Ciclo do 1 carbono e ligação ao ciclo da transsulfuração

O ciclo do 1 carbono refere-se a uma rede de reações bioquímicas nas quais os átomos de carbono de pequenas moléculas são transferidos, em sua forma de grupo metila ou metil (CH₃) ou de outras formas, para diferentes compostos. Este ciclo é central para a produção de metionina, que é um aminoácido essencial, e para a síntese de SAMe (S-adenosilmetionina), que, por sua vez, é utilizado em muitos processos metabólicos, incluindo a metilação do DNA.

As principais funções do ciclo do 1 carbono incluem:

  • Síntese de metionina a partir da homocisteína, usando folato (ácido fólico) e vitamina B12.

  • Produção de SAMe, que é a principal molécula envolvida na doação de grupos metila para várias reações bioquímicas, incluindo a metilação do DNA.

  • Regulação da expressão gênica, pela metilação de resíduos de citosina no DNA, que afeta a expressão de genes.

O ciclo do 1 carbono envolve várias enzimas, sendo as principais:

  1. Metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR)

    • Função: Converte o 5,10-metilenotetrahidrofolato em 5-metiltetrahidrofolato, que é a forma ativa do folato, necessária para a metilação da homocisteína para metionina.

  2. Homocisteína metiltransferase (ou metionina sintase)

    • Função: Usa o 5-metiltetrahidrofolato para converter a homocisteína em metionina, consumindo vitamina B12 como cofator.

  3. Metionina sintase reductase

    • Função: Regenera a forma ativa da metionina sintase (que é necessária para a conversão de homocisteína em metionina) usando NADPH como co-fator. É importante para a manutenção do ciclo.

  4. Cistationina-β-sintase (CBS)

    • Função: Catalisa a conversão de homocisteína e serina em cistationina. Esse é um passo alternativo quando a homocisteína não é metilada para metionina, direcionando-a para a via da cistationina, que pode ser metabolizada para cistina e outros compostos.

  5. Cistationina-γ-liase (CGL)

    • Função: Converte a cistationina em cisteína, liberando amônia. Isso é relevante para o metabolismo da homocisteína fora da via da metionina.

  6. Formiminotetrahidrofolato desidratase/ciclase

    • Função: Envolvida na conversão de formiminotetrahidrofolato para outros derivados do folato, que entram em várias reações do ciclo do 1 carbono, muitas vezes para regenerar formas ativadas do folato.

  7. Dihidrofolato redutase (DHFR)

    • Função: Reduz dihidrofolato (DHF) a tetrahidrofolato (THF), regenerando o folato ativo necessário para as reações do ciclo.

  8. Glicina N-metiltransferase (GNMT)

    • Função: Transfere um grupo metila da SAMe para glicina, o que pode ajudar a regular o ciclo da metilação e o equilíbrio de grupos metila.

As enzimas deste ciclo adicionam ou subtraem um grupo metil de outra molécula para abrir ou fechar vias bioquímicas, para abrir o nosso DNA quando deveria ser lido, ou para fechá-lo quando não seria do nosso interesse descodificar um gene específico. O termo “grupo metil” refere-se a CH3, um átomo de carbono ligado a três hidrogênios.

Precisamos de grupos metil para silenciar o RNA viral, para nos defendermos contra outros micróbios e para nos defendermos contra toxinas ambientais. A metilação ideal é, portanto, mais importante hoje do que era no passado, quando o meio ambiente era menos tóxico.

Um defeito de qualquer gene que codifique as enzimas que participam do ciclo do 1 carbono pode afetar a predisposição a determinadas condições de saúde. Embora não possamos mudar o DNA, concertar defeitos, podemos conhecer os elos mais fracos da genética e buscar "soluções nutricionais alternativas". Por exemplo, podemos usar suplementos que apoiem vias alternativas que influenciam reações de desintoxicação, produção de neurotransmissores ou antioxidantes.

Quanto mais defeitos do ciclo do 1 carbono estiverem presentes no seu genótipo, maior será a sua susceptibilidade à toxicidade e infecção, e maior será o seu risco para estes estados de doenças degenerativas relacionadas com a idade.

Por exemplo, se o seu desafio genético estiver na via de transsulfuração, a abordagem mais importante é a mudança na dieta. A via de transsulfuração é um dos caminhos metabólicos que processam a homocisteína, um aminoácido intermediário, e a convertem em outros compostos sulfurados, como a cistationina, cisteína e glutationa. Essa via está intimamente ligada ao ciclo do 1 carbno, apesar de não ser parte direta dele. É um caminho complementar, particularmente importante para a eliminação do excesso de homocisteína no organismo e para a produção de compostos com propriedades antioxidantes e detoxificantes.

A transsulfuração envolve principalmente duas enzimas-chave: cistationina-β-sintase (CBS) e cistationina-γ-liase (CGL). Estas enzimas convertem a homocisteína em cistationina, e a cistationina, por sua vez, é convertida em cisteína.

Funções e importância da via de transsulfuração:

A transsulfuração ajuda a reduzir os níveis de homocisteína no sangue, convertendo-a em compostos úteis, como a cisteína. Níveis elevados de homocisteína estão associados a riscos aumentados de doenças cardiovasculares, por isso essa via desempenha um papel essencial na saúde cardiovascular.

A cisteína gerada pela transsulfuração é um precursor importante da glutationa, um tripeptídeo formado por glutamato, cisteína e glicina. A glutationa é um dos principais antioxidantes do organismo e tem um papel fundamental na proteção celular contra o estresse oxidativo e na detoxificação de substâncias tóxicas.

A cisteína também é usada para a síntese de outras moléculas contendo enxofre, como coenzima A e sulfato, que são essenciais para diversas funções metabólicas.

Regulação da via de transsulfuração:

Deficiências de vitamina B6 podem levar a distúrbios no metabolismo de homocisteína e afetar a função da via de transsulfuração. O piridoxal 5'-fosfato, a forma ativa da vitamina B6, é um cofator essencial para a enzima cistationina-β-sintase (CBS).

A genômica permite individualização, é baseada na análise do código genético único, é o futuro da nutrição de precisão. O primeiro passo é obter seus dados genômicos. O segundo passo é a análise dos resultados. Se precisar de ajuda, marque aqui sua consulta.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Instabilidade genômica na esquizofrenia e autismo

Instabilidade do genoma é um termo amplo que abrange qualquer forma de mudança genética, desde mudanças de pares de bases, pequenas inserções, deleções ou inversões, até mudanças em larga escala, como translocações, duplicações segmentares e perda ou duplicação de cromossomos inteiros.

Evidências crescentes vinculam instabilidade genômica e epigenômica, incluindo múltiplas regiões de sítios frágeis, a doenças neuropsiquiátricas, incluindo esquizofrenia e autismo. O câncer é a única outra doença associada a múltiplas regiões de sítios frágeis, e a instabilidade genômica e epigenômica é uma característica do câncer. A pesquisa sobre câncer é muito mais avançada do que a pesquisa sobre doenças neuropsiquiátricas; portanto, a percepção sobre doenças neuropsiquiátricas pode ser derivada dos resultados da pesquisa sobre câncer.

Um artigo publicado em 2010 revisou as evidências que vinculam esquizofrenia e outras doenças neuropsiquiátricas (especialmente autismo) à instabilidade genômica e epigenômica e sítios frágeis. Os resultados de estudos sobre componentes genéticos, epigenéticos e ambientais da esquizofrenia e do autismo apontam para a importância do centro metabólico de transulfuração de folato-metionina que também é perturbado no câncer. A ideia de que o centro de transulfuração de folato-metionina é importante na neuropsiquiatria é animadora porque esse centro apresenta novos alvos para o desenvolvimento de medicamentos e intervenções nutricionais capazes de reduzir a gravidade, apresentação ou dinâmica destes transtornos.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Significância da densidade da urina

A densidade urinária baixa indica que a urina está mais diluída, ou seja, possui uma menor concentração de partículas, como sais e outras substâncias. Em exames de urina, a densidade urinária normalmente varia entre 1.005 e 1.035, sendo que valores em torno de 1.010 ou menores podem sugerir uma urina bem diluída.

Aqui estão alguns dos motivos comuns para uma baixa densidade urinária:

  1. Alta ingestão de líquidos: Se a pessoa consumiu muita água ou líquidos antes do exame, a urina estará mais diluída.

  2. Uso de diuréticos: Medicamentos diuréticos aumentam a produção de urina, diluindo-a.

  3. Diabetes insípido: Essa condição, que é rara, afeta a capacidade dos rins de concentrar a urina, levando à produção de grande volume de urina diluída.

  4. Insuficiência renal: Em alguns casos, a função renal pode estar comprometida, o que afeta a concentração de partículas na urina.

  5. Doenças que afetam os hormônios: Como a insuficiência de ADH (hormônio antidiurético), que controla a quantidade de água reabsorvida pelos rins.

Aqui estão algumas das causas e significados mais comuns para a densidade urinária elevada:

  1. Baixa ingestão de líquidos ou desidratação: Quando uma pessoa consome menos água, o corpo retém o máximo possível, fazendo com que a urina fique mais concentrada.

  2. Transpiração excessiva: Suor em excesso (como durante exercícios intensos ou em climas quentes) pode levar à perda de água corporal, concentrando a urina.

  3. Febre: Em estados febris, há perda de líquido corporal, o que também pode aumentar a densidade da urina.

  4. Presença de glicose ou proteínas na urina: Em casos como o diabetes, onde a glicose pode aparecer na urina, ou em doenças renais que permitem a passagem de proteínas, a densidade urinária aumenta.

  5. Insuficiência cardíaca: Em algumas situações de insuficiência cardíaca, o corpo retém líquidos e os rins concentram mais a urina para tentar equilibrar os níveis de água e sódio no corpo.

  6. Diuréticos em dose inicial ou uso inadequado: Em certos casos, o uso de diuréticos pode levar a uma concentração excessiva temporária na urina.

É sempre importante relacionar estes resultados com outros sinais clínicos e resultados dos demais exames. Para uma interpretação adequada consulte um profissional de saúde.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/