepsias e podem gerar alterações na condução nervosa cerebral. Aqui estão alguns dos principais tipos de epilepsia infantil:

  1. Síndrome de West: Também conhecida como espasmos infantis, é um tipo de epilepsia que geralmente se desenvolve nos primeiros meses de vida. Os bebês afetados por essa síndrome apresentam episódios de espasmos musculares súbitos e breves, acompanhados de perda de consciência. Pode causar atraso no desenvolvimento e dificuldades cognitivas.

  2. Síndrome de Lennox-Gastaut: É uma forma rara e grave de epilepsia que geralmente começa na infância. Caracteriza-se por múltiplos tipos de crises epilépticas, incluindo espasmos atônicos (perda súbita de tônus muscular), crises tônico-clônicas e ausências atípicas. A síndrome de Lennox-Gastaut também pode estar associada a atraso no desenvolvimento e dificuldades cognitivas.

  3. Epilepsia focal benigna da infância: Também conhecida como epilepsia rolândica, é uma forma comum de epilepsia em crianças. Geralmente, afeta crianças entre 3 e 13 anos de idade. As crises epilépticas ocorrem principalmente durante o sono e envolvem contrações ou formigamentos em um lado da face ou da boca. A epilepsia focal benigna da infância tende a desaparecer à medida que a criança cresce.

  4. Epilepsia do lobo temporal: É um tipo de epilepsia focal que afeta principalmente o lobo temporal do cérebro. Pode causar crises tônico-clônicas, ausências e sintomas característicos, como alucinações olfativas, sentimentos de déjà vu ou jamais vu e alterações emocionais. O início geralmente ocorre na infância ou adolescência.

  5. Epilepsia ausência infantil: Também conhecida como crises de pequeno mal, é caracterizada por breves períodos de perda de consciência, em que a criança parece estar "desligada" por alguns segundos. Essas crises podem ocorrer várias vezes ao dia e geralmente começam na infância.

Esses são apenas alguns exemplos de epilepsia infantil, e existem muitos outros tipos e síndromes que podem afetar as crianças. É importante que os pais ou responsáveis ​​busquem avaliação médica especializada se suspeitarem que a criança esteja apresentando crises epilépticas.

Os quadros convulsivos frequentemente geram disfunção mitocondrial, defeitos na utilização e transporte de energia, neuroinflamação, alterações na produção e liberação de neurotransmissores.

Cada tipo de epilepsia infantil pode requerer abordagens de tratamento específicas, incluindo medicamentos antiepilépticos e terapias complementares, e o acompanhamento médico adequado é essencial para controlar a condição. Além disso, a terapia nutricional é muito importante. O uso de antioxidantes, nutrientes para produção de neurotransmissores, estratégias para a redução da excitotoxicidade glutamatérgia e da inflamação. Muitas destas questões são atacadas pela dieta cetogênica.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Fatores de risco para a doença de Crohn

A doença de Crohn (DC) é uma doença inflamatória crônica do trato gastrointestinal. Uma de suas características é a inflamação de todas as camadas da parede intestinal. Embora a causa precisa seja desconhecida, a hipótese mais amplamente aceita considera a DC como uma condição imunomediada em indivíduos geneticamente suscetíveis.

Algumas alterações genéticas aumentam o risco para a doença de Crohn. Pessoas GG para o polimorfismo rs2066845 do gene NOD2, produzem mais radicais livres, aumentando o risco de desenvolvimento de doença de Crohn em 3 vezes. Portadores do alelo G para o polimorfismo rs2241880 do gene ATG16L1 também apresentam maior risco de desenvolvimento da doença.

Muitas vezes, o início da doença é desencadeado por fatores ambientais que perturbam a barreira mucosa, alteram o equilíbrio saudável da microbiota intestinal e estimulam anormalmente as respostas imunes intestinais. Anticorpos para vários antígenos específicos foram relatados no soro de pacientes com DC e incluem anticorpos microbianos como o anticorpo anti-Saccharomyces cerevisiae (ASCA), o anticorpo anti-membrana externa porina C (OmpC)e o anticorpo anti-flagelina (Cbir1).

Microbiota intestinal desregulada associa-se à maior risco de Crohn

As interações microbianas desreguladas do hospedeiro desempenham papéis críticos na iniciação e perpetuação da inflamação intestinal na DC. Trabalho publicado em 2023 mostrou que há uma forte interação entre a microbiota intestinal com vários tecidos.

Foram analisadas 540 amostras intestinais de 30 pacientes com doença de Crohn e amostras fecais de pacientes com Crohn e pacientes saudáveis. Foi observada desregulação na imunidade antimicrobiana e também no metabolismo de vários tecidos dos pacientes com a doença inflamatória intestinal.

Uma das características era a alteração da microbiota ( com maior presença dos gêneros Alistipes, Dialister, Fusobacterium e Streptococcus, e menor alfa diversidade) em comparação com indivíduos saudáveis (Gao et al., 2023).

A inflamação parece iniciar na mucosa e passar para outros tecidos intestinais e acessórios, perda da permeabilidade seletiva e translocação microbiana. Tecidos inflamados são mais vulneráveis a patógenos oportunistas e antígenos alimentares.

O gênero Alistipes também está ligado à maior risco de câncer, inflamação e piora da saúde mental (Parker et al., 2020). O gênero Dialister pertence a ordem Firmicutes e inclui bacilus gram-negativos anaeróbios (Morio et al., 2007). Está envolvido em maior risco de infecções (periodontite, gengivite, infecções respiratórias, abcessos cerebrais, etc).

Por fim, o gênero Streptococccus tem sido reconhecido como um fator de risco para a doença de Crohn em indivíduos geneticamente susceptíveis (Bermont et al., 2020).

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/