COMO A GENÉTICA INFLUENCIA A MICROBIOTA?

O atualização da ISAPP sobre probióticos e prebióticos traz uma perspectiva fascinante sobre a interseção entre a genética do hospedeiro e a saúde intestinal, movendo a nutrição da era "geral" para a era da nutrição de precisão.

1. O Genoma Humano como "Filtro" da Microbiota

A nossa genética não determina 100% das bactérias que temos, mas ela define o "terreno".

  • Aptidão de Colonização: Certos polimorfismos genéticos (SNPs) determinam se o seu intestino é um ambiente acolhedor ou hostil para determinadas linhagens de probióticos.

  • Exemplo Clássico: O gene FUT2 (gene secretor). Pessoas "não-secretoras" têm uma composição de microbiota naturalmente diferente e podem precisar de doses maiores de prebióticos para manter os níveis de Bifidobacterium.

2. Genética e Metabolismo de Prebióticos

A individualidade discutida no artigo passa pela nossa capacidade enzimática:

  • Digestão de Carboidratos: Variantes no gene da amilase (AMY1) ou da lactase (LCT) influenciam quanto substrato chega intacto ao cólon.

    • Se você digere muito rápido certos carboidratos no intestino delgado, sobra menos "comida" para as bactérias benéficas no intestino grosso, mudando o efeito esperado do prebiótico.

3. A Resposta Inflamatória Geneticamente Programada

O impacto sistêmico dos prebióticos depende de como os seus receptores imunes (como os TLRs - Toll-like Receptors) reagem aos metabólitos bacterianos.

  • Pessoas com variantes genéticas ligadas à Doença de Crohn ou Colite Ulcerativa podem ter uma resposta exagerada ou insuficiente à fermentação de certas fibras.

  • Saúde Sistêmica: A genética determina quão eficiente é a sua produção de GLP-1 e PYY (hormônios da saciedade) em resposta aos Ácidos Graxos de Cadeia Curta gerados pelos prebióticos.

4. Nutrigenética e Probióticos na Prática Clínica

O consenso sugere que, no futuro, a prescrição será baseada no binômio Genética + Microbioma:

  • Preditores de Sucesso: Testes genéticos podem identificar se um paciente é um "alto respondedor" a fibras específicas. Já fez o seu? 🧬

  • Segurança: Identificar predisposições genéticas a sensibilidades alimentares ajuda a escolher as "fibras seguras" mencionadas anteriormente (como PHGG em vez de Inulina).

"Seu DNA é o manual de instruções, mas o seu Intestino é quem executa a obra. A genética diz o que você pode ter, mas o que você come (prebióticos) decide quem realmente mora aí dentro."

Profissional de saúde: aprenda a interpretar exames nutrigenéticos, metabolômicos e metagenômicos. Estamos na era da saúde de precisão!

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/