Fatores de risco e mecanismos da inflamação crónica na progressão para câncer de próstata

A inflamação crônica é um fator importante no desenvolvimento do câncer de próstata. Lesões inflamatórias podem evoluir de atrofia prostática para neoplasia intraepitelial prostática e, eventualmente, para carcinoma. O estresse oxidativo persistente e o dano genético estão envolvidos nessa progressão.

Fatores de risco modificáveis ​​e não modificáveis ​​no câncer de próstata. Os fatores de risco não modificáveis ​​são intrínsecos à genética, biologia ou ambiente natural do indivíduo e não podem ser alterados. Os fatores de risco modificáveis ​​são fatores de estilo de vida ou ambientais que podem ser modificados para reduzir o risco de desenvolver câncer de próstata. Embora os fatores de risco modificáveis ​​tenham menos evidências diretas do que os não modificáveis, ainda existe alguma associação entre esses fatores e o risco de câncer de próstata (Prakash, Verma, & Gupta, 2024).

Fatores de risco não modificáveis

  • Idade avançada

  • Raça/etnia (maior risco em afro-americanos)

  • História familiar e predisposição genética

    • Genes de suscetibilidade: São variantes genéticas que aumentam a probabilidade de desenvolver uma doença, mas não garantem que ela ocorra. Geralmente têm efeito moderado ou baixo.

      • Ex.: polimorfismos em genes como MSR1 ou MIC1 que elevam o risco de câncer de próstata, mas muitos portadores nunca desenvolvem a doença.

    • Predisposição genética: Refere-se a uma condição genética ou mutação que confere um risco significativamente maior de desenvolver a doença. Pode envolver mutações de alto impacto.

      • Ex.: mutações em BRCA1/2 que aumentam fortemente o risco de câncer de mama, ovário ou próstata.

Fatores de risco modificáveis

  • Estilo de vida sedentário

  • Obesidade

  • Dieta pobre em nutrientes e rica em calorias

  • Disbiose microbiana

  • Exposição a poluentes ambientais (ex. chlordecone, nitratos)

Mecanismos celulares/moleculares
A inflamação crônica:

  • Aumenta espécies reativas de oxigénio e dano de DNA

  • Promove proliferação celular e inibe apoptose

  • Eleva expressão de marcadores pró-inflamatórios e pró-tumorais (ex. COX-2)

A interação entre fatores não modificáveis e modificáveis promove inflamação crônica e facilita a transição neoplásica. A compreensão desses fatores é crucial para prevenção e manejo do risco de câncer de próstata.

Estratégias de proteção da próstata

1. Alimentação e Nutrição

A dieta desempenha um papel crucial na saúde da próstata. As recomendações incluem:

Aumentar o consumo de frutas e vegetais: Dietas ricas em antioxidantes ajudam a neutralizar os radicais livres (espécies reativas de oxigênio) que causam danos ao DNA das células prostáticas. Brássicas (como brócolis) possuem efeito protetor

Reduzir gorduras animais e carne vermelha: O consumo excessivo de carne vermelha e laticínios está associado a formas mais agressivas de câncer. A carne vermelha cozida pode liberar substâncias carcinogênicas, enquanto o excesso de laticínios pode gerar estresse oxidativo nas células epiteliais da próstata.

Fibras: Dietas ricas em fibras favorecem um microbioma intestinal saudável, o que pode influenciar positivamente a saúde prostática.

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2. Atividade Física e Controle de Peso

Combater o estilo de vida sedentário é uma das formas mais eficazes de proteção:

Exercícios regulares: A prática de atividade física pode reduzir o risco de câncer de próstata entre 10% e 30%. O exercício ajuda a baixar a inflamação sistêmica, os níveis de insulina e de moléculas pró-inflamatórias.

Manter peso saudável: O excesso de peso, especialmente a gordura abdominal, promove inflamação crônica e disfunção no tecido adiposo ao redor da próstata (tecido adiposo periprostático), o que pode estimular o crescimento de tumores.

3. Redução da Exposição a Poluentes

Fatores ambientais podem agir como disruptores endócrinos e promover a carcinogênese:

Evitar toxinas e inseticidas: A exposição prolongada a substâncias como o clordecona (inseticida), Bisfenol A (BPA) e nitratos na água potável está ligada ao aumento do risco.

Qualidade do ar: A poluição do ar (material particulado PM 2.5 e dióxido de nitrogênio) também é citada como um fator que eleva o risco de câncer de próstata.

4. Gestão da Inflamação e Infecções

A inflamação crônica (prostatite) é um precursor significativo para lesões neoplásicas.

Uso de anti-inflamatórios: Algumas evidências sugerem que o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) pode reduzir os níveis de PSA e o risco de câncer ao diminuir a infiltração imunológica na próstata. Açafrão e Saw Palmetto são alguns dos compostos naturais estudados para redução de inflamação prostática.

Prevenção de ISTs: Infecções sexualmente transmissíveis, como Chlamydia e Gonorrhoeae, podem causar inflamação prostática e devem ser evitadas ou tratadas prontamente.

Saúde do Microbioma: Manter o equilíbrio das bactérias no corpo (evitando a disbiose) é importante, pois certas bactérias patogênicas podem migrar para a próstata e sustentar um ambiente inflamatório.

5. Monitoramento Médico

Embora as fontes foquem em biologia e genética, elas mencionam que a redução na recomendação de testes de PSA (antígeno prostático específico) contribuiu para um aumento na detecção de tumores em estágios mais avançados. Portanto, o acompanhamento médico regular é essencial, especialmente para aqueles com fatores não modificáveis, como histórico familiar ou ascendência africana.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/