Benefícios dos probióticos

Probióticos são bactérias vivas presentes em alimentos como iogurte e kefir. São popularmente conhecidos pelo seu efeito benéfico na saúde intestinal. Mas os probióticos possuem muitos outros benefícios.

12 benefícios dos probióticos

  1. Ajudam a prevenir e tratar problemas digestivos como diarreia, constipação e doenças inflamatórias intestinais.

  2. Produzem enzimas, melhorando a digestão dos alimentos.

  3. Sintetizam vitaminas, incluindo vitamina K e a maioria das vitaminas B solúveis em água, como biotina, cobalamina, folatos, ácido nicotínico, ácido pantotênico, piridoxina, riboflavina e tiamina.

  4. Contribuem para a perda de peso e redução da gordura da barriga.

  5. Têm efeito psicobiótico, contribuindo para a redução de sintomas associados à depressão, ansiedade e perda de memória.

  6. Melhoram a saúde cardíaca.

  7. Ajudam a reduzir os níveis de colesterol e triglicerídeos.

  8. Potencializam a imunidade.

  9. Mantém a saúde urogenital.

  10. Ajudam o corpo a controlar os níveis de açúcar no sangue.

  11. Fortalecem ossos e articulações.

  12. Protegem contra doenças do fígado.

APRENDA A TRATAR O INTESTINO E A PRESCREVER PROBIÓTICOS

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Tratamento nutricional da doença de Parkinson

Mesencéfalo (área vermelha)

A Doença de Parkinson (DP) é um distúrbio neurodegenerativo comum tipicamente associado à perda progressiva de neurônios dopaminérgicos localizados no núcleo da substância nigra do mesencéfalo.

A marca neuropatológica da DP é a presença de inclusões citoplasmáticas, chamadas corpos de Lewy ou neurites de Lewy nos neurônios. Os corpos de Lewy são compostos principalmente de agregados de α-sinucleína (α-syn), que possuem um efeito neurotóxico. Como consequência da queda da dopamina surgem alterações motoras e não motoras, incluindo disfunções olfativas e gastrointestinais.

Alterações gastrointestinais e Parkinson

Os seres humanos desenvolveram uma relação simbiótica com seu microbioma intestinal, uma comunidade complexa composta por bactérias, archaea, protistas e vírus. O intestino possui um sistema nervoso próprio que é um portal para a comunicação bidirecional entre o cérebro e o intestino, principalmente através do nervo vago.

A α-syn é uma proteína intrinsecamente desordenada, que carece de uma estrutura 3D estável. Atualmente, investiga-se a relação entre os desequilíbrios na microbiota intestinal (disbiose) e o aumento de α-syn no cérebro.

Muitos estudos sugerem que as toxinas intestinais podem induzir a formação de agregados α-syn no sistema nervoso entérico. A quebra da proteostase, uma característica comum de muitas doenças neurodegenerativas é definida como acúmulo de proteínas mal dobradas por falta ou falha de depuração das mesmas (Santos et al., 2019).

O nervo vago possuem microtúbulos que podem levar proteínas, incluindo a alfa-sinucleína. A agregação excessiva de proteínas mal dobradas pode levar à morte celular, incluindo a degradação de neurônios dopaminérgicos.

Comunicação intestino-cérebro

A interação bidirecional entre o cérebro e o intestino é mediada por vias neurais, como o nervo vago, e humorais, como o tecido linfático e a corrente sanguínea. Uma camada única de células epiteliais separa o lúmen intestinal e o complexo microbioma intestinal dos tecidos linfoides e nervosos entéricos subjacentes.

Comunicação intestino cérebro pelo nervo vago (VN pathway, em vermelho) e outras vias (Non-VN pathway, em roxo) - Santos et al., 2019

Agregados de α-syn são encontrados no cérebro e fora dele. A α-syn da periferia pode invadir estruturas neurais vulneráveis, como o epitélio olfatório e o sistema nervoso entérico. Embora intestino e cérebro possuam barreiras imunológicas e físicas que os protegem contra insultos ambientais, essas barreiras se deterioram constantemente com o envelhecimento, viroses, autoimunidade, contato com toxinas, inflamação.

A microbiota de pacientes com DP exibe um perfil pró-inflamatório devido ao aumento da permeabilidade intestinal e presença de endotoxinas (lipopolissacarídeos bacterianos). Amilóides bacterianos também podem favorecer um ambiente pró-inflamatório no intestino.

A suplementação de bactérias probióticas tem sido associada à melhora dos sintomas gastrointestinais associados à DP, assim como redução da inflamação local e da neuroinflamação. Lactobacilos inibem a formação de biofilmes por bactérias patogênicas. Contudo, apesar do número crescente de produtos probióticos disponíveis para os consumidores e do marketing agressivo proclamando sua eficácia, existem poucos estudos abordando as preocupações sobre a eficácia e, mais importante, a segurança desses produtos. Mas podemos incluir na dieta alimentos que contenham naturalmente probióticos como iogurte, kefir e vegetais fermentados.

Redução do estresse oxidativo na doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) também está associada ao estresse oxidativo e à diminuição da glutationa (GSH), sugerindo que as terapias que aumentam o GSH podem ter um efeito modificador da doença.

Uma das formas de aumentar GSH é pela administração oral ou intravenosa de alta dose de N-acetilcisteína (NAC). O NAC aumenta o GSH sanguíneo e cerebral em indivíduos com DP.

Em um estudo, pacientes com DP receberam uma alta dose de NAC por 4 semanas. O GSH cerebral foi medido no córtex occipital antes e após 28 dias do uso de 6.000 mg de NAC/dia. Como a dose foi muito alta (10 vezes maior do que a normalmente indicada para adulto) a maior parte dos pacientes tiveram efeitos colaterais.

Embora as medidas antioxidantes periféricas (catalase e GSH/GSSG) tenham aumentado significativamente em relação à linha de base, os indicadores de dano oxidativo, ou seja, as medidas de peroxidação lipídica (4-HNE e MDA) permaneceram inalterados.

Não houveram aumentos significativos no GSH cerebral, o que pode estar relacionado à baixa biodisponibilidade oral de NAC. Outros estudos precisaram avaliar se o uso intravenoso traria melhores efeitos (Coles et al., 2017).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Importância do colesterol e seu metabolismo, da síntese à excreção

O colesterol, apesar de ter uma má fama, é uma substância essencial para o nosso organismo. Ele desempenha diversas funções importantes, como:

  • Constituinte das membranas celulares: Ajuda a manter a estrutura e a flexibilidade das células.

  • Produção de hormônios: É um precursor dos hormônios sexuais (testosterona e estrogênio) e dos hormônios corticais (cortisol).

  • Síntese de vitamina D: Essencial para a absorção de cálcio e a saúde dos ossos.

  • Formação de ácidos biliares: Auxiliam na digestão das gorduras.

O Metabolismo do Colesterol: Um Equilíbrio Delicado

O metabolismo do colesterol é um processo complexo que envolve a produção, o transporte e a eliminação desta substância. O fígado é o principal órgão responsável pela produção de colesterol, mas ele também pode ser obtido através da dieta.

Adultos saudáveis normais sintetizam o colesterol a uma taxa de aproximadamente 1 g/d e consomem aproximadamente 0,3 g/d de colesterol na dieta. Obviamente, isso pressupõe uma dieta saudável normal que não constitua ingestão excessiva de colesterol. Além disso, vegetarianos e veganos podem ter um consumo bem menor.

De toda forma, um nível relativamente constante de colesterol no sangue (150-199 mg/dL) é mantido principalmente pelo controle do nível de síntese de novo. A síntese de colesterol é necessária apenas para suprir um pouco menos da metade das necessidades corporais diárias, já que o restante é derivado da dieta. A biossíntese no fígado é responsável por aproximadamente 10% e nos intestinos aproximadamente 15% da quantidade produzida de novo a cada dia.

Assim, a taxa e o nível de síntese de colesterol são regulados tanto pela ingestão dietética de colesterol quanto pelo colesterol contribuído para o pool pela síntese de novo. O colesterol da dieta e da síntese é utilizado para a síntese dos ácidos biliares e os hormônios esteroides, além de ser incorporado às membranas celulares. A maior proporção de colesterol é consumida na síntese do ácido biliar no fígado.

Origem dos átomos de carbonos para síntese de Colesterol

A síntese e a utilização do colesterol devem ser rigidamente reguladas para evitar o acúmulo excessivo e a deposição anormal no corpo. A síntese do colesterol ocorre a partir do grupo acetato de 2 carbonos do acetil-CoA, que pode ser derivado da oxidação da glicose, oxidação de aminoácidos e oxidação lipídica. Como todas essas fontes de acetil-CoA se originam na mitocôndria e a síntese de colesterol ocorre no citosol, a acetil-CoA deve ser transportada para fora da mitocôndria.

Síntese de colesterol pela via do mevalonato. O número de carbonos no interior de cada estrutura química está anotado nos círculos cinzas à esquerda. Fonte: lecturio

A acetil-CoA também pode ser sintetizada a partir do acetato citosólico derivado da oxidação citoplasmática do etanol, que é iniciada por uma álcool desidrogenase citoplasmática (ADH3). A reação de síntese de acetil-CoA é catalisada pela acetil-CoA sintetase citosólica (acetil-CoA ligase). Essa é uma das razões pelas quais o consumo excessivo de álcool é um contribuinte significativo para níveis séricos elevados de colesterol e lipídios.

Gasto de energia para síntese de Colesterol

A síntese do colesterol é um processo altamente complexo que requer cerca de 30 reações individuais que consomem mais de 250 moles de ATP. A conversão de HMG-Coa a mevalonato constitui a reação limitante de velocidade e é catalisada pela HMG-CoA redutase (HMGR). A síntese de colesterol pode ser simplificada em 5 etapas principais:

  1. Acetil-CoAs são convertidos em 3-hidroxi-3-metilglutaril-CoA (HMG-CoA).

  2. HMG-CoA é convertido em mevalonato.

  3. O mevalonato é convertido na molécula à base de isopreno, isopentenil pirofosfato (IPP ou PPi), com perda concomitante de CO2.

  4. O IPP é convertido em esqualeno.

  5. O esqualeno é convertido em colesterol.

Biossíntese de colesterol (Murray et al., 2012)

Colesterol não pode estar baixo, nem em excesso pois pode sofrer oxidação. De particular importância clínica é a deposição anormal de lipoproteínas ricas em colesterol oxidado nas artérias coronárias. Essa deposição, eventualmente levando à aterosclerose, é o principal fator contribuinte nas doenças das artérias coronárias.

Produção de sais biliares a partir do Colesterol

Os ácidos biliares são sintetizados a partir do colesterol e são conhecidos por estarem envolvidos com a emulsificação e digestão de lipídios alimentares e vitaminas lipossolúveis. O processo de produção de sais biliares passa por algumas fases:

Captura do colesterol: O fígado capta o colesterol proveniente da dieta ou sintetizado endogenamente.

  1. Conversão em ácidos biliares primários: Através de uma série de reações enzimáticas complexas, o colesterol é convertido nos ácidos biliares primários.

  2. Conjugação: Os ácidos biliares primários são conjugados com a glicina ou taurina, tornando-se mais hidrossolúveis e aumentando sua eficiência na emulsificação das gorduras.

  3. Secreção: Os ácidos biliares conjugados são secretados na bile, que é armazenada na vesícula biliar.

Além da importância para digestão e absorção de gorduras, os ácidos biliares podem atuar como efetores de sinalização celular por meio da ligação e ativação de receptores na membrana celular e no núcleo. Em condições em que o fígado está danificado todas estas funções podem ficar prejudicadas. Mais recentemente, esforços foram feitos para investigar o papel dos ácidos biliares em doenças fora daquelas associadas a danos no fígado. Por exemplo, os ácidos biliares podem ter papel na função neurológica (McMillin, & DeMorrow, 2016).

Suplementação de ácidos biliares

A suplementação de ácidos biliares pode ser considerada em casos onde a produção natural desses compostos está comprometida, como em:

  • Doenças hepáticas: Cirrose, hepatite crônica e outras condições que afetam a função hepática podem diminuir a produção de ácidos biliares.

  • Distúrbios da vesícula biliar: A remoção da vesícula biliar ou problemas na sua função podem levar a uma má digestão de gorduras.

  • Doenças intestinais: Algumas doenças intestinais, como a doença de Crohn, podem afetar a absorção de ácidos biliares.

  • Deficiências nutricionais: Pessoas com má absorção de gordura podem apresentar deficiências de vitaminas lipossolúveis.

Benefícios da suplementação:

  • Melhora da digestão: Facilita a digestão e absorção de gorduras, aliviando sintomas como diarreia, flatulência e má absorção de nutrientes.

  • Aumento da energia: A melhor absorção de nutrientes pode levar a um aumento nos níveis de energia.

  • Redução de sintomas de má absorção: Pode aliviar sintomas como perda de peso, fezes gordurosas e deficiências vitamínicas.

Cuidados na suplementação

A degradação de colesterol e ácidos biliares depende de um conjunto de enzimas (como CYPs, HSDs, SLCs). Suplementar demais pode sobrecarregar várias destas enzimas, que também são necessárias para outras funções como destoxificação (especialmente CYPs). Por isso, sempre converse com um médico, antes da suplementação.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/