Alienação alimentar

O alimento é essencial à vida. Fornece nutrientes e calorias que mantém o corpo. Como o alimento vem da natureza, nossas escolhas têm um impacto no meio ambiente. Infelizmente, muitas crianças tomam leite sem nunca terem vida uma vaca, tomam suco sem nunca terem visto uma árvore frutífera. Consomem doces, sem saber o que há dentro do pacote. Este é um dos aspectos da alienação.

Nos alienamos quando não pensamos nas condições de trabalho dos produtores rurais, responsáveis diretamente por nossa saúde, por tudo o que ingerimos. Nos alienamos quando não pensamos nas relações entre a indústria e a agricultura. Ou quando queremos viajar o mundo todo e comer a mesma comida do Rio de Janeiro.

Outro aspecto da alienação alimentar é a simplificação dos motivos pelos quais escolhemos comer o que comemos. É comum o discurso de que uma pessoa que não emagrece é preguiçosa ou desmotivada. Porém, muito pode estar por trás do ganho de peso, das escolhas e de várias doenças. É o que discuto neste vídeo:

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Medida provisória de Bolsonaro extingue CONSEA

O Brasil é um país injusto e desigual. Mais de 15 milhões de miseráveis e 55 milhões de pobres vivem no país. Em seu primeiro dia de governo, medida provisória informou a extinção do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). O órgão tinha como objetivo discutir, debater e apresentar diretrizes para garantir alimentação saudável para todo brasileiro.

Mas fome e pobreza não serão prioridade. O compromisso com a equidade não será prioridade. E continuaremos reclamando dos pedintes, dos mendigos, da comida cara, da comida entupida de agrotóxicos, comprovadamente prejudiciais à saúde. Mas podemos fechar os olhos para o próximo e comemorar a queda do dólar em 1%.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Alimentos ultraprocessados aumentam o risco de câncer de intestino

Alimentos ultraprocessados são formulações da indústria, feitos em sua maioria ou totalmente a partir de ingredientes e aditivos e contendo pouco ou nenhum alimento in natura. Exemplos: refrigerantes, bebidas energéticas, salgadinhos, bolachas recheadas, guloseimas, suco em pó, embutidos, produtos congelados prontos para aquecer, produtos desidratados como: macarrão instantâneo, sopas em pó, mistura para bolos, temperos prontos. Estes alimentos aumentam a inflamação intestinal e a inflamação é a principal causa de câncer de intestino.

Outras causas de inflamação intestinal são a disbiose intestinal , o baixo consumo de fibras, o excesso de fruturas, sal, carnes vermelhas e processadas na dieta. Estes fatores geram um aumento da expressão de genes pró-inflamatórios, receptores específicos e agentes imunológicos como MAPK ( proteína quinase ativada por mitógeno).

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O processo inflamatório está associado ao dano das células intestinais, aumentando o risco de câncer colorretal. A disbiose é frequentemente acompanhada pela extinção de genes supressores de tumor e de genes que auxiliam no reparo de material genético. Para uma microbiota saudável podem ser indicados alimentos ou suplementos probióticos, fibras prebióticas, alimentos antiinflamatórios.

Estudos mostram que linhaça, farelo de aveia, peixes ricos em ômega-3, fibras alimentares, fitoquímicos e nutrientes antioxidantes possuem propriedades protetoras contra o câncer intestinal pois justamente minimizam o processo inflamatório. Uma dieta rica em vegetais, frutas, oleaginosas, carboidratos complexos de baixo índice glicêmico, gorduras mono e poliinsaturadas e proteínas apresenta um bom equilíbrio na qualidade e quantidade de fitoquímicos, especialmente compostos fenólicos como os flavonóides. Festeje, comemore, mas cuide muito de sua saúde hoje e neste ano que inicia-se. Mais sobre o câncer:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Dieta saudável não tem desvantagem

Dieta saudável não tem contra-indicação. O que dá problema é macarrão instantâneo, salgadinhos e refrigerantes. Alimentos ultraprocessados não contribuem para a saúde. Ponto. A indústria esperneia. Diz que não há ensaios aleatorizados, randomizados, controlados suficientes (mas há). E mesmo que não houvesse, você não precisa esperar por este tipo de estudo.

Veja o caso do cigarro. Foram necessários mais de 7.000 estudos e a morte de uma quantidade gigantesca de pessoas para que os governos e as sociedades médicas entrassem em um consenso sobre a conexão entre o tabagismo e o câncer de pulmão. A pressão da indústria do tabaco sempre foi grande. E no caso da indústria alimentícia acontece o mesmo. É muito lobby, muito financiamento (compra) de pesquisadores. Você não precisa de milhares de estudos dizendo que alimentos cheios de açúcar e gordura hidrogenada fazem mal para entender a mensagem.

São cinco os comportamentos capazes de estender sua vida em mais de uma década: dieta saudável, não fumar, praticar atividade física regular, reduzir o consumo de álcool e manter um peso adequado para sua altura (Li et al., 2018).

O câncer, por exemplo, é um fardo mundial. Em 2012 foram diagnosticados mais de 14 milhões de casos em todo o mundo. Mas muito está em nossas mãos. Cerca de um terço das neoplasias mais comuns podem ser evitados com mudanças de hábito. O problema é que mesmo com toda essa informação disponível, a dieta tem piorado em quase todos os países industrializados. O consumo de alimentos ultraprocessados é altíssimo, chegando a contribuir com 50% das calorias que muita gente consome diariamente. Várias características dos alimentos ultraprocessados podem estar envolvidos em doenças, como o câncer.

Alimentos ultraprocessados são ricos em gordura total, gordura saturada, açúcar e sal. Possuem baixa quantidade de fibras e vitaminas. Podem ter contaminantes cancerígenos (como acrilamida, aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos). A embalagem pode conter disruptores endócrinos - como ftalatos e bisfenol -, aditivos como como nitrito de sódio e dióxido de titânio. A ingestão de alimentos ultraprocessados (como salgadinhos, refrigerantes, balas, pirulitos, sorvetes, macarrão instantâneo, foi associada a uma maior incidência de dislipidemia (excesso de gordura no sangue), maior risco de sobrepeso, obesidade e hipertensão em crianças brasileiras e universitários espanhóis.

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Na França, o estudo NutriNet-Santé observou que o alto consumo de alimentos ultraprocessados (incluindo também pães embalados, snacks doces ou salgados, produtos de confeitaria, sobremesas refrigeradas, nuggets e hambúrgeres congelados, bebidas açucaradas, sopas instantâneas, refeições prontas, óleos hidrogenados ou qualquer outro produto rico em aromatizantes, corantes, emulsionantes, humectantes, adoçantes que imitem propriedades naturais dos alimentos). O consumo de 104.980 participantes sem câncer no início do estudo foi comparado com o registro médico e níveis de atividade física.

Os modelos foram ajustados por idade (escala de tempo), sexo, índice de massa corporal, estatura, atividade física (alta, moderada, baixa), tabagismo (nunca ou ex-fumantes, fumantes atuais), ingestão de álcool, consumo energético, história familiar de câncer (sim/não), e nível de escolaridade (menos de ensino médio, menos de dois anos após o ensino médio, dois ou mais anos após o ensino médio). Para análises de câncer de mama, foram feitos ajustes adicionais para o número de crianças biológicas, fase da vida (menopausa / perimenopausa / não menopáusica), tratamento hormonal e utilização de contracepção oral. O modelo também foi ajustado para ingestão de lipídios, sódio e carboidratos.

Durante o período de 8 anos de acompanhamento 2.228 pessoas desenvolveram câncer. As análises estatísticas mostraram que o aumento de 10% de consumo de alimentos ultraprocessados foi associado ao aumento em 12% do risco de câncer total. Gorduras e molhos ultraprocessados, bebidas e produtos açucarados foram associados a maior risco de câncer total. Particularmente, o risco de câncer de mama é bastante elevado com este padrão de consumo ocidentalizado.

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Alimentos ultraprocessados têm sido associados a uma maior resposta glicêmica e um menor efeito de saciedade. A ingestão excessiva de energia, gordura e açúcar contribui para o ganho de peso e o risco de obesidade, sendo a obesidade reconhecida como um importante fator de risco para câncer de mama, estômago, fígado, colo-retal, esôfago, pâncreas, rim, vesícula biliar, endométrio, ovário, fígado e câncer de próstata e malignidades hematológicas. A ampla gama de aditivos contidos em alimentos ultraprocessados podem ter efeito cumulativo, merecendo mais investigação. Carnes processadas podem conter nitrosaminas carcinogênicas envolvidas no aumento do câncer colorretal.

Produtos ultraprocessados ricos em carboidratos como batatas fritas, biscoitos e pão são submetidos a altas temperaturas, o que gera maior formação de acrilamida, envolvida no aumento de vários tipos de câncer, como o renal. Por fim, o bisfenol A é outro contaminante suspeito de migrar de embalagens plásticas para alimentos ultraprocessados. Evidências crescentes sugerem envolvimento da substância com problemas endócrinos e câncer de de várias glândulas.

Recomenda-se ações de políticas voltadas à reformulação de produtos, tributação e restrições de comercialização de produtos ultraprocessados e um esforço maior para a promoção de alimentos in natura ou minimamente processados, que contribuam para a saúde (Fiolet et al., 2018). Como será sua alimentação em 2019? Mais sobre câncer e alimentação:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/