Sobrecarga hepática dificulta o tratamento da anemia

Está anêmico, suplementando ferro, sem conseguir normalizar os níveis de ferritina? Uma das causas pode ser a sobrecarga hepática. Para a correção da anemia ferropriva há necessidade da produção de heme, um grupo que consiste de um átomo de ferro dentro de um anel chamado protoporfirina IX.

O grupo heme tem importância biológica por ser grupo prostético de proteínas, conhecidas como hemeproteínas. Uma das hemeproteínas mais conhecidas é a hemoglobina, que é responsável por transportar oxigênio no sangue. Porém, o grupo heme faz parte de muitas outras hemeproteínas como a mioglobina, citocromos, catalases e peroxidases. As mesmas têm diversas funções como: ligação e transporte de oxigênio, transferência de elétrons, catálise e sinalização.

Uma das famílias de hemeproteínas mais importantes é a do citocromo P450. Mais de 50% do heme no fígado é justamente usado para a produção destas proteínas, responsáveis por processos de eliminação de toxinas, pela síntese de hormônios e de vitamina D.

Quando há deficiência de ferro o heme não é formado, nem uma gama enorme de proteínas, como vemos na imagem desta página. O fígado pode ser sobrecarregado de várias formas, incluindo consumo excessivo de álcool, de açúcar, de pesticidas e de medicamentos. Em situação de sobrecarga, menos citocromo P450 será produzido, impedindo a eliminação de toxinas. Ao suplementar ferro, o órgão tenta recuperar-se, sequestrando o mineral na tentativa de produzir suas proteínas destoxificantes. É por isso, que muitas vezes, em situação de sobrecarga hepática a recuperação da anemia é muito mais demorada. Assim, além da suplementação de ferro, é importante também o ajuste da dieta, para que a mesma, ao invés de atrapalhar, facilite a recuperação do fígado.

Um nutriente importante, e que geralmente está faltando na dieta é o magnésio. Para que toxinas sejam eliminadas pelo citocromo P450 há necessidade de geração de NADPH, que contém magnésio. Muitas vezes, uma intolerância à um medicamento decorre justamente da deficiência deste mineral (Mansmann Jr., 2009). A intoxicação dá-se pela incapacidade de eliminação do medicamento, quando alta magnésio, que está presente em vegetais verde escuros.

Estou preparando dois três cursos novos, um de nutrição ortomolecular, outro de bioquímica e um último de avaliação de exames laboratoriais. Em breve, muitas novidades para que profissionais de saúde consigam auxiliar cada vez melhor seus clientes. Assine a newsletter para receber por email as promoções de lançamento.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/contato/
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