Saúde de precisão na reumatologia

Por que duas pessoas com a mesma doença podem responder de forma completamente diferente ao mesmo tratamento? Isso não é acaso. É biologia. Nas doenças reumatológicas como artrite reumatoide, lúpus, artrite psoriática e esclerose sistémica, o curso clínico pode variar muito entre pacientes. Dor crônica, fadiga e inflamação sistêmica fazem parte do quadro, mas a intensidade, progressão e resposta ao tratamento não são iguais para todos.

Durante muito tempo, o tratamento seguiu um modelo reativo: prescreve-se um fármaco, aguarda-se semanas ou meses, avalia-se a resposta e, se necessário, troca-se a terapêutica. Um processo lento, com impacto direto na qualidade de vida e no risco de dano irreversível.

A medicina de precisão muda essa lógica. Em vez de tratar a doença apenas pelo nome, passa a considerar as características biológicas de cada pessoa. O foco é individualizar decisões clínicas com base em dados objetivos. Aqui entram os biomarcadores.

São sinais mensuráveis no sangue, nos exames genéticos e metabolômicos que ajudam a entender o que está acontecendo. Na prática clínica, alguns já são bem estabelecidos:

• Artrite reumatoide: Fator reumatoide e anti-CCP

• Lúpus: FAN, anti-dsDNA e complemento C3/C4

• Esclerose sistêmica: anti-Scl70 e anticentrómero

• Inflamação sistêmica: PCR e VHS

Estes marcadores ajudam a:

• apoiar o diagnóstico mais precoce

• estimar atividade e gravidade da doença

• orientar escolha terapêutica

• monitorizar resposta ao tratamento

O impacto é clínico e concreto: menos atraso no diagnóstico, menor progressão de dano articular, menos tentativa e erro terapêutico e maior probabilidade de controle sustentado da doença.

Mas, ainda existem limitações importantes. Muitos biomarcadores não têm padronização universal, a interpretação pode variar entre laboratórios e não substituem o raciocínio clínico. O futuro aponta para uma abordagem integrada: painéis combinados de biomarcadores, dados clínicos e inteligência artificial para apoiar decisões mais individualizadas.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Estrogênio, histamina e o cérebro

A maioria das pessoas relaciona histamina com alergia, espirro, coceira, corrimento nasal. Mas ela também tem funções importantes dentro do cérebro. A histamina participa da regulação do humor, ansiedade, atenção, memória, sono e resposta ao estresse. Existe um sistema histaminérgico cerebral ativo, especialmente ligado ao hipotálamo, que influencia neurotransmissores como serotonina, dopamina, glutamato e GABA. Por isso, alterações na sinalização da histamina podem impactar sintomas emocionais e cognitivos.

Em algumas pessoas, especialmente mulheres, hormônios como o estrogênio podem aumentar ativação mastocitária e liberação de histamina. Isso ajuda a explicar por que certas fases do ciclo menstrual podem piorar sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia, enxaqueca, taquicardia e sensação de hiperalerta.

Hiperestrogenicidade e intolerância à histamina

Existe uma relação fisiológica clara entre estrogênios e histamina. Quando o estrogênio está elevado ou dominante, pode aumentar a atividade histaminérgica no organismo.

Como isso acontece?

1. Estrogênio estimula libertação de histamina

O estrogénio aumenta a atividade dos mastócitos. Mastócitos mais ativos libertam mais histamina.

Isso pode levar a sintomas como:

• cefaleia
• rubor
• prurido
• congestão nasal
• ansiedade
• insônia

2. Histamina também estimula estrogênio

A histamina ativa os ovários e pode estimular produção de estrogénio.

Ou seja, cria-se um ciclo de retroalimentação:

estrogênio ↑ → mastócitos ↑ → histamina ↑ → estrogênio ↑

3. Metabolismo da histamina depende de enzimas

A histamina é degradada principalmente por duas enzimas:

• DAO (diamino oxidase) no intestino
• HNMT no sistema nervoso

Baixa atividade dessas enzimas aumenta o risco de sintomas.

4. Estrogênio pode reduzir a atividade da DAO

Níveis elevados de estrogénio podem reduzir a atividade da DAO intestinal.
Resultado: mais histamina circulante.

Por isso muitas mulheres têm sintomas de histamina:

• na ovulação
• na fase lútea tardia
• com contraceptivos hormonais
• na dominância estrogénica

Sintomas que sugerem essa associação

• síndrome pré-menstrual intensa
• fluxo menstrual abundante
• sensibilidade mamária
• urticária ou prurido cíclico
• enxaqueca menstrual
• ansiedade e insónia pré-menstrual

Estratégias que costumam ajudar

Reduzir carga de histamina:

• álcool
• fermentados em excesso
• alimentos muito maturados

Apoiar metabolismo estrogênico e histamina:

• vitamina B6
• magnésio
• vitamina C
• quercetina
• suporte hepático

Além disso, estresse crônico também pode aumentar histamina. O eixo HPA, cortisol, intestino, sistema imune e sistema nervoso estão profundamente conectados.

Mas é importante entender uma coisa: histamina não é inimiga. Ela é essencial para vigília, aprendizado, atenção, memória, neuroplasticidade e imunidade. O problema geralmente não é “ter histamina”, e sim perder a capacidade de regulá-la adequadamente.

Por isso também é preciso cautela com a ideia de usar anti-histamínicos de forma crônica para ansiedade ou sintomas emocionais. Principalmente os de primeira geração, que atravessam mais o cérebro e têm efeito anticolinérgico importante.

A ciência está avançando muito nessa área, inclusive estudando receptores de histamina como alvo terapêutico para ansiedade, depressão e cognição. Mas equilíbrio continua sendo a palavra mais importante. Relaxe, coma bem e busque ajuda, sempre que necessário.

No dia 30/05 continuaremos nossa saga de estudos falando do cortisol. Para inscrever-se no curso de genômica visual clique no link.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Influência dos hormônios na concentração, motivação e impulsividade nas mulheres

Mulher: você já sentiu que seu TDAH / PHDA "piora" em certas semanas do mês? Que seu foco vai pro espaço? 🧠✨

Não é impressão sua; é biologia. A ciência revela que o TDAH feminino é profundamente influenciado pelas flutuações hormonais ao longo da vida.

A Conexão Dopamina-Estrogênio

O estrogênio não é apenas um hormônio reprodutivo; ele é um modulador crucial da dopamina no cérebro. Ele auxilia na síntese e manutenção desse neurotransmissor, que é justamente o que está em níveis mais baixos no TDAH. Quando os níveis de estrogênio caem drasticamente — como na fase lútea (antes da menstruação) ou na perimenopausa — a disponibilidade de dopamina também despenca, agravando os sintomas de desatenção, impulsividade e névoa mental.

O Desafio da Medicação

Muitas mulheres relatam que seus medicamentos estimulantes parecem "parar de funcionar" nos dias que antecedem a menstruação. Estudos qualitativos confirmam que essa queda na eficácia medicamentosa é comum e está ligada ao ambiente hormonal de baixo estrogênio e alta progesterona, que pode aumentar a sensibilidade à irritabilidade e ao estresse.

Marcos da Vida

Essa vulnerabilidade não se restringe ao ciclo mensal. Momentos de transição como a puberdade, o pós-parto e a menopausa são janelas críticas. Na perimenopausa, por exemplo, 70% das mulheres com TDAH descrevem o impacto dos sintomas como "transformador de vida", e 50% os classificam como "extremamente graves". O diagnóstico tardio nessas fases aumenta o risco de ansiedade, depressão e baixa autoestima.

O Papel da Nutrição e do Estilo de Vida

Entender essa biologia é o primeiro passo para o manejo eficaz. O tratamento do TDAH em mulheres deve ser personalizado, considerando o ciclo hormonal e estratégias integrativas para apoiar a saúde cerebral.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/