Agregados de α-syn são encontrados no cérebro e fora dele. A α-syn da periferia pode invadir estruturas neurais vulneráveis, como o epitélio olfatório e o sistema nervoso entérico. Embora intestino e cérebro possuam barreiras imunológicas e físicas que os protegem contra insultos ambientais, essas barreiras se deterioram constantemente com o envelhecimento, viroses, autoimunidade, contato com toxinas, inflamação.
A microbiota de pacientes com DP exibe um perfil pró-inflamatório devido ao aumento da permeabilidade intestinal e presença de endotoxinas (lipopolissacarídeos bacterianos). Amilóides bacterianos também podem favorecer um ambiente pró-inflamatório no intestino.
A suplementação de bactérias probióticas tem sido associada à melhora dos sintomas gastrointestinais associados à DP, assim como redução da inflamação local e da neuroinflamação. Lactobacilos inibem a formação de biofilmes por bactérias patogênicas. Contudo, apesar do número crescente de produtos probióticos disponíveis para os consumidores e do marketing agressivo proclamando sua eficácia, existem poucos estudos abordando as preocupações sobre a eficácia e, mais importante, a segurança desses produtos. Mas podemos incluir na dieta alimentos que contenham naturalmente probióticos como iogurte, kefir e vegetais fermentados.
Redução do estresse oxidativo na doença de Parkinson
A doença de Parkinson (DP) também está associada ao estresse oxidativo e à diminuição da glutationa (GSH), sugerindo que as terapias que aumentam o GSH podem ter um efeito modificador da doença.
Uma das formas de aumentar GSH é pela administração oral ou intravenosa de alta dose de N-acetilcisteína (NAC). O NAC aumenta o GSH sanguíneo e cerebral em indivíduos com DP.
Em um estudo, pacientes com DP receberam uma alta dose de NAC por 4 semanas. O GSH cerebral foi medido no córtex occipital antes e após 28 dias do uso de 6.000 mg de NAC/dia. Como a dose foi muito alta (10 vezes maior do que a normalmente indicada para adulto) a maior parte dos pacientes tiveram efeitos colaterais.
Embora as medidas antioxidantes periféricas (catalase e GSH/GSSG) tenham aumentado significativamente em relação à linha de base, os indicadores de dano oxidativo, ou seja, as medidas de peroxidação lipídica (4-HNE e MDA) permaneceram inalterados.
Não houveram aumentos significativos no GSH cerebral, o que pode estar relacionado à baixa biodisponibilidade oral de NAC. Outros estudos precisaram avaliar se o uso intravenoso traria melhores efeitos (Coles et al., 2017).
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