Suplementos antioxidantes podem desencadear Diabetes tipo 2?

Um time de pesquisadores mostrou que antioxidantes (tão falados por seus efeitos protetores contra o câncer, doenças cardiovasculares, Alzheimer...) podem ser responsáveis pelo desenvolvimento do diabetes tipo 2. Antioxidantes diminuem os danos provocados por espécies reativas de oxigênio. Porém, existem evidências suficientes de que este processo não é tão simples e que o equilíbrio entre substâncias oxidantes e antioxidantes é fundamental para a boa saúde.

O que conhecemos como estresse oxidativo é justamente a situação de desequilíbrio, esta sim prejudicial ao corpo. Vários estudos anteriores mostraram que o alto consumo de suplementos antioxidantes poderia na verdade diminuir a expectativa de vida e provocar doenças, inclusive desencadeando o câncer. Isto se dá porque até uma dosagem específica um nutriente (como a vitamina C) comporta-se como antioxidante e após esta dosagem o mesmo passa a se comportar como um pró oxidante, aumentando o dano celular. Além disso, quem disso que radical livre é sempre ruim? Na verdade os mesmos desempenham funções fundamentais como a defesa contra agentes estranhos, no combate à inflamação e na vasodilatação.

No estudo publicado na revista científica Cell Metabolism mostrou também que as espécies reativas de oxigênio (em particular o peróxido de hidrogênio) melhoram a sensibilidade à insulina. Ou seja, níveis fisiológicos de radicais livres são importantes afim de atenuar a resistência à insulina e sua progressão paa o diabetes tipo 2. É por isto que mais uma vez digo: alimentos são sempre muito mais apropriados e seguros do que suplementos. Consumindo alimentos ricos em antioxidantes, principalmente frutas e verduras, várias vezes ao dia, nosso corpo tem a oportunidade de selecionar quantidades a absorver. Aliás, estas quantidades raramente são muito grandes nos alimentos. Já quando se ingere um suplemento, principalmente aqueles com dosagens altas, o risco de uma absorção exagerada é grande.

Para saber mais: Kim Loh, Haiyang Deng, Atsushi Fukushima, Xiaochu Cai, Benoit Boivin, Sandra Galic, Clinton Bruce, Benjamin J. Shields, Beata Skiba, Lisa M. Ooms, Nigel Stepto, Ben Wu, Christina A. Mitchell, Nicholas K. Tonks, Matthew J. Watt, Mark A. Febbraio, Peter J. Crack, Sofianos Andrikopoulos and Tony Tiganis. Reactive Oxygen Species Enhance Insulin Sensitivity. Cell Metabolism, Volume 10, Issue 4, 260-272, 7 October 2009.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Onde o sal se esconde?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde não devemos consumir mais de 2 gramas de sódio por dia (o equivalente a 5 gramas de sal de cozinha). Porém, estudos indicam que o brasileiro consome, em média, 4,5 gramas de sódio (quase 10 gramas de sal) diariamente. Esta quantidade, apesar de inferior à de outros países, é enorme. Se considerarmos que um único pão francês garante quase todo o sódio que precisamos em um dia, fia fácil entender o quanto exageramos. Por isto, consumir menos sódio é uma estratégia inteligente e que tem efeitos cardioprotetores, diminuindo a pressão arterial e melhorando a vasodilatação. Assim, além de reduzir a quantidade utilizada para cozinhar e de ficar longe do saleiro, fique de olho em outros produtos ricos em sódio:

- produtos de padaria em geral;

- cereais matinais (observe a quantidade de sódio nos rótulos);

- enlatados (milho, ervilha, seleta, extrato de tomate...);

- embutidos (presunto e similares);

- carnes e peixes secos (incluindo bacalhau!);

- industrializados em geral como ketchup, mostarda, requeijão, biscoitos, pratos prontos;

- adoçantes contendo ciclamato de sódio e sacarina sódica (geralmente os mais baratos e transparentes).

O melhor mesmo é usar menos industrializados e cozinhar sua própria comida!

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Para que serve o selênio?

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O selênio é um mineral essencial ao nosso organismo. Faz parte de selenoenzimas antioxidantes que protegem nosso corpo contra doenças como câncer, diabetes tipo 2 e doenças da tireóide. O problema é que enquanto o consumo insuficiente está relacionado à estas condições, o consumo exagerado também!

Os estudos mostram que cada castanha do Brasil (castanha do Pará) contém de 200 até 400mcg de selênio, o que por si gera uma dose altíssima se comparado a recomendação de selênio para adultos (55mcg/dia). Tudo bem, nosso corpo não absorve 100% do mineral, mas como o limite máximo recomendado é justamente 400mcg ao dia, não há necessidade de consumir mais que uma unidade por dia e, claro, nem de suplementação, a não ser em situações especiais. Mas toda castanha conterá esta quantidade de selênio? Não, um grande problema é que a quantidade de selênio na castanha depende da qualidade do solo, fazendo com que as concentrações do mineral na oleaginosa varie entre 0.2 e 5.0 mg/100g dependendo da origem.

O solo se forma devagar, em relação estreita com água, ar, seres vivos, presença de rochas. As atividades humanas podem transformar o solo rapidamente, destruindo-o e empobrecendo-o, o que vem acontecendo ano a ano. E claro, se o solo for pobre, a quantidade de nutrientes na castanha será pequena. Parece também que quanto maior é a quantidade de agrotóxicos utilizados menos a planta consegue incorporar o selênio e outros minerais como zinco, ferro, magnésio, cálcio... Daí a importância de uma dieta variada, colorida e, orgânica, sempre que possível.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/