Quer engravidar? Converse com um nutricionista sobre a sua alimentação!

Ontem publiquei um artigo sobre a importância de vários nutrientes para a proteção do ovário e para a adequada implantação do embrião no útero. A história não para por aí. Dentro da barriga da mulher o bebê precisará receber tudo o que precisa, uma quantidade enorme de nutrientes e oxigênio por meio do cordão umbilical. Seu futuro será decidido pela qualidade do que chega. Assim, a mulher precisa respirar bem e se alimentar bem. Mas essa preocupação deve começar pelo menos 3 meses antes da tentativa de engravidar já que os folículos ovarianos começam a amadurecer três ciclos antes da ovulação. 

Com nutrientes adequados haverá melhor equilíbrio na produção hormonal. Confira o artigo de ontem para entender melhor. Deixei para hoje outros hormônios importantes como os androgênios e estrogênios, que reduzem a produção de radicais livres nos ovários (Vasconsuelo, Milanesi & Boland, 2013), prevenindo o envelhecimento precoce dos mesmos.

Mulheres com estrogênio baixo têm maior dificuldade de aumentar a camada do endométrio. A vitamina E administrada em veículo oleoso aumenta a espessura do endométrio (Takasaki et al., 2010). Exemplos de boas fontes de vitamina E na alimentação são: abacate, gérmen de trigo, azeite de oliva e semente de girassol. A carnitina também contribui para o aumento da camada endometrial. A carnitina também aumenta a progesterona, um hormônio essencial para a gravidez. Neste caso, o ideal é a suplementação (Ismail et al., 2014).

download.jpg

A mulher com envelhecimento tem menor produção de progesterona, que aumentam as células da granulosas (células que rodeiam o ovócito no folículo). A deficiência de vitamina D prejudica a proliferação de células da granulosa reduzindo a taxa de fertilidade (Irani & Merhi, 2014).

Os androgênios fazem o recrutamento dos folículos e reduzem a atresia, a morte celular (Prizant, Gleicher & Sen, 2014). Alguns nutrientes são importantes para a produção de androgênios como o boro (Naghii et al., 2011).

F1.medium.gif

Desde ontem tenho focado bastante na questão ovariana, mas os homens também precisam se cuidar consumindo mais frutas, vegetais, peixes e frutos do mar ou suplementos de ômega-3, que reduzem o risco de alterações na produção de sêmen. Já o consumo excessivo de carne vermelha, carnes processadas (presunto, mortadela, salame, linguiça, salsicha), doces, refrigerantes e queijos amarelos podem influenciar negativamente a produção de espermatozóides de boa qualidade.

A qualidade do esperma é menor nos homens que  consomem mais álcool, fumam ou tem uma dieta pobre em antioxidantes. O boro também é importante para aumentar a produção de androgênios (principalmente testosterona) nos homens. Abacate, uvas, damasco, pêssego, feijão, lentilha, amêndoa, castanha do Brazil, castanha de caju, pistache são boas fontes de boro.

Adote uma dieta variada e colorida:

- Vermelhos: tomate, molho de tomate, extrato de tomate, caqui, pitanga, morango, melancia, goiaba vermelha, pimentão vermelho, toranja são ricos em licopeno, antioxidante que mantém os ovários e a próstata saudáveis.

Amarelos: óleos de castanhas, azeite, de sementes (como abóbora e linhaça), geléia real e peixes melhoram o fluxo sanguíneo e a oxigenação dos tecidos. Também são fontes de vitamina E, antioxidante que melhora a qualidade dos espermatozóides. Estudos mostram que a geleia real aumenta o crescimento folicular (Ghanbari et al., 2018).

- Alaranjados: abóbora, cenoura, manga, damasco, mamão, batata doce são ricos em carotenóides, antioxidantes que protegem os ovários contra o envelhecimento precoce.

- Verdes: espinafre, quiabo, lentilhas, couve, nabo, alface, aspargos, brócolis, ervilha são fontes de ácido fólico, vitamina essencial para a metilação, proteção do DNA e formação do tubo neural do bebê. 

Engravidou? Parabéns! Continue cuidando muito bem da alimentação

Ao longo da gestação a necessidade de calorias vai aumentando, principalmente a partir do segundo trimestre. A gestante precisa entregar os nutrientes e energia que o bebê precisa para crescer e se desenvolver adequadamente. Nada pode faltar. Mas também não há necessidade de comer por dois. O ganho de peso exagerado na gestação aumenta o risco de hipertensão, eclâmpsia, diabetes gestacional e complicações no parto. Converse com seu nutricionista e ajuste suas refeições à seu estilo de vida, necessidades e tipo de atividade física que adotar neste período.

Deficiências de iodo, de zinco, de selênio, de ferro, de proteína, de ômega-3 precisam ser corrigidas para não prejudicarem o desenvolvimento cognitivo da criança. Já o uso de antioxidantes (n-acetil cisteína, vitamina C e E) aumentam também a taxa de nascidos vivos, assim como vitaminas do complexo B (Showell et al., 2017). Cuidar do intestino também é importantíssimo. Uma microbiota saudável reduz o risco de infecções urogenitais, melhora a primeira colonização do bebê, reduzindo nele a incidência de alergias e outras disfunções imunes.

Pensando em engravidar? Marque sua consultoria!

Compartilhe se achou interessante.
Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, mestre em nutrição humana, doutora em psicologia clínica e cultura, pós-doutora em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em Coaching e Yoga. Para contratar clique na aba consultoria no topo da página. Obrigada por visitar esta página!
Tags