Com a industrialização o consumo de alimentos ricos em carboidratos (biscoitos, bolos, pães, sucos, refrigerantes, doces) aumentou muito e, com isso, as mitocôndrias foram ficando mais preguiçosas. Esta via de geração exclusiva de energia a partir dos carboidratos pode contribuir para o desenvolvimento de doenças como diabetes, esteatose hepática, problemas cardíacos e ovários policísticos. Já nossos antepassados não tinham tanta disponibilidade de alimentos e usavam os estoques de gordura para sobreviver em momentos de carência.
Quando conseguimos voltar a gerar energia a partir das gorduras ganhamos em flexibilidade metabólica e reduzimos o risco de envelhecimento precoce, inclusive ovariano. Mulheres com ovários muito inflamados possuem mais problemas menstruais, hormonais e também dificuldade em engravidar.
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é o distúrbio endócrino mais comum em mulheres em idade reprodutiva, com prevalência estimada variando de 6 a 15%, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados.
As mulheres com SOP frequentemente possuem distúrbios menstruais, manifestações clínicas de hiperandrogenismo e infertilidade. O hirsutismo (excesso de pelos faciais) é uma apresentação clínica comum de hiperandrogenismo que ocorre em até 70% das mulheres com SOP.
Outros sinais comuns de SOP são: resistência à insulina, reversão da relação FSH/LH e obesidade. As mulheres com SOP tendem a possuir maior percentual de gordura visceral e subcutânea devido a níveis mais elevados de andrógenos.
Este artigo científico mostra o resultado de estratégia em que mulheres obesas com ovários policístico fizeram uma dieta cetogênica de 1.700 kcal, com aproximadamente 71% de gordura, 24% de proteína e 5% de carboidratos, suplementada de extratos vegetais.
Com 3 meses de dieta as mulheres perderam cerca de 10 Kg e os níveis de glicose, insulina, Homa-IR, triglicerídeos, colesterol e hormônios sexuais melhoraram.
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ATUALIZAÇÃO
Em 2026, um artigo publicado na revista The Lancet, um dos periódicos científicos mais importantes do mundo, publicou oficialmente a mudança de nomenclatura da SOP para SOMP: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome).
O artigo reforça que o termo “ovários policísticos” era limitado e muitas vezes impreciso, porque acabava reduzindo uma condição complexa a uma característica ovariana que sequer está presente em todas as pacientes.
Essa visão fragmentada contribuiu durante anos para:
➡️ atraso diagnóstico
➡️ estigmatização
➡️ cuidado fragmentado
➡️ e dificuldade de compreender a dimensão metabólica da síndrome.
A SOP/SOMP não tem relação apenas com alteração ovariana, mas com resistência insulínica, inflamação, alterações hormonais, dificuldade de emagrecimento, sintomas emocionais, comportamento alimentar, alterações metabólicas e uma complexidade clínica que exige um cuidado amplo.
Metodologicamente, o consenso foi robusto e internacional. Incluiu mais de 50 organizações, cerca de 14 mil respostas em inquéritos globais, workshops multidisciplinares, técnica Delphi modificada e análise de implementação. O processo priorizou critérios como precisão científica, redução de estigma, aplicabilidade clínica e adequação cultural.
Do ponto de vista clínico, não há mudança nos critérios diagnósticos imediatos. A mudança é terminológica e conceptual. O objetivo é reorganizar enquadramento clínico e investigação, com transição progressiva até 2028.
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