Modulação intestinal na doença de Parkinson

A doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada por tremor, rigidez de movimento e dificuldade de locomoção. O comprometimento motor e a patologia cerebral característica não se apresentam como sintomas até um estágio bastante avançado da doença. A essa altura, muitos dos neurônios dopaminérgicos da substância negra, células responsáveis ​​pelo controle motor foram perdidos ou têm axônios degenerados.

Evidências recentes propõem uma relação entre a complexidade e a diversidade dos microrganismos que habitam o intestino e a DP. Junto com um perfil alterado da microbiota gastrointestinal, ocorre uma mudança para um estado pró-inflamatório, com possíveis efeitos prejudiciais no intestino e no cérebro. Isto justifica também alguns sintomas gastrointestinais funcionais observados na DP, como constipação, que costuma ocorrer anos antes do surgimento dos sintomas motores.

A variedade de doenças e processos de doenças nos quais a microbiota está envolvida, incluindo transtornos psiquiátricos e neurodegenerativos, dor, ansiedade, estresse, síndrome do intestino irritável (SII), derrame, compulsão e obesidade (Cryan et al., 2019)

Uma agregação da proteína α-sinucleína no cérebro é uma marca registrada da patologia de DP. Existem evidências de que a α-sinucleína no intestino pode se transportar para o cérebro. A α-sinucleína pode exercer seus efeitos via influência microbiana ou via translocação semelhante ao príon para o cérebro e pode atuar como um depósito para formas patogênicas de α-sinucleína, aumentando o risco de desenvolvimento de DP. A agregação de α-sinucleína parece ser modulada pelo metabólito microbiano intestinal LPS, uma interação bem caracterizada associada a esta via alternativa de progressão da DP.

Um valioso estudo da microbiota intestinal de pacientes com DP descreveu diferenças na composição da microbiota intestinal entre pacientes com DP e controles saudáveis. Bacteroidetes, Proteobacteria e Verrucomicrobia foram maiores em amostras fecais de DP. Os achados de diferenças de composição do micróbio intestinal na DP foram mais recentemente confirmados em uma população chinesa, com os gêneros Clostridium IV, Aquabacterium, Holdemania, Sphingomonas, Clostridium XVIII, Butyricicoccus e Anaerotruncus encontrados aumentados em pacientes com DP em comparação com controles.

Estudos mostram que intervenções probióticas e prebióticas (FOS e GOS) podem reduzir os sintomas de DP, motores, cognitivos e intestinais - pelo menos em camundongos. A expectativa é que o uso destes suplementos ajude a tratar a disbiose e reduzir a hiperpermeabilidade intestinal.

Com a disbiose, há diminuição da concentração de ácidos graxos de cadeia curta (SCFAs) na cavidade intestinal, levando à inflamação local e também afetando a expressão de proteínas da junção estreita, incluindo claudina 1 e claudina 2.

A disbiose também contribui para o aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica (BBB), pela diminuição da expressão de claudina 1. A diminuição da concentração de AGCC leva à disfunção da microglia. O aumento da concentração de LPS ativa a microglia, o inflamassoma NLRP3 e promove a expressão de iNOS.

A disbiose também altera o nível de dopamina produzida no intestino, agravando a sintomatologia da doença de Parkinson. Por fim, os amilóides bacterianos podem induzir uma resposta imune a αSyn no corpo humano.

Um estudo mostrou atrofia do nervo vago em pacientes com DP (Walter et al., 2018), o que pode reduzir ainda mais a concentração de dopamina no cérebro, agravando os sintomas motores, piorando a memória e as interações sociais.

TÉCNICAS PARA ESTIMULAR O NERVO VAGO

1) SOM

- Encontre um local calmo

- Coloque sua música ou mantra favorito (KALYANI, et al, 2011).

- Feche os olhos

- Cante junto

2) YOGA

A respiração lenta, a entoação de mantras como o OM, as posturas (ásanas) e as técnicas de concentração ajudam a ativar o nervo vago (STREETER et al. 2010).

3) MODULAÇÃO INTESTINAL

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Sistema imune começa a ser treinado na barriga da mãe

O treinamento do seu sistema imunológico começou quando você estava na barriga da sua mãe. Cientistas estudaram 31 amostras intestinais de humanos em três fases diferentes de desenvolvimento: o estágio fetal, a infância e a infância posterior. Para sua surpresa, eles encontraram subprodutos bacterianos em todas as amostras, sugerindo que os componentes microbianos podem estar presentes antes da entrega.

Nas amostras fetais, eles detectaram vários metabólitos alimentares, incluindo vitaminas B1 e B5, que provavelmente vêm das vitaminas pré-natais da mãe. Essa transferência do microbioma materno para apoiar o feto em crescimento teria um importante valor evolutivo.

A exposição a subprodutos bacterianos prepara seu sistema imunológico para ser educado sobre ‘bactérias boas’ ou bactérias benéficas”. Mais tarde, quando os bebês são expostos a essas bactérias, eles não reagem com uma tempestade de inflamação.

E se a mãe estiver fornecendo as bactérias necessárias para aumentar a imunidade do bebê, ela acrescentou, também pode haver uma oportunidade de construir seu microbioma para conferir melhor imunidade ao bebê em crescimento (Li et al., 2020).

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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Se eu parar de comer pão vou ficar alérgico?

Recebo essa pergunta toda hora. Gente, as causas da doença celíaca são genética, imunológica e ativada pela ingestão do glúten (não pela retirada dele). Em pessoas que herdam dos pais a predisposição à autoimunidade mediada pelo glúten (alterações de genes HLA), o sistema de defesa lesa o intestino delgado e desencadeia a má absorção de vários nutrientes. E só tem um tratamento: a retirada do glúten. Ou seja, doença celíaca não é intolerância nem alergia. É uma doença autoimune. Existem outras doenças relacionadas como alergia ao trigo e outras questões por mecanismos desconhecidos.

Quando você para de comer sorvete por 1 ano, quando volta está alérgico? Não.

Quando você para de comer frango por 1 ano, quando volta está alérgico? Não.

Quando você para de comer arroz por 1 ano, quando volta está alérgico? Não.

Agora, se você parou de comer um alimento e quando voltou a comer passou mal, aí tem. Pesquise e entenda seu corpo. Ele te dá mensagens e, às vezes, grita por socorro por meio de dores de cabeça, problemas na pele, dificuldades digestivas, acúmulo de gordura, alterações cognitivas...

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/
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