Imunogenética no transtorno do espectro autista (TEA)

Em 2015 estava trabalhando nos EUA e nos atendimentos de mães de filhos no espectro do autismo começamos a notar um padrão. Muitas dessas mães tinham alterações imunes em maior frequência: lúpus, tiroidite de Hashimoto, artrite reumatoide, psoríase...

De lá para cá apareceram estudos em imunogenética no Transtorno do Espectro Autista (TEA). Embora o TEA tenha uma forte componente genética, os genes tradicionalmente ligados às sinapses não explicam todo o quadro. Mas aí, os pesquisadores começaram a investigar os reguladores genéticos imunológicos.

As evidências apontam para três classes principais de genes associados (Arenella et al., 2023):

1. Processamento e apresentação de antígenos: Destacam-se os genes HLA (como HLA-DRB1 e DQB1), fundamentais na comunicação celular e plasticidade neuronal. Já o HLA-G é crucial na tolerância entre mãe e feto durante a gravidez.

2. Regulação imunológica: Genes como o VDR (receptor de vitamina D) e FOXP3 controlam a sinalização de células T e a homeostase neuroimune.

3. Sinalização de citocinas: Variações em genes como IL-1β, IL-6 e IFN-γ influenciam respostas inflamatórias que podem afetar o cérebro em desenvolvimento. A função desses genes vai além da imunidade; eles regulam a migração neuronal, a formação de sinapses e a poda sináptica.

A expressão desses genes é predominante no período pré-natal tardio e na primeira infância, janelas críticas para a organização cerebral. Se o sistema de "fiscalização" do cérebro (microglia) estiver desregulado por fatores genéticos ou ambientais, ele pode remover conexões em excesso, alterando a conectividade cerebral.

Estudos de transcriptômica mostram uma upregulação (hiperatividade) de genes imunológicos no sangue e em áreas cerebrais como os córtices frontal e temporal de indivíduos autistas. Esse estado pró-inflamatório persistente pode ter origem na programação fetal onde o ambiente uterino molda o sistema imune para o resto da vida.

Além disso, a maior vulnerabilidade masculina pode estar ligada ao cromossomo X, que abriga muitos genes do sistema imune, e ao efeito da testosterona, que pode exacerbar essas variações.

Compreender esses mecanismos permite identificar subgrupos clínicos, entender melhor o autismo regressiv e abre caminho para intervenções personalizadas que visem o equilíbrio neuroimunometabólico.

No dia 18/04 a @dralucianemartignoni irá presentear os alunos de genômica visual com uma aula sobre a imunologia no autismo. Para participar inscreva-se no curso genômica visual.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/