Gordura abdominal e risco de doenças cardiovasculares

Estudo publicado na revista científica da associação americana do coração mostrou o resultado do acompanhamento de mais de 500.000 pessoas, com idades entre 40 e 69 anos, no Reino Unido. Durante esse período, as mulheres que tinham maior quantidade de gordura acumulada na região abdominal tiveram um risco de sofrerem um ataque cardíaco 18% maior do que o das mulheres com menos gordura corporal.

A adoção de hábitos saudáveis é muito importante para a saúde metabólica. O bom funcionamento intestinal, é um dos fatores importantes para a saúde como um todo. Inclusive para a saúde do coração. O intestino não está funcionando? Consuma mais fibras, mais água. Se precisar converse com seu nutricionista sobre a suplementação de compostos como o PEG 4000.

Atividade física e alimentação adequada fazem parte também do pacote da saúde. Porém, cortar doces e guloseimas nem sempre é fácil. Afinal, quem não ama comer? No vídeo de hoje converso sobre este tema.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

Problemas nos olhos podem ser sinal de evolução da doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é a maior causa de demência na velhice. Dois marcadores histopatológicos do Alzheimer são a deposição de placas de β-amilóide e de emaranhados de proteína TAU hiperfosforilada no cérebro.

Pesquisadores acreditam que muitos fatores podem influenciar o início e a progressão da doença, como o envelhecimento, a herança genética (gene APOE4, gene TREM2, gene APP na trissomia do cromossomo 21), assim como fatores ambientais e de estilo de vida.

Com o envelhecimento há atrofia de certas partes do cérebro, neuroinflamação, produção de maior quantidade de radicais livres e distúrbios na produção de energia dentro das células. Contudo, não há um exame que possamos fazer para que possamos saber como está o cérebro neste momento (com mais ou menos amilóide? Mais ou menos inflamado?)

Porém, estudos mostram cada vez mais que condições oculares (glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética) estão ligadas a um maior risco de Alzheimer e outras formas de demência. Já a catarata não parece ter a mesma ligação.

Glaucoma, degeneração macular relacionada à idade e retinopatia diabética também estão muito ligadas às doenças cardiovasculares. No glaucoma, há aumento da pressão no olho que pode levar à perda da visão. Tem sido associada à hipertensão arterial, diabetes e má circulação sanguínea. A degeneração macular relacionada à idade envolve a quebra da mácula, a parte da retina responsável pela visão central aguda. Também tem sido associada a doenças cardíacas.

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A retinopatia diabética ocorre em pessoas com diabetes, quando níveis elevados de açúcar no sangue danificam os vasos sanguíneos da retina. Existem fortes ligações entre diabetes e problemas cardiovasculares. Já a catarata - turvação das lentes dos olhos - tem maior probabilidade de se desenvolver à medida que as pessoas envelhecem. No entanto, eles não parecem aumentar o risco de doença cardiovascular, doença de Alzheimer ou outros tipos de demência.

O estudo Adult Changes in Thought, que começou em 1994, incluía 5400 adultos livres de demência. Os participantes foram acompanhados até decidirem sair do estudo, morrerem ou desenvolverem demência. A pesquisa publicada na revista científica Alzheimer & Dementia analisou dados retirados deste estudo. Desta vez, os pesquisadores se concentraram em 3.800 desses participantes, com e sem doença ocular no início do estudo. Cerca de 792 deles desenvolveram demência (Lee et al., 2019).

Os autores do estudo descobriram que pessoas com degeneração macular relacionada à idade eram 20% mais propensas a desenvolver demência em comparação com pessoas que não tinham a doença ocular. Pessoas com retinopatia diabética foram 44% mais propensas a desenvolver demência do que aquelas sem. Pessoas no estudo com um diagnóstico recente de glaucoma - mas não participantes com doença estabelecida - tiveram uma taxa de demência 44% maior. Não está claro por que houve diferença entre pessoas com doença nova ou existente.

Embora essas descobertas mostrem uma ligação entre três doenças oculares e riscos cerebrais, uma questão importante permanece: o que essa informação significa ? Um exame oftalmológico pode dizer se você está destinado a desenvolver demência no futuro? Mais importante, isso pode ajudá-lo a evitar isso? Ainda não sabemos, talvez sim. De qualquer forma, os exames oftalmológicos são valiosos na detecção precoce de doenças oculares, para que possam ser tratados e para que riscos metabólicos (como hipertensão, hiperglicemia ou diabetes e doenças cardiovasculares) sejam rastreados e minimizados.

Hoje, a melhor maneira comprovada para a prevenção da doença de Alzheimer e outras formas de demência é a prevenção das doenças cardiovasculares e do diabetes. Assim, dieta balanceada, manutenção de um peso saudável, prática de atividade física, descanso apropriado, com horas de sono adequadas para o reparo são as estratégias mais importantes a implementar.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/

LDL pequena e densa - como prevenir seu acúmulo e reduzir o risco de ataques cardíacos e derrames

As placas de gordura nas artérias (aterosclerose) levam a um espessamento da camada íntima dos vasos. A palavra aterosclerose tem origem grega e é constituída de duas partes: (1) aterosclerose (acúmulo de gordura acompanhado por macrófagos - um tipo de célula de defesa) e esclerose (camada de fibrose compreendendo células musculares lisas, leucócitos e tecido conjuntivo).

A formação das placas começa com a deposição de pequenos cristais de colesterol na íntima e no músculo liso dos vasos. Em seguida, as placas crescem com a proliferação de tecidos fibrosos e do músculo liso circundante e se projetam para dentro das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo. O aumento do tecido conjuntivo e a deposição de cálcio na lesão geram a esclerose (endurecimento das artérias). Finalmente, a superfície irregular das artérias resulta em formação de coágulos e trombose, o que leva à obstrução súbita do fluxo sanguíneo, aumentando o risco de infartos, derrames e morte.

O início de tudo

O aumento dos níveis de gordura e açúcar no sangue relacionam-se a um maior dano oxidativo, que afeta a capacidade antioxidante e os níveis de lipoproteínas. Estudos em animais e humanos mostram que as estrias gordurosas são o primeiro sinal de aterosclerose. As lesões iniciais geralmente são causadas pelo aumento focal das lipoproteínas na camada íntima das artérias.

As partículas de lipoproteínas são compostas de proteínas, fosfolipídios e também lipídios, como colesterol e triglicérides. Uma das mais importantes lipoproteínas aterogênicas é a lipoproteína de baixa densidade rica em colesterol (LDL). Esta lipoproteína pode ser acumulada na íntima vascular devido à sua capacidade de se infiltrar no endotélio ou aderir aos componentes da matriz extracelular.

A lesão inicial inicial é composta por células espumosas e depósitos de gordura extracelular e um pequeno número de plaquetas. Durante o progresso do processo, o músculo se prolifera e, nas etapas finais, intensifica-se o sangramento para dentro da placa

As LDL pequenas e densas são mais susceptíveis de causar aterosclerose pelo facto de entrarem mais facilmente no espaço subendotelial, e de ficarem aí retidas e de serem mais susceptíveis à oxidação (em parte também por terem menor teor de Vitamina E). Em caso de inflamação crónica combinada com maior concentração de partículas de LDL pequenas e densas, o risco cardiovascular aumenta significativamente.

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Quanto maior o número de partículas de LDL pequenas e densas na íntima, maior é a lesão. Citocinas e lipídios oxidados desempenham papéis importantes na ativação de células endoteliais. Durante os primeiros estágios da aterosclerose, monócitos e linfócitos T se infiltram na íntima vascular.

Monócitos diferenciam-se em macrófagos que capturam lipídios oxidados ou a LDL oxidada para formar células espumosas. Este processo depende da expressão de moléculas de adesão de leucócitos e quimiocinas nas quais a transcrição é realizada pelo fator NF-kβ. Esse fator é um fator de transcrição e é ativado quando as citocinas pró-inflamatórias se ligam a seus receptores na superfície endotelial. A LDL oxidada regula as moléculas de adesão.

Algumas células espumosas na lesão íntima em desenvolvimento morrem por apoptose. Esta apoptose faz com que um núcleo necrosante rico em lipídios esteja no centro da placa aterosclerótica mais desenvolvida. Os monócitos, além de produzirem células espumosas, podem produzir substâncias citotóxicas, como fator de necrose tumoral (TNF) e radicais livres. Essas substâncias podem causar mais danos ao endotélio, bem como mais oxidação do LDL, levando a mais alterações metabólicas. A musculatura passa a crescer para dentro do vaso, junto com tecidos fibrosos, macrófagos, linfócitos e gordura. A placa madura reduz o luxo sanguíneo nos vasos.

Fatores e indicadores de risco para aterosclerose

As causas exatas e os fatores de risco da aterosclerose são desconhecidos; entretanto, certas condições, características ou hábitos podem aumentar a chance de desenvolver aterosclerose, como aumento dos níveis de colesterol e LDL, redução do HDL, aumento da pressão sanguínea, tabagismo, resistência à insulina, diabetes, sobrepeso e obesidade, sedentarismo, dieta inadequada, envelhecimento, inflamação, altos níveis de proteína C-reativa, hipertrigliceridemia, apneia do sono, estresse, defeitos na produção de óxido nítrico, aumento da homocisteína e alto consumo de álcool. Esta lista já nos mostra muito do que precisamos fazer para reduzir o risco de problemas cardíacos.

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Para a redução da inflamação uma série de compostos bioativos de plantas vem sendo investigados (ver tabela). Plantas são fonte de diferentes antioxidantes, como vitaminas, minerais e fitoquímicos que podem modular vias bioquímicas, reduzindo o estresse oxidativo e a inflamação. Um dos importantes componentes das plantas com efeitos antioxidantes é o grupo dos compostos fenólicos, como os flavonóides.

Os flavonóides estão entre os antioxidantes potentes, sequestradores de radicais livres, auxiliares na eliminação de metais tóxicos e inibidores da peroxidação lipídica. Estudos mostram que os flavonóides inibem a oxidação de LDL em meios de cultura de macrófagos e também reduzem a absorção da LDL oxidada por receptores de varredura de macrófagos.

Esta temática é melhor discutida no curso online Fitoterapia. A tabela ao lado traz uma lista de possíveis plantas a serem utilizadas, considerando-se o efeito terapêutico dos flavonóides para doenças cardiovasculares:

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Intestino ruim, coração estressado

Sabe aquele ditado: “o caminho para o coração de um homem é pelo estômago”?. O ditado vai além, cientificamente falando. Estudos mostram que a saúde intestinal e a saúde do coração estão intrinsecamente ligadas e a chave para um coração forte pode estar no intestino. Para evitar um ataque cardíaco exercite-se, não fume, reduza o consumo de sal e mantenha o intestino funcionando diariamente.

Hoje sabemos que quando bactérias específicas são expostas a uma dieta rica em proteínas, produzem mais toxinas, as quais associam-se a mais inflamação e aumento do risco de problemas cardíacos. Pessoas com crescimento bacteriano intestinal exagerado tem uma chance 80% maior de sofrerem de doenças cardíacas (Adkins & Rezaie, 2018).

Por exemplo, quando certos micróbios do intestino usam colina, encontrada em grandes quantidades em ovos, carnes vermelhas, aves e peixes, produzem trimetilamina (TMA). A TMA pode ser convertida em TMAO, que tem sido associada à formação de placas nas artérias (aterosclerose).

Em uma revisão publicada no Journal of American Heart Association, 19 estudos confirmaram uma ligação entre níveis elevados de TMAO e aumento do risco de doença cardíaca. As pessoas que tinham níveis mais elevados de TMAO no soro sanguíneo eram 62% mais propensas a ter problemas cardíacos (Heianza et al., 2017).

Outro fato interessante é que certos micróbios foram encontrados em placas arteriais de pacientes com doenças cardíacas. Uma das hipóteses é que pessoas com disbiose possuem um revestimento intestinal comprometido, e certos micróbios translocam-se do intestino para a corrente sanguínea, viajando pelo corpo e alojando-se nas paredes das artérias, causando inflamação e contribuindo para doenças cardíacas.

A boa notícia é que tratando a disbiose e substituindo bactérias ruins por bactérias boas, mais ácidos graxos de cadeia curta são produzidos. Os mesmos estão envolvidos na regulação da pressão arterial, juntamente com outras funções fisiológicas. Aprenda a cuidar adequadamente de seu intestino e a proteger seu coração no curso online - DISBIOSE INTESTINAL.

Algumas dicas simples:

  • Evite açúcar.

  • Evite o uso desnecessário de medicamentos que alteram a composição da microbiota (antibióticos, antiinflamatórios não-esteroidais (como Advil e aspirina), antidepressivos, anticoncepcionais.

  • Consuma alimentos fermentados.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/