Por que tantas pessoas com TDAH têm dor crônica?

O estudo Genetic Interplay Between Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder and Pain demonstra sobreposição genética entre o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), enxaqueca e dor crônica multissistêmica, sugerindo que variantes que afetam neurodesenvolvimento também modulam vias nociceptivas.

Do ponto de vista neurobiológico, três eixos explicam essa comorbidade:

- Disfunção catecolaminérgica: TDAH envolve hipoatividade dopaminérgica e noradrenérgica. Esses mesmos neurotransmissores regulam a modulação descendente da dor. Redução dessa inibição aumenta a sensibilidade nociceptiva, fenômeno semelhante à sensibilização central.

- Convergência neural entre atenção e dor: áreas como córtex cingulado anterior, tálamo e ínsula participam tanto da atenção quanto da dor. A competição por recursos neurais leva a amplificação da dor e pior controle atencional.

- Disregulação muscular e autonômica: indivíduos com TDAH apresentam maior tônus muscular basal e pior recuperação durante o sono, favorecendo dor miofascial difusa, especialmente axial.

Além disso, há componente inflamatório e possível ativação microglial, especialmente em mulheres, o que contribui para hiperalgesia persistente.

Implicações em nutrição e modulação:

• Dopamina - Aporte adequado de tirosina, ferro, zinco e vitamina B6 para síntese catecolaminérgica.

• Inflamação - Redução de alimentos ultraprocessados e aumento de ômega-3 (EPA/DHA), polifenóis e magnésio.

• Eixo intestino-cérebro - Disbiose amplifica inflamação sistêmica e dor. Fibras fermentáveis e probióticos podem modular citocinas.

• Sono - Correção de deficiência de magnésio e exposição à luz, pois sono profundo é crítico para relaxamento muscular.

• Sistema nervoso - Exercício resistido e técnicas vagais reduzem sensibilização central.

TDAH e dor compartilham arquitetura biológica. A dor não é secundária, mas parte do fenótipo neurobiológico. Intervenções eficazes exigem abordagem integrada entre neurotransmissores, inflamação e metabolismo energético.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Como a inflamação crônica gera resistência à insulina e aumenta o risco de diabetes?

A resistência insulínica não surge de forma súbita. Ela é resultado de uma cascata inflamatória dentro da célula, como mostra a figura.

Tudo começa com estímulos inflamatórios comuns no dia a dia:

  • excesso de gordura visceral

  • consumo frequente de alimentos ultraprocessados

  • privação de sono

  • estresse crônico

  • disfunção intestinal

  • sedentarismo

Esses estímulos aumentam a produção de citocinas inflamatórias e de ácidos graxos circulantes. A partir daí, ocorre a ativação de proteínas inflamatórias dentro da célula, principalmente JNK e IKK.

Essas proteínas funcionam como interruptores da inflamação. Quando são ativadas, elas bloqueiam uma estrutura central da ação da insulina chamada IRS-1 e IRS-2, que são responsáveis por transmitir o sinal da insulina para dentro da célula. O resultado é direto: a insulina está presente, mas o sinal não chega.

Ao mesmo tempo, essas mesmas vias inflamatórias ativam fatores como NF-κB e AP-1, que estimulam a produção de mais genes inflamatórios. Isso cria um ciclo de amplificação:

  • inflamação gera resistência insulínica

  • resistência insulínica gera mais inflamação

Esse processo pode começar anos antes de qualquer alteração na glicose aparecer.

ONDE A GENÉTICA ENTRA NESSA HISTÓRIA?

Algumas pessoas possuem variantes genéticas que tornam essa cascata inflamatória mais sensível ou mais intensa. Não é uma doença genética. É uma resposta inflamatória mais reativa.

Entre as variantes mais estudadas estão genes relacionados a:

Produção de inflamação

  • IL6

  • TNFA

  • IL1B

  • CCL2

Essas variantes podem aumentar a produção de citocinas inflamatórias e prolongar a resposta inflamatória.

Sinalização da insulina

  • IRS1

  • PPARG

  • ADIPOQ

Essas variantes podem reduzir a eficiência da comunicação da insulina com a célula.

Resposta imune e inflamatória

  • TLR4

  • NFKB1

Esses genes regulam o quanto o organismo reage a estímulos como gordura saturada, endotoxinas intestinais e hiperglicemia.

Na prática, isso significa:

  • Algumas pessoas inflamam mais rápido.

  • Outras demoram mais para recuperar.

  • E algumas desenvolvem resistência insulínica mesmo com hábitos aparentemente adequados.

Isso explica por que duas pessoas com o mesmo peso e a mesma alimentação podem ter respostas metabólicas completamente diferentes.

POR ISSO O AMBIENTE IMPORTA AINDA MAIS EM QUEM TEM PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA

A genética não é destino. Mas ela reduz a margem de tolerância metabólica. Quando existe predisposição inflamatória, o organismo precisa de um ambiente mais favorável para manter o equilíbrio metabólico.

Os pilares que mais modulam essa cascata são:

Atividade física - Reduz inflamação, melhora a sensibilidade à insulina e diminui a ativação dessas vias inflamatórias.

Sono adequado - Privação de sono aumenta citocinas inflamatórias e resistência insulínica em poucos dias.

Alimentação - Excesso calórico, ultraprocessados e gorduras inflamatórias ativam diretamente essas vias intracelulares.

Saúde intestinal - Disbiose e aumento da permeabilidade intestinal facilitam a entrada de endotoxinas inflamatórias na circulação.

Em pessoas com maior predisposição genética, o cuidado com estilo de vida não é opcional. É fisiologia aplicada.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Análise funcional do perfil de ácidos graxos eritrocitários

Fiz um exame que avalia a composição de ácidos gordos nas membranas dos eritrócitos, um biomarcador robusto da ingestão lipídica integrada ao longo de aproximadamente 120 dias. Trata-se de uma ferramenta funcional que permite inferir o estado inflamatório, a qualidade da ingestão de gorduras e o impacto metabólico dessas escolhas. Falo dele neste vídeo:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/