O Papel do Sono nos Hormônios da Fome e do Metabolismo

Atendi esta semana uma paciente que diz que tem muita compulsão noturna. Mas na verdade, o maior problema dela é que dormia muito pouco e mal. Você já percebeu que depois de uma noite mal dormida bate aquela vontade incontrolável de comer doces ou carboidratos? Pois é — a ciência mostra que isso não é coincidência. Um estudo publicado na revista Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism revelou que a duração do sono influencia diretamente os níveis de leptina, um hormônio essencial para regular o apetite.

O Que é Leptina e Por Que Ela é Importante?

A leptina é um hormônio produzido pelas células de gordura (adipócitos) e tem como principal função enviar ao cérebro a mensagem de que estamos satisfeitos — ou seja, ajuda a controlar a fome. Quando os níveis de leptina estão baixos, o corpo entende que precisa de mais energia e aumenta o apetite.

Dormir Pouco Reduz os Níveis de Leptina

O estudo analisou voluntários que dormiram por diferentes períodos (4h, 6h, 8h, etc.) e descobriu que quanto menos eles dormiam, menores eram seus níveis de leptina. Isso significa que uma noite mal dormida pode enganar seu cérebro, fazendo-o pensar que você está com fome — mesmo que seu corpo não precise de mais calorias.

Mas Não Para por Aí: O Sono Afeta Todo o Sistema Hormonal

Além da leptina, o estudo também investigou outros marcadores hormonais e fisiológicos importantes:

  • Cortisol: Dormir menos aumenta os níveis de cortisol, o famoso "hormônio do estresse", que pode aumentar a gordura abdominal e prejudicar o sistema imunológico.

  • TSH (hormônio estimulante da tireoide): A privação de sono também altera o TSH, que regula o funcionamento da tireoide — glândula essencial para o metabolismo.

  • Regulação de carboidratos: Quem dorme pouco tende a apresentar resistência à insulina e problemas no controle da glicose, o que pode levar ao diabetes tipo 2.

  • Equilíbrio autonômico (simpático/vagal): A balança entre os sistemas nervosos simpático e parassimpático também se desequilibra, o que pode impactar desde os batimentos cardíacos até a digestão.

Conclusão: Dormir Bem é um Aliado da Saúde e do Peso Ideal

Se você está tentando perder peso, controlar o apetite ou apenas cuidar melhor do seu corpo, priorizar o sono é tão importante quanto se alimentar bem e se exercitar. Este estudo reforça que o sono regula não só o cansaço, mas uma complexa rede de hormônios que afetam diretamente o metabolismo, a fome e o bem-estar geral.

Dica do dia: tente manter uma rotina de sono de 7 a 9 horas por noite. Seu corpo (e sua mente) vão agradecer.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Brasil: um laboratório genético a céu aberto

Um estudo científico chamado “Admixture’s impact on Brazilian population evolution and health” (“O impacto da mistura genética na evolução e saúde da população brasileira”) traz luz sobre como diferentes povos ajudaram a construir a diversidade genética única do nosso país.

O Brasil é um dos países mais miscigenados do mundo. Ao longo de cinco séculos, indígenas nativos, colonizadores europeus e africanos escravizados contribuíram com seus genes para formar o que somos hoje. Mais tarde, chegaram imigrantes de diversas partes do mundo, como italianos, alemães, japoneses, sírios e libaneses.

O estudo mostra que essa mistura — chamada de admixture em genética — não só criou uma enorme diversidade, mas também afetou a saúde, as doenças e até a evolução das características físicas da população brasileira.

A miscigenação no Brasil ocorreu de maneira desigual ao longo do território. Regiões diferentes têm proporções distintas de ancestralidade:

  • Norte e Centro-Oeste: maior contribuição de populações indígenas.

  • Nordeste: forte presença da ancestralidade africana.

  • Sul e Sudeste: predominância da ancestralidade europeia.

O estudo apontou que a variabilidade genética no Brasil é tão ampla que dois brasileiros da mesma região podem ser geneticamente mais distintos do que um europeu e um asiático. Isso reforça o conceito de que raça é uma construção social, e não biológica, especialmente em um país tão miscigenado.

A mistura não foi só biológica — ela reflete processos históricos como a escravidão, a colonização e as ondas migratórias. O estudo revelou que a mistura genética também influencia aspectos importantes como:

  • Diversidade genética: quanto mais misturada uma população, maior sua variedade de genes — o que pode ser benéfico para a saúde e resistência a doenças.

  • Doenças hereditárias: certas doenças podem ser mais ou menos comuns dependendo da ancestralidade predominante em uma região.

  • Seleção natural: genes que eram vantajosos em determinados grupos acabaram sendo transmitidos com mais frequência, influenciando características como metabolismo e imunidade.

Doenças e condições mais associadas a diferentes componentes ancestrais (baseado em genética populacional):

🔹 Ancestralidade Africana

  • Hipertensão arterial: Estudos mostram maior prevalência de variantes associadas à pressão alta em populações com ancestralidade africana.

  • Doença falciforme (anemia falciforme): Uma das doenças hereditárias mais ligadas a esse grupo; muito comum entre afrodescendentes brasileiros.

  • Maior resistência a certas infecções, como malária (atribuída a mutações como HbS), embora com possíveis impactos colaterais negativos (ex: anemia).

🔹 Ancestralidade Europeia

  • Doença celíaca, esclerose múltipla, lúpus: Doenças autoimunes têm maior prevalência em populações de origem europeia.

  • Doença de Alzheimer: Algumas variantes associadas à doença aparecem com mais frequência em pessoas com ancestralidade europeia.

  • Câncer de mama e próstata: Certos polimorfismos associados a esses tipos de câncer são mais comuns em populações europeias.

🔹 Ancestralidade Indígena (Nativa Americana)

  • Diabetes tipo 2: Alta prevalência em populações indígenas, associada a genes que favoreciam o armazenamento eficiente de energia — um fator vantajoso em ambientes de escassez, mas prejudicial no contexto moderno de abundância calórica.

  • Obesidade: Ligada aos mesmos fatores genéticos e a um "genótipo poupador" (thrifty genotype).

  • Baixa diversidade de HLA (genes do sistema imunológico): Isso pode tornar populações indígenas mais vulneráveis a doenças infecciosas exógenas, como foi historicamente observado com gripe, sarampo e varíola.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/