Desafio HCl e teste do bicarbonato

O HCL (ácido clorídrico) é produzido no estômago e é fundamental para a digestão — especialmente das proteínas — e para a absorção de minerais como ferro, cálcio e zinco e vitamina B12. Produzimos HCl quando estamos com fome, quando consumimos proteína e quando estamos nervosos. Sem HCl a digestão fica prejudicada.

A betaína HCl é um suplemento extraído da beterraba, sendo a fonte natural mais significativa deste composto. Faz a função ácida do estômago, ajudando a:

• Ativar o pepsinogênio em pepsina

• Melhorar a digestão de proteínas

• Favorecer a absorção de ferro, zinco e B12

• Reduzir fermentação e disbiose

O desafio do HCl é uma forma polêmica de testar a acidez estomacal. Mas o que é este desafio?

Desafio HCl

Geralmente, o teste é feito com betaína HCl em cápsulas. A pessoa ingere uma cápsula de betaína HCl (100mg) com uma refeição proteica.

Observe se há sensação de aquecimento ou queimação no estômago.

  • Se sentir queimação leve ou calor epigástrico, seu estômago já tem acidez suficiente → suspenda.

  • Se não sentir nada, pode indicar baixa acidez. Com acompanhamento nutricional, a dose pode ser aumentada gradualmente até leve calor (sem desconforto). Esta estratégia é contra-indicada para pessoas com:

  • Gastrite ativa, úlcera ou refluxo grave;

  • Idosos com risco de sangramento,

  • Uso de anti-inflamatórios ou anticoagulantes.

Ao restaurar o pH ácido, a digestão melhora, a pepsina volta a agir e os sintomas de empachamento e fermentação diminuem. Mas lembre-se: A digestão começa na boca. Mastigue bem. Se não dá tempo de mastigar tudo, coma menos. Coma com consciência, com calma.

E o teste do bicarbonato?

O “teste do bicarbonato do arroto” (ou “teste do arroto com bicarbonato”) é um método caseiro e popular que muitas pessoas usam para avaliar a acidez do estômago — mas não é um teste validado cientificamente. A versão mais comum é assim:

  1. Em jejum, você mistura 1/4 de colher de chá de bicarbonato de sódio em meio copo de água.

  2. Bebe a mistura.

  3. Espera para ver em quanto tempo arrota.

A teoria por trás do teste é que o bicarbonato (uma substância alcalina) reage com o ácido clorídrico do estômago, produzindo dióxido de carbono (CO₂) — o gás que causaria o arroto.

Segundo a crença popular:

  • Se você arrotar em menos de 2 minutos, teria ácido suficiente (digestão normal).

  • Se demorar mais de 5 minutos, teria “pouco ácido no estômago” (hipocloridria).

O importante é observar-se. Ouça o seu corpo, ele tem muita inteligência.

👅 Benefícios de mastigar bem

  1. Estimula a produção de ácido clorídrico (HCL) — o ato de mastigar e saborear envia sinais ao cérebro para liberar enzimas e ácido no estômago.

  2. Reduz a sobrecarga digestiva — quanto mais triturado o alimento chega ao estômago, mais fácil é a ação do HCl e das enzimas.

  3. Melhora a absorção de nutrientes — partículas menores de alimento são melhor aproveitadas pelo intestino.

  4. Previne refluxo e gases — a digestão eficiente evita fermentação e desconfortos.

  5. Promove saciedade — mastigar lentamente permite que o cérebro perceba quando o corpo está satisfeito.

Cuidado

  • Não use se houver gastrite, úlcera ou refluxo ativo

  • Evite com anti-inflamatórios

  • Não combine com pancreatina (pH opostos)

  • Tome no meio da refeição, nunca em jejum

  • Não tome sem necessidade

🧠 A Betaína HCl não é para quem tem azia — é para quem perdeu o ácido que desperta a digestão. Também não é para quem quer emagrecer. Se você quer emagrecer deixe seu corpo produzir tudo o que precisa, com isso gasta energia. Se você toma enzimas sem necessidade, seu corpo não precisa produzí-las. Isso também vale para amilase, maltase, lactase, sacarase, DPP-IV, lipase, DAO, etc.

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📚 Yago MR, Frymoyer AR, Smelick GS, Frassetto LA, Budha NR, Dresser MJ, Ware JA, Benet LZ. Gastric reacidification with betaine HCl in healthy volunteers with rabeprazole-induced hypochlorhydria. Mol Pharm. 2013 Nov 4;10(11):4032-7. doi: 10.1021/mp4003738. Epub 2013 Sep 10. PMID: 23980906; PMCID: PMC3946491.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Metabolismo do álcool (etanol)

O metabolismo do etanol (álcool etílico) é o conjunto de reações bioquímicas que o organismo utiliza para absorver, oxidar e eliminar o álcool do corpo. A maior parte desse processo ocorre no fígado, embora pequenas quantidades também sejam metabolizadas no estômago e eliminadas pelos pulmões e rins.

1. Absorção do etanol

  • O etanol é absorvido rapidamente pelo trato gastrointestinal, principalmente:

    • 20% no estômago

    • 80% no intestino delgado

  • Como é uma molécula pequena e solúvel em água e gordura, ele difunde-se facilmente pelas membranas celulares e entra na circulação sanguínea.

  • A concentração máxima no sangue ocorre cerca de 30 a 90 minutos após a ingestão.

2. Metabolismo hepático (principal via)

Cerca de 90–95% do etanol ingerido é metabolizado no fígado, em três etapas principais:

Etapa 1 – Oxidação do etanol a acetaldeído

O NADH produzido aumenta a razão NADH/NAD⁺, o que tem consequências metabólicas importantes (ver abaixo).

Etapa 2 – Conversão de acetaldeído em acetato

O acetaldeído é tóxico — é o principal responsável pela ressaca e danos hepáticos. O acetato formado é menos tóxico.

Etapa 3 – Conversão do acetato em CO₂ e H₂O

3. Outras vias metabólicas (quando o consumo é alto)

Quando a via da ADH satura, o organismo usa sistemas secundários:

a) Microssomal (MEOS – sistema oxidativo do etanol no retículo endoplasmático liso)

  • Enzima principal: CYP2E1 (citocromo P450)

  • Usa NADPH e oxigênio

  • Aumenta com o uso crônico de álcool → indução enzimática

  • Gera radicais livres, contribuindo para o estresse oxidativo hepático

b) Catalase (peroxissomos)

  • Menos importante (≈ 2%)

  • Oxida etanol utilizando peróxido de hidrogênio (H₂O₂)

4. Consequências metabólicas do álcool

O excesso de NADH gerado nas reações anteriores causa desequilíbrio redox no fígado:

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Dieta cetogênica ajuda a tratar o sangramento uterino anormal

O sangramento uterino anormal (SUA) é mais comum do que muitas mulheres imaginam. Até os 60 anos, aproximadamente uma em cada três mulheres terá essa experiência. Além dos desafios físicos e emocionais, o SUA também representa um grande impacto para os sistemas de saúde.

Mas aqui vai uma notícia esperançosa: pesquisas recentes sugerem que os alimentos que consumimos—especificamente a redução da ingestão de carboidratos—podem ajudar a controlar condições que frequentemente causam o SUA.

O que está acontecendo por trás dos bastidores?

Muitas condições ginecológicas, como miomas uterinos, pólipos endometriais e síndrome dos ovários policísticos (SOP), estão intimamente ligadas à resistência à insulina, excesso de peso e outros problemas de saúde metabólica. Esses mesmos fatores aumentam o risco de diabetes e doenças cardíacas.

A resistência à insulina leva a níveis elevados de insulina (hiperinsulinemia), o que pode desequilibrar os hormônios normais. Esse desequilíbrio pode resultar em aumento da produção de estrogênio e diminuição dos níveis da globulina transportadora de hormônios sexuais (SHBG), uma proteína que se liga aos hormônios sexuais. O desequilíbrio entre estrogênio e SHBG pode contribuir para o desenvolvimento do SUA, promovendo a proliferação endometrial e reduzindo a eficácia da progesterona, essencial para regular o ciclo menstrual.

Além disso, a resistência à insulina está associada à inflamação crônica de baixo grau e à disfunção endotelial, que podem afetar a vasculatura uterina. Essa disfunção pode levar a padrões de sangramento anormais ao prejudicar a constrição e dilatação normais dos vasos sanguíneos do endométrio.

Compreender a conexão entre resistência à insulina e SUA é crucial para desenvolver estratégias eficazes de manejo. Abordar distúrbios metabólicos por meio de mudanças no estilo de vida, como alterações na dieta e atividade física, pode trazer benefícios terapêuticos no controle do SUA.

É aqui que entra a restrição terapêutica de carboidratos (TCR). Dietas que limitam carboidratos têm mostrado:

  • Melhorar o controle da glicemia

  • Apoiar a manutenção de um peso saudável

  • Até reverter o diabetes tipo 2 em algumas pessoas

Evidências emergentes sugerem que esses benefícios podem se estender à saúde reprodutiva, potencialmente reduzindo o sangramento anormal e apoiando o funcionamento geral do útero.

O que isso pode significar para as mulheres

Embora sejam necessários mais estudos clínicos, essa pesquisa aponta para uma abordagem promissora: mudanças alimentares como parte dos cuidados ginecológicos. Em vez de depender apenas de medicamentos ou cirurgias, a TCR pode, um dia, se tornar uma ferramenta para:

  • Prevenir ou controlar sangramentos intensos ou irregulares

  • Apoiar o equilíbrio hormonal e a saúde metabólica

  • Melhorar a qualidade de vida de forma natural e sustentável

Referência
Salcedo, A. C., Yun, J., Carter, C., & Hart, E. (2023). Therapeutic carbohydrate restriction as a metabolic modality for the prevention and treatment of abnormal uterine bleeding. Nutrients, 15(17), 3760. https://doi.org/10.3390/nu15173760

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/