Dieta cetogênica para anorexia?

A última coisa que pensamos na anorexia é em dietas restritivas. Contudo, uma publicação recente compartilhou os benefícios da dieta cetogênica para pacientes com epilepsia. Três pacientes com magreza excessiva (IMCs de 10,7; 11,8; e 13,0kg m2) tratados há anos sem sucesso form submetidos à dieta cetogênica. Estes pacientes tiveram várias complicações importantes ao longo da vida, incluindo parada cardíaca associada à desnutrição, cegueira, insuficiência hepática e osteoporose (Norwitz et al., 2023).

Em dieta cetogênica, apesar da restrição de carboidratos, os pacientes apresentaram ganhos de mais de 20 kg cada, remissão da doença por mais de 1 ano, melhorias da saúde meatabóllica e mental, incluindo redução dos sintomas de ansiedade, TOC e ideação suicida.

O tratamento clássico da anorexia

A utilidade clínica potencial para uma dieta cetogênica na anorexia é contra-intuitiva: a anorexia é uma condição de restrição alimentar. O tratamento padrão tende a se concentrar no combate à mentalidade de restrição alimentar e na prática de uma abordagem "todos os alimentos se encaixam". Por outro lado, uma dieta cetogênica é em si uma dieta restrita em carboidratos e, por isso, frequentemente usada para perda de peso e tratamento da obesidade. Portanto, sua eficácia terapêutica pareceria um paradoxo.

Por que a dieta cetogênica funcionou nos pacientes anoréxicos?

A dieta cetogênica é uma dieta que regula o metabolismo energético e cerebral. A redução de carboidratos induz a cetose, um estado metabólico definido pela geração de corpos cetônicos, moléculas que servem como combustível cerebral e que também regulam genes.

A cetose nutricional tem sido usada para tratar condições neurológicas por mais de um século, especialmente epilepsia. Na última década ficou claro que sua aplicabilidade inclui doenças como Alzheimer, depressão, transtorno bipolar, compulsão alimentar, câncer, esteatose hepática, diabetes, esquizofrenia etc. Os fatores neuromodulatórios são os mais importantes nos transtornos alimentares.

Esses casos levantam questões interessantes sobre a natureza neurometabólica da anorexia como uma condição de saúde mental decorrente do metabolismo alterado do corpo e do cérebro. Obviamente, converse com seu médico sobre seu caso.

TERAPIAS METABÓLICAS NOS TRANSTORNOS ALIMENTARES

Andreia Torres é uma especialista em terapias metabólicas. Nutricionista com doutorado (UnB/Harvard) e experiência clínica de quase 30 anos. Há mais de 10 anos treina nutricionisstas e médicos no uso seguro e eficaz das terapias metabólicas para o tratamento da obesidade, câncer, transtornos do neurodesenvolvimento, câncer, epilepsia, depressão, transtornos alimentares e transtorno bipolar. Atualmente disponibiliza vídeos de treinamento na plataforma t21.video e atende em seu consultório particular e online. Marque aqui sua consulta.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

O eixo intestino-cérebro

O eixo intestino-cérebro é mediado por intensa comunicação bidirecional entre o Sistema Nervoso Central (SNC) e o Sistema Nervoso Entérico (SNE).

Através do SNE, a microbiota intestinal influencia o desenvolvimento e a função de todas as divisões do sistema nervoso e esta associação foi estabelecida muito cedo durante a evolução dos organismos multicelulares.

O SNE e o SNC mantêm intenso crosstalk através de conexões recíprocas mediadas pelo nervo vago (assista o vídeo). Como substrato principal para esta troca de informações, o nervo vago é um alvo atraente de terapias de neuroestimulação para o tratamento de distúrbios psiquiátricos e gastrointestinais.

O trato digestório (ou gastrointestinal) abriga um ecossistema microbiano complexo, consistindo de bactérias, archaea, protistas e vírus eucarióticos e procarióticos. Este ecosssitema coevoluiu com os seres humanos. Esse arranjo garante moradia e nutrientes para os microorganismos. Ao mesmo tempo, estes microorganismos contribuem para a proteção contra patógenos, produzem nutrientes e peptídios bioativos que melhoram nossa saúde mental.

O Microbioma Intestinal e a Função Cerebral

Há evidências crescentes da associação entre disfunção do microbioma e comorbidades relacionadas ao SNC, como ansiedade, depressão, transtornos do espectro do autismo, doença de Alzheimer e doença de Parkinson.

Por exemplo, o microbioma pode influenciar as interações sociais, uma vez que produzem neurotransmissores, incluindo serotonina (5-HT), dopamina, norepinefrina (NE), ácido γ-aminobutírico (GABA) e glutamato que comunicam-se com o cérebro pelo nervo vago.

Particularmente, a maior parte da serotonina (5-HT ou 5-hidroxitriptamina) do corpo é produzida no intestino por células enterocromafins (EC) sob a influência do microbioma. Para esta produção é necessário triptofano.

Contudo, nos estados inflamatórios, a maior parte do triptofano é desviada para a produção de Kyn e seus metabólitos: quinurenina (KYNA) e ácido quinolínico (QUIN). Enquanto KYNA é considerado neuroprotetor, QUIN pode causar excitotoxicidade como agonista do receptor N-metil-d-aspartato (NMDA) e contribuir para a neuropatogênese de várias doenças.

Melhorar a saúde intestinal ajuda melhorar a saúde cerebral. Aprenda mais sobre o tema em https://t21.video.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/

Como reduzir a irritabilidade de pacientes com epilepsia em uso de Levetiracetam (Keprra)

Levetiracetam (Keppra) é um medicamento usado para tratar convulsões, principalmente em pacientes epilépticos. A droga pertence a uma classe de medicamentos conhecidos como anticonvulsivantes. Geralmente é tomado duas vezes ao dia com ou sem alimentos, sempre sob indicação médica.

A dosagem é sempre baseada no problema individual de cada paciente, no peso e na resposta ao tratamento. Para reduzir o risco de efeitos colaterais (como tontura, cansaço, fraqueza e sonolência), a dose inicial costuma ser baixa, com aumentos gradativos.

Quando associado à dieta cetogênica, a dose costuma ser mais baixa. Após alguns anos de tramento com a dieta e o desaparecimento das crises, as doses vão sendo reduzidas cada vez mais. Isto é importante para reduzir o risco de efeitos colaterais, especilamente quando o paciente apresenta alterações de humor, ansiedade, anemia, depressão, ideação suicida, erupções cutâneas.

Um dos efeitos adversos do Keppra é a irritabilidade. Isso pode ser mitigado com a entrada em cetose, a redução da dosagem e suplementação de vitamina B6.

TERAPIAS METABÓLICAS NA EPILEPSIA

Andreia Torres é uma especialista em terapias metabólicas. Nutricionista com doutorado (UnB/Harvard) e experiência clínica de quase 30 anos. Há mais de 10 anos treina nutricionisstas e médicos no uso seguro e eficaz das terapias metabólicas para o tratamento da obesidade, câncer, transtornos do neurodesenvolvimento, câncer, epilepsia, depressão e transtorno bipolar. Atualmente disponibiliza vídeos de treinamento na plataforma t21.video e atende em seu consultório particular e online. Marque aqui sua consulta.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/