Estrogênio, histamina e o cérebro

A maioria das pessoas relaciona histamina com alergia, espirro, coceira, corrimento nasal. Mas ela também tem funções importantes dentro do cérebro. A histamina participa da regulação do humor, ansiedade, atenção, memória, sono e resposta ao estresse. Existe um sistema histaminérgico cerebral ativo, especialmente ligado ao hipotálamo, que influencia neurotransmissores como serotonina, dopamina, glutamato e GABA. Por isso, alterações na sinalização da histamina podem impactar sintomas emocionais e cognitivos.

Em algumas pessoas, especialmente mulheres, hormônios como o estrogênio podem aumentar ativação mastocitária e liberação de histamina. Isso ajuda a explicar por que certas fases do ciclo menstrual podem piorar sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia, enxaqueca, taquicardia e sensação de hiperalerta.

Hiperestrogenicidade e intolerância à histamina

Existe uma relação fisiológica clara entre estrogênios e histamina. Quando o estrogênio está elevado ou dominante, pode aumentar a atividade histaminérgica no organismo.

Como isso acontece?

1. Estrogênio estimula libertação de histamina

O estrogénio aumenta a atividade dos mastócitos. Mastócitos mais ativos libertam mais histamina.

Isso pode levar a sintomas como:

• cefaleia
• rubor
• prurido
• congestão nasal
• ansiedade
• insônia

2. Histamina também estimula estrogênio

A histamina ativa os ovários e pode estimular produção de estrogénio.

Ou seja, cria-se um ciclo de retroalimentação:

estrogênio ↑ → mastócitos ↑ → histamina ↑ → estrogênio ↑

3. Metabolismo da histamina depende de enzimas

A histamina é degradada principalmente por duas enzimas:

• DAO (diamino oxidase) no intestino
• HNMT no sistema nervoso

Baixa atividade dessas enzimas aumenta o risco de sintomas.

4. Estrogênio pode reduzir a atividade da DAO

Níveis elevados de estrogénio podem reduzir a atividade da DAO intestinal.
Resultado: mais histamina circulante.

Por isso muitas mulheres têm sintomas de histamina:

• na ovulação
• na fase lútea tardia
• com contraceptivos hormonais
• na dominância estrogénica

Sintomas que sugerem essa associação

• síndrome pré-menstrual intensa
• fluxo menstrual abundante
• sensibilidade mamária
• urticária ou prurido cíclico
• enxaqueca menstrual
• ansiedade e insónia pré-menstrual

Estratégias que costumam ajudar

Reduzir carga de histamina:

• álcool
• fermentados em excesso
• alimentos muito maturados

Apoiar metabolismo estrogênico e histamina:

• vitamina B6
• magnésio
• vitamina C
• quercetina
• suporte hepático

Além disso, estresse crônico também pode aumentar histamina. O eixo HPA, cortisol, intestino, sistema imune e sistema nervoso estão profundamente conectados.

Mas é importante entender uma coisa: histamina não é inimiga. Ela é essencial para vigília, aprendizado, atenção, memória, neuroplasticidade e imunidade. O problema geralmente não é “ter histamina”, e sim perder a capacidade de regulá-la adequadamente.

Por isso também é preciso cautela com a ideia de usar anti-histamínicos de forma crônica para ansiedade ou sintomas emocionais. Principalmente os de primeira geração, que atravessam mais o cérebro e têm efeito anticolinérgico importante.

A ciência está avançando muito nessa área, inclusive estudando receptores de histamina como alvo terapêutico para ansiedade, depressão e cognição. Mas equilíbrio continua sendo a palavra mais importante. Relaxe, coma bem e busque ajuda, sempre que necessário.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/