Síntese de vitamina D

Michael F. Holick é um renomado endocrinologista americano especializado em vitamina D. Ele é considerado uma das principais autoridades mundiais no assunto e tem feito contribuições significativas para a compreensão da importância da vitamina D para a saúde humana.

Aqui estão algumas de suas principais contribuições:

  • Descoberta da Forma Ativa da Vitamina D: Holick identificou a 1,25-dihidroxivitamina D como a forma ativa da vitamina D, responsável por regular o metabolismo do cálcio e fósforo no organismo.

  • Estudo da Síntese Cutânea de Vitamina D: Ele investigou em profundidade como a exposição à luz solar UVB na pele converte o colesterol em vitamina D3, destacando a importância da exposição solar adequada para a produção de vitamina D.

  • Influência de Fatores Ambientais na Síntese de Vitamina D: Holick estudou como fatores como a latitude, estação do ano, hora do dia, pigmentação da pele e uso de protetor solar afetam a síntese de vitamina D na pele.

  • Promoção da Importância da Vitamina D: Ele tem sido um defensor ativo da importância da vitamina D para a saúde óssea, imunológica e geral. Seus livros e artigos científicos têm ajudado a conscientizar o público e os profissionais de saúde sobre a necessidade de níveis adequados de vitamina D.

O livro de Michael F. Holick, "Vitamina D", é considerado uma referência essencial sobre o tema. Ele oferece informações detalhadas sobre a importância da vitamina D, como obtê-la e como ela pode melhorar a saúde.

Enzimas na Síntese da Vitamina D e Fatores Genéticos Limitantes

A síntese da vitamina D é um processo complexo que envolve diversas etapas e a participação de diferentes enzimas. A vitamina D, na sua forma ativa, desempenha um papel crucial na regulação do cálcio e fósforo no organismo, sendo essencial para a saúde dos ossos, músculos e sistema imunológico.

As Principais Enzimas Envolvidas

  • 7-deidrocolesterol redutase: Essa enzima catalisa a conversão do 7-deidrocolesterol em pré-vitamina D3 na pele, em resposta à exposição à radiação UVB.

  • 25-hidroxilase: Localizada principalmente no fígado, essa enzima converte a vitamina D em 25-hidroxivitamina D (calcidiol), a forma de armazenamento da vitamina D no organismo.

  • 1α-hidroxilase: Encontrada principalmente nos rins, essa enzima converte o calcidiol em 1,25-dihidroxivitamina D (calcitriol), a forma ativa da vitamina D.

Fatores Genéticos Limitantes na Síntese da Vitamina D

Várias variações genéticas podem afetar a atividade dessas enzimas e, consequentemente, a produção de vitamina D ativa. Alguns dos fatores genéticos que podem limitar a síntese de vitamina D incluem:

  • Polimorfismos nos genes das enzimas: Mutações nos genes que codificam as enzimas envolvidas na síntese da vitamina D podem levar à redução da atividade enzimática e, consequentemente, a níveis baixos de vitamina D.

  • Polimorfismos nos genes dos receptores de vitamina D: Variações genéticas nos receptores de vitamina D podem afetar a sensibilidade das células à vitamina D ativa, mesmo quando os níveis sanguíneos estão adequados.

  • Polimorfismos em genes relacionados ao metabolismo do cálcio e fósforo: Genes envolvidos na regulação do cálcio e fósforo também podem influenciar a produção de vitamina D, pois os níveis desses minerais estão intimamente ligados à ativação da vitamina D.

Consequências da Deficiência de Vitamina D de Origem Genética

A deficiência de vitamina D causada por fatores genéticos pode levar a diversas consequências para a saúde, como:

  • Raquitismo em crianças: Caracterizado por ossos fracos e deformidades.

  • Osteomalacia em adultos: Caracterizada por amolecimento dos ossos.

  • Osteoporose: Aumento do risco de fraturas.

  • Doenças autoimunes: A vitamina D desempenha um papel importante na regulação do sistema imunológico.

  • Câncer: Alguns estudos sugerem uma associação entre a deficiência de vitamina D e o risco de desenvolver certos tipos de câncer.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico da deficiência de vitamina D de origem genética pode ser feito através de testes genéticos e da dosagem de vitamina D no sangue. O tratamento geralmente envolve a suplementação de vitamina D, mas a dose e a duração do tratamento devem ser individualizadas e acompanhadas por um médico.

Em resumo, a síntese da vitamina D é um processo complexo influenciado por diversos fatores, incluindo fatores genéticos. A identificação de variações genéticas que afetam a produção de vitamina D pode ajudar a entender melhor as causas da deficiência de vitamina D e a desenvolver estratégias de tratamento mais personalizadas. Aprenda mais aqui.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Mecanismos das Doenças Autoimunes e o Papel da Vitamina D

As doenças autoimunes são caracterizadas por um mau funcionamento do sistema imunológico, que passa a atacar os próprios tecidos do organismo. Os mecanismos exatos variam de uma doença para outra, mas alguns fatores comuns incluem:

  • Genes: A predisposição genética aumenta o risco de desenvolver determinadas doenças autoimunes. Vários polimorfismos podem influenciar a ação da vitamina D, um hormônio imunomodulador. Acredita-se que nas doenças autoimunes exista uma resistência à vitamina D (Lemke et al., 2021).

  • Ambiente: Fatores ambientais, como infecções (como Epstein Barr), uso de glicocorticóides, baixa esposição solar, toxinas e até mesmo a dieta, podem desencadear a resposta autoimune em indivíduos geneticamente predispostos.

  • Disfunção dos linfócitos T e B: Essas células do sistema imune, responsáveis pela defesa contra agentes invasores, podem se tornar hiperativas e atacar as células do próprio organismo.

  • Produção de autoanticorpos: O sistema imune produz anticorpos que, em vez de combater agentes externos, atacam os próprios tecidos.

  • Inflamação crônica: A inflamação crônica é uma característica comum das doenças autoimunes e contribui para a destruição dos tecidos.

  • Envelhecimento: O sistema imunológico passa por uma série de modificações com o passar dos anos. Esse processo, conhecido como imunossenescência, é caracterizado por uma redução na eficiência das respostas imunológicas e um aumento da inflamação crônica no corpo, chamada de inflamação crônica de baixo grau ou inflammaging.

Papel da Vitamina D no Controle da Autoimunidade

A vitamina D desempenha um papel crucial na regulação do sistema imunológico. Estudos sugerem que a deficiência de vitamina D pode estar associada a um aumento do risco de desenvolver doenças autoimunes. Alguns dos mecanismos pelos quais a vitamina D pode ajudar a controlar a autoimunidade incluem:

  • Modulação da resposta imune: A vitamina D inibe a proliferação e ativação de células T e B, reduzindo a resposta inflamatória.

  • Aumento da produção de células T reguladoras: Essas células têm a função de suprimir a resposta imune e prevenir a autoimunidade.

  • Redução da produção de citocinas pró-inflamatórias: A vitamina D diminui a produção de substâncias que promovem a inflamação, como o fator de necrose tumoral (TNF-alfa) e a interleucina-6 (IL-6).

  • Efeito antiproliferativo: A vitamina D pode induzir a morte de células T auto-reativas, ajudando a controlar a autoimunidade.

Suplementação de Vitamina D

A vitamina D é tanto essencial para a saúde dos ossos, quanto na regulação do sistema imunológico. Quando os níveis de vitamina D estão baixos, o paratormônio (PTH) é produzido em maior quantidade para estimular a liberação de cálcio dos ossos.

A dosagem ideal de vitamina D varia de acordo com:

  • Níveis de vitamina D: A dosagem será ajustada para elevar os níveis de 25(OH)D para a faixa terapêutica (acima de 40 ng/mL).

  • Idade: Crianças, adolescentes e idosos podem ter necessidades diferentes.

  • Peso: Pessoas com sobrepeso ou obesidade podem precisar de doses maiores, pois a vitamina D, que é lipossolúvel, é sequestrada pela gordura.

  • Níveis de PTH: Para PTH moderadamente elevado (acima do ideal, mas abaixo de um nível severo):

    • Dose inicial de vitamina D: Para pacientes com níveis adequados de vitamina D recomenda-se dose de manutenção de 2.000 a 4.000 UI/dia.

    • Para PTH significativamente elevado indica-se doses de 5.000 a 10.000 UI por 8 a 12 semanas, seguida de nova avaliação de PTH e vitamina D. Em doses altas o cálcio deve ser restrito na dieta. Pacientes com PTH ainda alto e alterações genéticas para vitamina D (como receptor VDR) é feito o protocolo Coimbra, com doses que podem chegar a 100.000 UI ou mais ao dia, por cerca de 2 anos. Estes casos devem ser acompanhados por médicos especialistas no protocolo Coimbra.

Ajuste da vitamina A

Estas duas vitaminas são lipossolúveis, sendo que a vitamina A facilita a ação da vitamina D em seus receptores. Por exemplo, esta associação entre estas vitaminas ajuda a reduzir o risco de câncer de pulmão (Cheng et al., 2014). É interessante suplementar vitamina A em pacientes com doença autoimune seguindo o protocolo Coimbra (com altas doses de vitamina D). Isto porque a vitamina A protege o organismo contra os possíveis efeitos tóxicos da vitamina D (Bouche, 2014).

Quem toma 10.000 UI de vitamina D deve suplementar 1.000 mcg de vitamina A, quem toma 15.000 UI de vitamina D deve suplementar 1.500 mcg de vitamina A. Nutricionistas podem prescrever até 4.000 UI de vitamina D e médicos podem prescrever doses maiores (efeito hormonal). Já a dose máxima de vitamina A a ser prescrita por nutricionistas é de 3.000 mcg/dia.

Caso o PTH esteja baixo: É importante investigar a causa, já que pode ser sinal de um excesso de vitamina D ou outras condições médicas. Nesses casos, a suplementação de vitamina D deve ser ajustada ou suspensa temporariamente.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Dieta mediterrânea espanhola cetogênica

A Dieta Mediterrânea Cetogênica Espanhola combina os benefícios da tradicional Dieta Mediterrânea com os princípios da dieta cetogênica, oferecendo uma abordagem inovadora para a perda de peso e a saúde cardiovascular (Pérez-Guisado et al., 2008).

O que é a Dieta Mediterrânea Cetogênica?

Essa dieta foca em alimentos frescos e integrais, como azeite de oliva, peixes, nozes, legumes e frutas, ao mesmo tempo em que restringe o consumo de carboidratos. O objetivo é induzir o corpo a entrar em cetose, um estado metabólico em que ele queima gordura como combustível em vez de carboidratos.

Benefícios para a Saúde Cardiovascular

A dieta é rica em gorduras saudáveis (como as do azeite de oliva) e antioxidantes, o que ajuda a reduzir o risco de doenças cardíacas. Ela também pode melhorar os níveis de colesterol, diminuir a pressão arterial e promover a redução de gordura visceral, que está associada a diversos problemas cardíacos.

Perda de Peso

Ao seguir os princípios cetogênicos, o corpo utiliza gordura como fonte primária de energia, o que pode resultar em perda de peso eficaz. A combinação com alimentos típicos da Dieta Mediterrânea, como peixes ricos em ômega-3 e vegetais frescos, torna essa abordagem tanto saborosa quanto nutritiva.

Melhoria da microbiota

Estudo investigou os efeitos de uma Dieta Mediterrânea Cetogênica combinada com fitoextratos sobre o microbioma intestinal de atletas, durante um período de 30 dias.

Atletas seguiram uma dieta que restringe os carboidratos (como na dieta cetogênica) e foca em alimentos típicos da Dieta Mediterrânea, como azeite de oliva, peixes, vegetais e nozes, além de fitoextratos, que são compostos vegetais com propriedades benéficas para a saúde. Durante 30 dias, a composição do microbioma intestinal dos participantes foi monitorada.

A dieta ajudou a modificar positivamente o microbioma intestinal, com aumento de bactérias benéficas e melhora da diversidade bacteriana. O consumo de fitoextratos também contribuiu para um equilíbrio saudável de microbiota, o que pode ter implicações positivas para a saúde digestiva, recuperação pós-treino e desempenho atlético.

Os fitoextratos utilizados na pesquisa foram:

Esses extratos de plantas têm sido estudados por suas propriedades benéficas para a saúde intestinal e o microbioma.

Conclusão

A Dieta Mediterrânea Cetogênica Espanhola oferece uma maneira saudável e sustentável de perder peso, melhorar a saúde cardiovascular e manter um estilo de vida equilibrado. Combinando os melhores elementos de duas dietas bem conhecidas, ela pode ser uma excelente opção para quem busca resultados duradouros e bem-estar geral.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/