Os 3 tipos de TDAH

A compreensão do TDAH está evoluindo de uma classificação puramente comportamental (baseada no manual DSM) para uma identificação de biotipos neurobiológicos baseados na arquitetura do cérebro.

Os pesquisadores identificaram três biotipos distintos de TDAH através da análise de redes de similaridade morfométrica e organização de "hubs" cerebrais:

  • Biotipo 1: Combinado grave com desregulação emocional. Este grupo apresenta os desvios mais amplos nas redes cerebrais, afetando principalmente o córtex pré-frontal medial e o pálido. Clinicamente, essas crianças exibem altos níveis de desatenção e hiperatividade, além de uma marcante dificuldade em regular emoções, o que pode levar a explosões de irritabilidade. Este biotipo tem maior associação com sistemas de neurotransmissores como serotonina e dopamina.

  • Biotipo 2: Predominantemente hiperativo/impulsivo. As alterações cerebrais deste tipo concentram-se no circuito entre o córtex cingulado anterior e o pálido, regiões fundamentais para o controle de impulsos e tomada de decisão. O perfil clínico é dominado pela impulsividade elevada e agitação motora, com níveis de desatenção menores do que no Biotipo 3. Suas bases neuroquímicas mostram correlações com os sistemas de glutamato e endocanabinoide.

  • Biotipo 3: Predominantemente desatento. Este biotipo está ligado a alterações no giro frontal superior, uma área associada à atenção sustentada e funções executivas. O comportamento predominante é a desatenção, com pouca hiperatividade; são crianças que frequentemente parecem estar "no mundo da lua" ou esquecem tarefas facilmente. Apresenta uma associação neuroquímica mais seletiva com receptores serotoninérgicos.

Conclusão e Implicações

Embora esses biotipos correspondam parcialmente às apresentações clássicas do DSM (Desatento, Hiperativo e Combinado), eles revelam que a organização das redes cerebrais é o que realmente define a complexidade do transtorno. O estudo sugere que o córtex orbitofrontal funciona como um núcleo comum em todos os tipos, enquanto as variações em outros circuitos determinam o perfil específico de cada indivíduo. Essa descoberta é um passo crucial para a medicina personalizada, permitindo que tratamentos e intervenções sejam adaptados à biologia cerebral específica de cada paciente.

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Inflamação, microbiota intestinal, neurotransmissores e metabolismo energético podem afetar atenção, impulsividade e regulação emocional.

Por isso, a alimentação pode ser uma ferramenta importante no manejo do TDAH.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/