PROPRIEDADES NEUROPROTETORAS DA GRELINA NO PARKINSON E ALZHEIMER

Muito tem sido falado sobre o impacto da beta-amilóide, tau e alfa-sinucleína no desenvolvimento da doença de Alzheimer (DA) e doença de Parkinson (DP), mas as falhas clínicas das últimas décadas indicam que existem outros mecanismos patológicos em ação nestas doenças.

De fato, além dos amilóides, a DA e a DP são caracterizadas pela interação de estresse oxidativo, disfunção e hiperfissão mitocondrial, autofagia e mitofagia defeituosas, inflamação sistêmica, hiperpermeabilidade da barreira hematoencefálica, dano vascular, desmielinização, resistência à insulina cerebral, perda da produção de dopamina na DP, neurogênese prejudicada e, claro, degeneração axonal, sináptica e neuronal generalizada que leva a impedimentos cognitivos e motores.

Curiosamente, a forma acilada do hormônio grelina mostrou potencial para melhorar as últimas alterações patológicas, embora alguns estudos indiquem algumas complicações que precisam ser consideradas na administração a longo prazo do hormônio.

Um número crescente de trabalhos tem relacionado a obesidade como um fator de risco para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Durante o ganho de peso existe uma redução nos níveis plasmáticos e no sistema nervoso dos hormônios orexígenos grelina (Ghr) e neuropeptídeo Y (NPY), que além de regularem a ingestão de alimentos, também participam da modulação de processos cognitivos, emocionais e neurodegenerativos.

A ilustração acima mostra as vias neuroprotetoras após a ativação do receptor secretagogo do hormônio do crescimento tipo 1α (GHS-R1α) por grelina acilada (AG) ou agonistas de grelina em neurônios e astrócitos.

Função mitocondrial: Ao ativar o mediador chave AMPK, AG induz o coativador transcricional PGC1α. Este último, em conjunto com NRF1/2, aumenta a biogênese mitocondrial, a síntese de fator de transcrição mitocondrial A (TFAM) e a replicação/transcrição de mtDNA mediada por TFAM. Ao aumentar a transcrição de Mfn2, PGC1α protege contra a fragmentação mitocondrial.

Além disso, a fosforilação da SIRT1 nuclear mediada por AMPK/GAPDH libera esta última deacetilase e leva à inativação do NF-κB pró-inflamatório e à estimulação de genes antioxidantes e de autofagia regulados por FoxO1 .

Por último, a indução da via AMPK/CPT1a/UCP2 previne a despolarização mitocondrial patológica (como a causada por beta amilóide). Além disso, o desacoplamento mitocondrial conduzido por UCP2 aumenta a respiração mitocondrial, a eficiência bioenergética e mitiga a cogeração de ROS na cadeia transportadora de elétrons durante os estágios iniciais da doença de Alzheimer. Dado que os estágios mais avançados da doença são caracterizados por hipometabolismo neuronal da glicose e uma mudança crônica para outros processos bioenergéticos, em particular a β-oxidação de lipídios, a grelina acetilada pode apoiar a execução compensatória da β-oxidação para gerar ATP.

Astrócitos: A estimulação do GHS-R1α estimula a expressão do transportador de lactato-efluxo MCT4 pelos astrócitos, levando ao aumento da secreção de lactato, uma potente fonte de energia para os neurônios.

Como a grelina é capaz de prevenir déficits cognitivos induzidos pelo peptídeo beta amilóide e apresentar um comportamento tipo antidepressivo, em parte pela inibição do estresse oxidativo e disfunção dos sistemas glutamatérgico e colinérgico, é fundamental controle do peso e da resistência à insulina, por toda a vida e, em particular, conforme vamos envelhecendo. Uma dieta com características antiinflamatórias é indicada, associada à atividade física e sono de qualidade. Aprenda mais sobre o cérebro na plataforma T21.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Raizes da desregulação hormonal em mulheres

Muitas mulheres passam a vida com queixas de espinhas, problemas de pele, questões cognitivas, irritabilidade, sejam associadas ao período pré-menstrual, à questões de saúde como síndrome dos ovários policísticos, endometriose ou a aproximação da menopausa. Mas desconfortos intensos não são normais, tanto que não é uma questão para todas as mulheres, apesar de ser comum.

Causas da desregulação hormonal feminina

Entre principais gatilhos para os problemas hormonais estão:

  • Disfunção mitocondrial

  • Disbiose intestinal

  • Metabolização ineficiente de toxinas

  • Alterações na comunicação cérebro-glândulas

  • Consumo excessivo de alimentos ultraprocessados

  • Desnutrição

  • Falta ou excesso de atividade física

  • Estresse crônico

  • Falta de tempo para descansar ou sono de qualidade insuficiente

  • Uso de medicamentos

  • Envelhecimento e entrada na menopausa

Microbiota e equilíbrio hormonal

Antibióticos, anticoncepcionais, antidepressivos, estresse, alimentação pobre em fibras e fitoquímicos mexem com a microbiota, tanto a intestinal, quanto a vaginal. Sabemos que pelo menos oito espécies de bactérias são importantes para a proteção contra o ganho de peso excessivo. Bactérias boas produzem mais butirato, um ácido graxo de cadeia curta, fundamental para um ambiente menos inflamado.

Nossa flora intestinal pode afetar a maneira como metabolizamos a gordura, por exemplo, como o hormônio FIAF - fator adiposo induzido pelo jejum. Enquanto jejuamos, nosso corpo precisa parar de armazenar gordura e começar a queimar. O FIAF é um dos hormônios que sinalizam ao nosso corpo para fazer isso, o que pode ser útil para quem é obeso e pode ser uma das maneiras pela qual a flora intestinal gerencia nosso peso.

Algumas bactérias reprimem esse hormônio, aumentando assim o armazenamento de gordura. Por outro lado, quando alimentamos nossas bactérias com mais e variadas fibras, mais elas produzem butirato, capaz de regular positivamente o hormônio FIAF em todas as linhas celulares humanas testadas até agora.

Assim, um dos primeiros passos para regular os hormônios (não só o FIAF mas todos os outros) é comer bem e cuidar do intestino, que devem estar funcionando diariamente. O seu está?

Mulheres na perimenopausa e menopausa frequentemente optam pela reposição hormonal para que possam lidar melhor com sintomas como fogachos e irritabilidade. Neste caso, alguns cuidados são necessários:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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PRINCIPAIS ALTERAÇÕES NOS PACIENTES COM CÂNCER

O câncer é caracterizado por um crescimento anormal e descontrolado das células de um tecido ou órgão. Pode também propagar-se pelo sistema linfático ou circulação sanguínea pelo processo de metástase.

É possível identificar pelo menos 10 características biológicas comuns que ocorrem durante o câncer, como destruição imune, inflamação, ativação de invasão e metástase, angiogênese, mutações e instabilidade genômica, resistência à apoptose, desregulação energenética celular, inibição de telomerases...

DOI: https://doi.org/10.1016/j.cell.2011.02.013

Este entendimento científico é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias clínicas para a prevenção e tratamento dos vários tipos de câncer. Pesquisadores estudam, por exemplo, formas de reduzir a severidade de vários tips de câncer por meio da alimentação. É o caso do câncer de ovário.

Dieta enriquecida com linhaça reduz severidade do câncer de ovário

A intervenção dietética com linhaça, a fonte vegetal mais rica de ácidos graxos ômega-3, além de lignanas e fitoestrógenos, demonstra o potencial de prevenção e melhora efetiva do câncer de ovário ao direcionar as vias inflamatórias das prostaglandinas. A prostaglandina E2 (PGE2) é o ecoisanoide mais pró-inflamatório. Galinhas Leghorn brancas são ótimos modelos para estudo do câncer de ovário. Foram alimentadas com dieta com 10% de linhaça enriquecida ou dieta padrão por um ano. A gravidade do câncer de ovário foi determinada por patologia macroscópica e histologia. Os resultados demonstraram uma redução significativa nos tumores ovarianos em estágio avançado nas galinhas alimentadas com linhaça em comparação com as galinhas controle alimentadas com dieta padrão. Em correlação com a diminuição da gravidade do câncer de ovário, as concentrações de PGE2 e a expressão de COX-2 foram diminuídas em ovários de galinhas alimentadas com linhaça. As concentrações de PGE3 estavam abaixo do nível de detecção (Eilati et al., 2014).

Consumo de linhaça melhora o metabolismo de 1 carbono


Outro estudo mostrou que as galinhas que ingerem a linhaça como parte da dieta, sintetizam mais SAM, um doador de carbonos, importante para modulação genética e também para a produção do antioxidante glutationa. O efeito inicial é instigado quando o 1ADP (via linatina) antagoniza a vitamina B6 e reduz a atividade das enzimas CBS e CSE. Por sua vez, isso reduz o fluxo de carbono através da transsulfuração e causa aprisionamento de cistationina.

A hiperativação de BHMT induz oxidação elevada de colina e betaína, e hiperativação de MS-B12 induz oxidação elevada de moléculas como DMG e serina. O excesso de Metionina produzido pela hiperativação de BHMT e MS-B12 é então adenosilado via MAT para formar um excesso de suprimento de SAM.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/