Estratégias para redução da dor crônica

A inflamação é um processo fisiológico cujo objetivo é nos proteger de agentes infecciosos, toxinas e outras agressões ambientais, iniciar o processo de reparação tecidual após a lesão, e permitir o retorno à homeostase. Mas uma vez que esses objetivos sejam alcançados, a inflamação deve terminar (resolução). Isso significa que, em condições normais, a inflamação é uma resposta aguda limitada no tempo.

A variedade de doenças e processos de doenças nos quais a microbiota está envolvida, incluindo transtornos psiquiátricos e neurodegenerativos, dor, ansiedade, estresse, síndrome do intestino irritável (SII), derrame, compulsão e obesidade (Cryan et al., 2019)

⁣No entanto, quando o processo de resolução da inflamação não é adequado ou quando há estímulos inflamatórios em curso (como obesidade visceral, inatividade física, padrão de sono inadequado, estresse psicológico, exposição a vários xenobióticos e dieta inadequada), a inflamação pode se tornar crônica e sistêmica. E, mesmo quando de baixo grau, pode causar ou contribuir para dores, síndrome metabólica, diabetes tipo II, esteatose hepática não alcoólica, doenças cardiovasculares, sarcopenia, osteopenia, depressão e doenças neurodegenerativas. ⁣

Além disso, a inflamação crônica envolvida em diversos tipos de câncer, osteoartrite e doença renal crônica. Altera também o estado nutricional de diversos micronutrientes, depletando zinco, ferro e vitaminas A, C, D, E, B2 e B6. Por fim, promove a imunossenescência (envelhecimento do sistema imune) e reduz a tolerância imunológica, o que pode comprometer a resposta a agentes infecciosos ou contribuir para a autoimunidade. ⁣ Inflamação crônica, mesmo que de baixo grau, está associada a maior mortalidade em vários estudos epidemiológicos⁣.

De forma grosseira, os tipos de dor podem ser categorizados como dor nociceptiva, dor inflamatória (que está associada a danos nos tecidos e à infiltração de células imunes) ou dor patológica, que é um estado de doença causado por danos ao sistema nervoso ou por sua função anormal de células e tecidos (como na dor neuropática, fibromialgia, enxaqueca e dor de cabeça). Dentro dessas categorias, a dor pode ser subcaracterizada como somática (pele e tecidos profundos) ou visceral (relacionada aos órgãos internos).

Tratamento da dor crônica

A dieta antiinflamatória e o tratamento da doença de base são fundamentais. Além disso, muitos estudos mostram que a microbiota precisa ser melhorada, uma vez que muito da resposta da dor deve-se aos distúrbios nociceptivos do intestino.

A dor visceral é muito comum em pacientes com infecção por Clostridium difficilie, com intestino irritável ou doenças inflamatórias intestinais. Envolve mecanismos regulados central e perifericamente e, portanto, são frequentemente referidos como distúrbios do eixo intestino-cérebro. Muitos destes pacientes apresentam diminuição da abundância relativa dos gêneros Bifidobacterium e Lactobacillus e aumento da razão Firmicutes-para-Bacteriodetes.

Antibióticos, incluindo metronidazol, vancomicina ou fidaxomicina permaneçam no tratamento de primeira linha para a infecção por C. difficile, com associação a recolonização com suplementos probióticos. Outros pacientes só apresentam bons resultados com o transplante de microbiota fecal de pessoa saudável. O mesmo pode ocorrer em pacientes com doenças inflamatórias intestinais como colite ulcerativa e doença de Crohn.

A microbiota intestinal saudável pode estimular a liberação de compostos supressores de dor endógenos do corpo, incluindo opioides de neutrófilos e monócitos inatos, endocanabinoides do tecido colônico, bem como outros moduladores de dor, incluindo monoaminas.

Fitoquímicos na redução da dor

Existem vários fitoquímicos capazes de auxiliar na redução da dor crônica. Os mecanismos de ação são variados, incluindo modulação da inflamação, estress oxidativo, redução da sensibilidade de receptores de dor periféricos, modulação dos níveis de neurotransmissores. Pessoas com enxaqueca, fibromialgia, osteoartrite, dor neuropática associada a diabetes ou herpes, devem caprichar em estratégias descritas na dieta antiinflamatória e nos fitoquímicos moduladores da dor.

Açúcar contribui para a dor crônica

Quando açúcar (glicose) é ingerido, ele permeia as paredes do intestino, o que diz ao pâncreas para secretar insulina. A insulina, por sua vez, pega o açúcar do sangue e o move para as células para ser usado como fonte de energia. Ótimo. Só que o excesso de açúcar tem efeitos indesejáveis para quem sente dor.

Muito açúcar sobrecarrega o fígado e, quando isso acontece, citocinas inflamatórias e radicais livres produzidos afetam a saúde do coração, das articulações, piora a imunidade, acelera o envelhecimento.

TAMBÉM VALE A PENA MODULAR O NEUROTRANSMISSOR GABA

Níveis reduzidos deste neurotransmissor aumentam a percepção de dor. Aumentar a Neurotransmissão de Gaba é uma estratégia que auxilia na modulação da dor (Reckziegel et al., 2016).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Causas dos abortos de repetição | Por que algumas mulheres perdem tantos bebês?

Muitos fatores contribuem para irregularidades no ciclo menstrual e dificuldade de gravidez, como alterações hormonais e síndrome dos ovários policísticos. Aumento de estrogênio e redução da progesterona são comuns. E existe associação entre estes desequilíbrios e maior risco de câncer endometrial, câncer de mama, osteoporose, diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial.

Existem também as mulheres que não possuem os problemas acima, engravidam mas perdem o bebê. Existem alterações genéticas associadas a maior probabilidade de abortos espontâneos e a imagem abaixo traz alguns destes genes, como aqueles que afetam a coagulação.

10 genes que podem aumentar o risco de abortos - Genecards, 2022

Quando a mulher não forma o corpo lúteo pode ter menor produção de progesterona e dificuldade de implantação do embrião no endométrio. A deficiência de vitamina D também associa-se a menor quantidade de progesterona e a suplementação desta vitamina ajuda a regular a produção hormonal na fase lútea (pós-ovulação) do ciclo menstrual. A vitamina D também reduz a inflamação e melhora a microbiota do endométrio (Shin et al., 20210; Benner et al., 2018).

Antes de tentar engravidar novamente chegue a um peso saudável

O excesso de gordura corporal atrapalha o processo de decidualização do endométrio, importante para estabelecer um ambiente adequado de citocinas e imunomoduladores durante a implantação. Além disso, é importante manter todo o corpo desinflamado, cuidando do intestino, não deixando faltar nutrientes antioxidantes, vitamina D e ômega-3 (Kaushal, & Magon, 2013).

Processos alérgicos e doenças autoimumes também contribuem para o processo inflamatório e aumentam as chances de abortos espontâneos. Pela parte do pai, devem-se ter cuidados semelhantes, com dieta antiinflamatória, redução no consumo de álcool, cessação do tabagismo, reduzindo-se assim o risco de fragmentação do DNA espermático. É bom lembrar que aproximadamente 52% dos casos de infertilidade são causados por fatores masculinos — sendo a fragmentação do DNA espermático um deles. Também é responsável por grande número de abortos recorrentes.

Para que o espermatozoide chegue até o óvulo e o fertilize, é necessário que seu material genético esteja íntegro. Caso haja falhas ou danos no DNA, mesmo que pequenos, pode haver comprometimento da capacidade fértil do gameta ou ainda o embrião pode sofrer aborto espontâneo.

É normal, em indivíduos considerados saudáveis, que uma pequena parcela dos espermatozoides possua DNA com alguma quebra ou dano, entretanto, a maior parte deles possuem cromatina íntegra. Sabe-se que espermatozoides com danos no material genético não apresentam a mesma qualidade daqueles que não possuem quebras. Gametas com altas taxas de DNA danificado se tornam incapazes de fertilizar o óvulo de maneira adequada e as chances de gravidez natural se tornam muito pequenas.

O que causa a fragmentação do DNA espermático?

fragmentação do DNA espermático pode ser causada por diversos fatores internos ou externos que levam ao desequilíbrio do organismo e comprometem a qualidade dos espermatozoides. É possível destacar como causas dessas alterações:

  • Estresse oxidativo (desequilíbrio entre a quantidade de radicais livres e a quantidade de antioxidantes) - acontece no processo de ejaculação ou em contato com disbiose vaginal.

  • Varicocele;

  • Hipogonadismo;

  • Problemas circulatórios;

  • Infecções do trato reprodutivo;

  • Dieta inadequada;

  • Tabagismo;

  • Exposição a drogas e substâncias nocivas (drogas ilícitas, terapias quimio e radioterápicas, terapias imunossopressoras);

  • Febre alta e temperatura testicular elevada;

  • Sedentarismo;

  • Câncer;

  • Doenças autoimunes;

  • Idade avançada;

  • Andar de bicicleta mais de 5 horas por semana.

Valores normais

Homens com até 20% de espermatozoides com DNA fragmentado são considerados férteis (mas o ideal dos mundos é abaixo de 15% de fragmentação). De 20% a 29% é considerado nível intermediário e acima de 30% é considerado alta fragmentação do DNA, em que o homem terá dificuldades para que a gravidez ocorra naturalmente mesmo com inseminação artificial. Espermatozoides sem fragmentação de DNA possuem Halo aparente, enquanto que os que possuem a fragmentação apresentam a cabeça sem o halo, com uma característica mais apagada.

Tratamento da fragmentação espermática

O indivíduo que possui o teste positivo para fragmentação espermática pode se beneficiar por meio do tratamento com agentes antioxidantes (vitamina C e E), antibióticos e anti-inflamatórios antes de se submeter à fertilização, ou também ser submetido a uma biópsia testicular no qual se encontram espermatozoides sem ou com baixo índice de fragmentação

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

PARA QUE SERVE O DHEA? EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS E RISCO NO USO

A desidroepiandrosterona (DHEA) é um hormônio naturalmente produzido pelo nosso organismo. É um intermediário na produção de hormônios sexuais como testosterona e estrogênio. Os níveis naturais de DHEA atingem o pico no início da idade adulta e depois caem lentamente à medida que envelhecemos. Uma versão sintética do DHEA está disponível como comprimido, cápsula, pó, creme tópico e gel. Mas vale a pena repor?

Ainda existem poucas evidências para apoiar o uso do DHEA, especialmente as alegações antienvelhecimento. Além disso, o uso de DHEA pode causar sérios efeitos colaterais, incluindo aumento no risco de cânceres sensíveis a hormônios, incluindo câncer de próstata, mama e ovário. Também não deve ser usado por mulheres grávidas ou amamentando.

O uso de DHEA também pode piorar os transtornos psiquiátricos e aumentar o risco de mania em pessoas que têm transtornos de humor. Além disso, existem interações com medicamentos, incluindo:

  • Antipsicóticos. O uso de DHEA com antipsicóticos como a clozapina (Clozaril, Versacloz, outros) pode reduzir a eficácia da droga.

  • Carbamazepina (Tegretol, Carbatrol, outros). O uso de DHEA com este medicamento usado para tratar convulsões, dores nos nervos e transtorno bipolar pode reduzir a eficácia do medicamento.

  • Estrogênio. Não use DHEA com estrogênio. A combinação de DHEA e estrogênio pode causar sintomas de excesso de estrogênio, como náusea, dor de cabeça e insônia.

  • Lítio. O uso de DHEA com lítio pode reduzir a eficácia do medicamento.

  • Inibidores seletivos da recaptação de serotonina. O uso de DHEA com este tipo de antidepressivo pode causar sintomas maníacos.

  • Testosterona. Não use DHEA com testosterona. A combinação de DHEA e testosterona pode causar sintomas como baixa contagem de espermatozóides e mamas aumentadas em homens (ginecomastia) e o desenvolvimento de características tipicamente masculinas em mulheres.

  • Triazolam (Halcion). O uso de DHEA com este sedativo pode aumentar os efeitos desse medicamento, causando sedação excessiva e afetando sua respiração e frequência cardíaca.

  • Ácido valpróico. O uso de DHEA com este medicamento usado para tratar convulsões e transtorno bipolar pode reduzir a eficácia do medicamento.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/