Avaliação do risco genética para a doença celíaca

Os distúrbios associados ao glúten podem ser agrupados em três entidades clínicas: (1) alergia ao trigo; (2) sensibilidade ao glúten não celíaca; (3) doença celíaca. Estudos genéticos permitem refinar e identificar estratégias nutricionais mais efetivas para cada caso.

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A doença celíaca (DC) pode ser definida como uma enfermidade autoimune, atividada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos. Atinge cerca de 1 a 3% da população mundial e aproximadamente 10% dos familiares dos pacientes já diagnosticados com a doença. Também é mais comum em pessoas com síndrome de Down.

Os sintomas clínicos são frequentemente normalizados com a adoção de uma dieta livre de glúten. Os sintomas podem ser gastrointestinais (má absorção, diarreia, inchaço abdominal, prisão de ventre) ou extraintestinais (anemia, osteoporose, deficiência de vitamina D, comprometimento do crescimento).

O forte componente genético da doença permite a avaliação do risco a partir do estudo dos genes HLA (Human leukocyte antigen) e não HLA. Estes genes explicam aproximadamente 40% da variação genética da doença celíaca. O complexo HLA está localizado no cromossomo 6 e codificam os alelos HLA-DQ2 (especificamente o DQ2.5, que tem mais relação com a DC) e HLA-DQ8, os mais relevantes na doença celíaca. Contudo, também podem ser encontrados em indivíduos saudáveis. Por isso, a confirmação da doença é feita pela presença de alterações intestinais, verificadas por biópsia.

Em indivíduos predispostos, a exposição da mucosa intestinal ao glúten desencadeia a ativação desregulada de respostas imunes e inflamatórias. Os alelos DQ2/DQ8 também estão presentes em pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca. Contudo, na sensibilidade não celíaca não há achatamento de vilosidades intestinais. Por isso, nem sempre há necessidade de exclusão completa do glúten. É importante notar que na mesma região onde encontra-se o complexo HLA existem centenas de genes com função imunológica (genes não HLA), que ainda estão sendo estudados. É dito que a doença celíaca é uma doença poligênica (com o envolvimento de muitos genes). Espera-se que com o avançar das pesquisas, medidas de diagnóstico e tratamento mais precisam sejam implementadas.

O pedido do exame genético, em geral, só é feito quando existem fatores de risco (síndrome de Down, doenças autoimunes ou doença celíaca na família), deficiências nutricionais recorrentes ou dificuldade de ganho de peso ou crescimento em crianças.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Alimentos com e sem glúten

O glúten é uma rede de proteínas, composta principalmente por gliadina e gluteína. Está presente naturalmente em muitos cereais, como o trigo, o centeio e a cevada. Em alimentos processados confere elasticidade às receitas. Por exemplo, quando a farinha de trigo é sovada (amassada) são criadas redes de glúten que aprisionam gás carbônico dando maciez ao alimento.

Para algumas pessoas o glúten pode causar problemas como fadiga, cansaço, dor abdominal, anemia. É o caso das pessoas com doença celíaca, uma desordem sistêmica autoimune, desencadeada pela ingestão de glúten. A doença é caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado que pode resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com consequente má absorção intestinal e maior risco de osteoporose, infertilidade e câncer de cólon. Neste caso, o glúten precisa ser eliminado da dieta.

Algumas pessoas sem doença celíaca possuem maior sensibilidade ao glúten, sofrendo com sintomas parecidos quando se expõem à proteína. Podem surgir também coceiras, inchaços e mais dores. 

No caso da doença celíaca o diagnóstico é feito após biópsia intestinal. No caso da intolerância ao glúten o resultado da biópsia será normal. Por isto o diagnóstico é feito por meio da dieta de eliminação do glúten, onde se observarão se os sintomas estão sumindo. 

A figura mostra alimentos que contém e alimentos livres de glúten.

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Aveia contém glúten?

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De acordo com estudos da Universidade de Chicago tecnicamente a aveia não conteria glúten, proteína presente no trigo, cevada e centeio. Porém, a aveia é frequentemente plantada, colhida e processada em locais onde também há cultiva ou processamento de cereais que contém glúten, podendo haver contaminação cruzada.

De acordo com Sapone e colaboradores (2012) existem vários problemas relacionados ao glúten (assista o vídeo). Devido ao problema da contaminação cruzada pacientes celíacos devem remover a aveia da dieta, a não ser que comprem o cereal de uma indústria que garanta a ausência de glúten no produto. Pessoas com alergia ao trigo também podem consumir aveia caso a mesma não tenha sido misturada ou processada em equipamentos que também fazem o beneficiamento do trigo.

Algumas pessoas podem sentir desconfortos abdominais consumindo aveia? Sim, mesmo que não tenham doença celíaca, alergia ao trigo ou intolerância ao glúten. Isto ocorre porque a aveia é rica em fibras.

As fibras são essenciais à saúde do trato digestório e também ajudam a controlar os níveis de gorduras e açúcares no sangue. Porém, pessoas não acostumadas ao consumo de fibras podem apresentar gases, dores abdominais ou diarreias quando aumentam muito o consumo de alimentos como aveia, cereais integrais, folhosos e frutas. Estes alimentos também são ricos em antinutrientes como fitatos e oxalatos que contribuem também para os desconfortos acima relatados. No caso específico da aveia uma estratégia é deixá-la de molho em água à noite. No outro dia remova a água, lave a aveia e use-a em sua forma preferida.

Informações nutricionais - 1/2 xícara de aveia fornece:

  • 154 calories
  • 4–5 gramas de fibras
  • 5–6 gramas de proteínas
  • 5 mg de manganês (73% das necessidades diárias de adultos)
  • 7 mg de selênio (16% das necessidades diárias de adultos)
  • 56 mg de magnésio (14% das necessidades diárias de adultos)
  • 0,19 mg de tiamina - B1 (12% das necessidades diárias de adultos)
  • 5 mg de zinco (10% das necessidades diárias de adultos)

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Quem precisa tirar o glúten da alimentação?

O glúten é uma proteína presente no trigo, aveia, centeio e cevada, e em todos os seus derivados. Mas quem pode consumir e quem não pode?

Para Sapone e colaboradores (2012) existem 3 tipos de problemas relacionados ao glúten: os autoimunes, os alérgicos e os provavelmente relacionados à imunidade

Artigo citado:

https://bmcmedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/1741-7015-10-13

Aviso:

Os materiais disponibilizados no blog, facebook, twitte, youtube ou nos cursos online não substituem aconselhamento individualizado, nem tratamentos adequados para seu caso. As dicas de saúde possuem finalidades puramente educacionais e não devem ser usadas em substituição aos cuidados propostos por seu nutricionista, médico ou outros profissionais de saúde.


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