Reversão da síndrome metabólica

Pesquisadores da UFSCar e da College London analisaram dados de 3.952 britânicos com mais de 50 anos ao longo de oito anos. Os resultados mostraram que pessoas com obesidade abdominal e dinapenia (fraqueza muscular) têm 234% mais chance de desenvolver síndrome metabólica em comparação com aquelas sem essas condições. O risco é quase o dobro em relação a quem tem apenas obesidade, que apresenta um aumento de 126%.

A síndrome metabólica inclui cinco condições principais:

  • Obesidade abdominal

  • Aumento de triglicérides

  • Hiperglicemia

  • Redução do colesterol HDL

  • Pressão arterial elevada

Esses fatores elevam substancialmente o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outros problemas graves de saúde. Segundo os pesquisadores, a prática regular de exercícios aeróbicos e de resistência é essencial para manter a força muscular e evitar a infiltração de gordura no músculo, o que compromete o metabolismo e aumenta a resistência à insulina. Manter-se ativo ajuda a prevenir a perda de força e complicações típicas do envelhecimento. A combinação de obesidade abdominal e fraqueza muscular aumenta em 85% o risco de morte por doenças cardiovasculares.

COMO REVERTER A SÍNDROME METABÓLICA?

Muitas estratégias vêm sendo estudadas para a reversão da síndrome metabólica, obesidade e diabetes. Dentre elas, destacam-se:

1) Dieta cetogênica

2) Dietas de baixa caloria (DBC) e restrição de carboidratos (RC) também são identificadas como métodos eficazes para a reversão do DM2 [1].

3) Outras abordagens incluem modificações intensivas no estilo de vida, medicamentos como agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1), agonistas duplos do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP)/GLP-1 e inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2) [2] [3].

4) A cirurgia bariátrica tem sido recomendada para o tratamento do Diabetes Tipo 2 (DM2) desde 2016 por um grupo de consenso internacional sobre diabetes [1].

Para o Diabetes Mellitus Tipo 2 de início na juventude (DM2I), modificações no estilo de vida, medicamentos ou mesmo intervenções cirúrgicas são consideradas para remissão ou reversão, especialmente para pacientes com células β pancreáticas produtoras de insulina bem funcionais, resistência à insulina e obesidade [4].

1) SJ Hallberg et al. Reversing Type 2 Diabetes: A Narrative Review of the Evidence. Nutrients (2019). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30939855/

2) JH Ko et al. Type 2 Diabetes Remission with Significant Weight Loss: Definition and Evidence-Based Interventions. Journal of obesity & metabolic syndrome (2022). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35618657/

3) Arpan et al. Achieving Diabetes Remission: Current Guidelines and Emerging Pharmacotherapies in India. The Journal of the Association of Physicians of India (2025). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41100333/

4) Q Jia et al. Reassessing type 2 diabetes in adolescents and its management strategies based on insulin resistance. Frontiers in endocrinology (2024). https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38962677/

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Vai fazer reposição hormonal? Então comece a desinflamar!

Quando existe um processo inflamatório ativo, a reposição hormonal pode trazer riscos importantes, porque os hormônios sexuais, especialmente os estrogênios, interagem diretamente com o sistema imunológico e com mediadores inflamatórios. Essa interação pode amplificar reações metabólicas e vasculares indesejadas.

A inflamação por si só já aumenta a coagulação e reduz a fibrinólise. Quando o estrogênio é introduzido nesse contexto, o risco de trombose ou de eventos cardiovasculares cresce ainda mais. Além disso, a inflamação crônica danifica o endotélio, e o estrogênio, que normalmente teria efeito protetor, pode acabar intensificando a instabilidade das placas e a reatividade vascular.

O fígado também sofre durante estados inflamatórios. O metabolismo hepático de lipídios e hormônios se altera, o que torna a resposta à reposição imprevisível. Isso pode levar ao aumento dos triglicerídeos, resistência à insulina e sobrecarga hepática.

No sistema imune, o estrogênio pode aumentar a produção de citocinas pró-inflamatórias, como IL-6 e TNF-α. Em mulheres com inflamação, essa ação pode piorar sintomas como dores articulares, fadiga e manifestações autoimunes.

Por isso, antes de iniciar qualquer reposição hormonal, é indispensável investigar e controlar marcadores inflamatórios, como PCR, ferritina e homocisteína, além de tratar a causa base do processo inflamatório. Exames multiômicos também são muito interessantes:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Por que a menopausa aumenta o risco de câncer de mama?

Quando os ovários entram em falência funcional, a produção de estradiol (E2) cai drasticamente. A partir daí, a principal fonte de estrogênio do corpo passa a ser a estrona (E1), que é produzida fora dos ovários. O tecido adiposo assume esse papel através da enzima aromatase, que converte androgênios adrenais, como a androstenediona, em estrona.

Embora seja mais fraca que o estradiol, a estrona continua metabolicamente ativa. Ela pode ser reconvertida em E2 em tecidos sensíveis, como o mamário e o endometrial, mantendo o estímulo estrogênico local.

O metabolismo da estrona ocorre por três principais vias:

  • 2-OHE1, considerada protetora, com baixa afinidade pelos receptores de estrogênio e facilmente metilada na fase 2 da detoxificação;

  • 4-OHE1, genotóxica e mutagênica, com alta afinidade pelo receptor e potencial para causar dano ao DNA se não for rapidamente conjugada;

  • 16-OHE1, de ação altamente proliferativa, também com forte ligação ao receptor estrogênico e associada a doenças estrogênio-dependentes quando em excesso.

Com o envelhecimento, obesidade, resistência à insulina e inflamação crônica, há uma tendência de o metabolismo favorecer justamente as vias de risco — 4-OHE1 e 16-OHE1. Esse desequilíbrio metabólico, somado à maior aromatização pelo excesso de tecido adiposo, aumenta a carga estrogênica circulante e local.

A partir dos 60–65 anos, o risco cresce por múltiplos fatores:

  • aumento da aromatização no tecido adiposo;

  • inflamação crônica que altera a atividade das enzimas CYP1A1, CYP1B1 e COMT, redirecionando o metabolismo para vias carcinogênicas;

  • acúmulo de exposição estrogênica ao longo da vida;

  • redução da capacidade hepática de detoxificação e presença de polimorfismos genéticos que comprometem a eliminação de metabólitos tóxicos.

Mesmo após a menopausa, o tecido mamário mantém receptores de estrogênio ativos, o que o torna sensível ao estímulo proliferativo da estrona e do estradiol local. Podemos avaliar tudo isso com exames específicos para a saúde da mulher:

Quando há predomínio dos metabólitos 4-OHE1 e 16-OHE1, o foco deve ser restaurar o equilíbrio do metabolismo estrogênico, favorecendo a via 2-OHE1 e otimizando a metilação e conjugação hepática. A estratégia envolve nutrientes cofatores de enzimas da fase 1 e 2 da detoxificação, além de compostos moduladores da aromatase e da inflamação.

1. Suporte à via 2-OHE1 (CYP1A1):

  • Indol-3-carbinol (I3C) e DIM (diindolilmetano): derivados de vegetais crucíferos que estimulam a atividade da CYP1A1, desviando o metabolismo da estrona para a via 2-hidroxilada (protetora).

  • Sulforafano: ativa a via Nrf2, aumentando enzimas de detoxificação e reduzindo a expressão de CYP1B1, que favorece o 4-OHE1.

2. Apoio à metilação (fase 2 de detox):
Essencial para neutralizar metabólitos reativos como 4-OHE1.

  • Metilfolato (5-MTHF), vitamina B12 (metilcobalamina), B6 (P-5-P): cofatores da enzima COMT, responsável pela metilação dos catecolestrogênios.

  • Betaína (trimetilglicina) e colina: doadores de grupos metil, úteis especialmente em indivíduos com polimorfismos MTHFR ou COMT lentos.

3. Redução de 16-OHE1 (ação proliferativa):

  • Resveratrol e quercetina: modulam a expressão de aromatase e reduzem o metabolismo pela via 16-hidroxilada.

  • Curcumina: anti-inflamatória e reguladora de CYPs hepáticas; reduz 16-OHE1 e melhora conjugação.

  • Ácido alfa-lipóico e N-acetilcisteína (NAC): aumentam glutationa, essencial para conjugação de metabólitos estrogênicos tóxicos.

4. Modulação da aromatase e inflamação:

  • Ômega-3 (EPA/DHA): reduz inflamação e expressão de aromatase no tecido adiposo.

  • Extrato de sementes de uva e chá verde (EGCG): inibem aromatase e reduzem estrogênios circulantes.

5. Suporte hepático:

  • Silimarina, taurina e magnésio: favorecem conjugação e excreção biliar adequada dos metabólitos.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/