Perspectivas futuras
Apesar dos avanços, ainda faltam biomarcadores que facilitem o diagnóstico precoce e tratamentos personalizados. Pesquisadores reforçam a importância de preparar sistemas de saúde para possíveis aumentos de casos após surtos infecciosos, como aconteceu com o Zika e o COVID-19.
Cirurgia bariátrica e síndrome de Guillain-Barré
Deficiências nutricionais estão implicadas no desenvolvimento da SGB, particularmente após cirurgia bariátrica ou perda ponderal rápida, sendo a suplementação de tiamina e vitamina B12 crucial [2] [3]. O início da SGB geralmente ocorre semanas ou meses após a cirurgia, e a recuperação varia, com alguns pacientes apresentando déficits neurológicos persistentes ou insuficiência respiratória [2].
Outra revisão de cinco casos de SGB induzida por dieta e 19 casos associados à cirurgia bariátrica enfatizou que a perda de peso rápida e substancial, que pode levar a deficiências nutricionais, pode desencadear a SGB. Todos os cinco pacientes com SGB induzida por dieta obtiveram recuperação completa em 6 meses, sendo que três receberam imunoglobulina intravenosa (IVIG) e dois receberam apenas terapia nutricional [3].
Nutrição na síndrome de Guillain-Barré
Após o diagnóstico, se o paciente não puder se alimentar por via oral precisará de suporte nutricional. Contudo, a alimentação por sonda nasogástrica a longo prazo representa um risco relevante para pacientes com síndrome de Guillain-Barré (SGB) na fase aguda. Assim, alguns pacientes necessitarão de gastrostomia, que não pode ser removida [1].
Um estudo retrospectivo com 50 pacientes com SGB (idade média de 51,1 ± 18,7 anos) constatou que 14 pacientes necessitaram de alimentação por sonda durante a fase aguda. Embora todos os sete pacientes que receberam alimentação por sonda nasogástrica tenham tido suas sondas removidas (duração média de 62,1 ± 46,5 dias), dois dos sete pacientes com sondas de gastrostomia não puderam tê-las removidas, indicando necessidade de suporte nutricional a longo prazo [1].
A nutrição enteral e parenteral contínua pode melhorar significativamente os sintomas em pacientes com SGB que apresentam complicações graves, como a síndrome da artéria mesentérica superior (SAM), devido à perda ponderal. Em um caso pediátrico de SGB refratária complicada por SMAS grave devido à perda de peso, a progressão gradual da nutrição enteral e parenteral contínua melhorou significativamente os sintomas do paciente e resolveu a hipofosfatemia, facilitando o desmame da ventilação mecânica [4].