O artigo intitulado The Cortisol Awakening Response: Regulation and Functional Significance, publicado na revista Endocrine Reviews (Volume 46, Edição 1, Fevereiro de 2025), de autoria de Tobias Stalder e colaboradores, apresenta uma revisão abrangente sobre a Resposta do Cortisol ao Despertar (CAR - Cortisol Awakening Response).
O que é a CAR?
O CAR é o aumento rápido e acentuado nos níveis de cortisol que ocorre nos primeiros 30 a 45 minutos após o despertar matinal. Em indivíduos saudáveis, essa é a fase de maior secreção de cortisol de todo o ciclo de 24 horas.
Ao contrário do cortisol liberado durante o dia, o CAR é um impulso matinal único e serve para preparar o cérebro e o corpo para as demandas específicas do dia que está começando. Contudo, até o CAR tem um limite.
Os autores propõem um modelo integrativo onde a CAR é regulada por um sistema complexo que combina:
Processos Circadianos: O relógio biológico central (núcleo supraquiasmático) prepara o corpo para o despertar.
Processos Neurocognitivos e Ambientais: A resposta é influenciada pela antecipação dos desafios do dia e por experiências emocionais do dia anterior. O cérebro usa a CAR para "prever" a necessidade de energia e recursos.
O artigo sugere que esse pico de cortisol não é apenas um subproduto do despertar, mas serve a duas funções principais:
Mobilização de Recursos (Processo Primário): Preparar o organismo metabolicamente e imunologicamente para as demandas físicas e cognitivas iminentes.
Contrarregulação Emocional (Processo Secundário): Ajudar o organismo a processar e lidar com experiências emocionais adversas ou estressantes ocorridas anteriormente, promovendo resiliência.
Vias de Ação do cortisol
O cortisol liberado durante a CAR atua de duas formas:
Ações não genômicas (rápidas): Mudanças imediatas na excitabilidade neuronal e metabolismo.
Ações genômicas (lentas): Influência na expressão de genes, inclusive afetando os próprios "genes do relógio" (clock genes), o que ajuda a sincronizar os ritmos biológicos internos com a rotina diária.
A revisão destaca que uma CAR "bem ajustada" é sinal de saúde e capacidade adaptativa. Por outro lado, alterações nesse padrão (seja uma resposta exagerada ou uma resposta "achatada") estão frequentemente associadas a distúrbios de estresse, depressão, fadiga crônica e declínio cognitivo em idosos.
O estudo consolida a ideia de que a CAR é uma "impressão digital" endócrina da nossa preparação para o dia, integrando sinais do relógio biológico com as expectativas psicológicas do indivíduo para otimizar o funcionamento do corpo e da mente.

