A menopausa é uma fase marcada por alterações hormonais e metabólicas que podem influenciar o apetite, as preferências alimentares e a composição corporal. Uma revisão publicada em 2026 na revista International Journal of Molecular Sciences explora os mecanismos que relacionam a diminuição dos estrogénios às mudanças no comportamento alimentar durante esta transição.
O papel dos estrogênios na regulação do apetite
A redução do estradiol, um dos principais estrogênios, pode modificar os circuitos do hipotálamo responsáveis pela regulação da fome e da saciedade. Estas alterações envolvem neuropeptídeos como o NPY, o AgRP e o POMC, bem como vias de neurotransmissores relacionadas com a recompensa alimentar.
Paralelamente, podem ocorrer alterações na sinalização de hormônios periféricos, como a leptina, a grelina e a insulina, que participam na regulação do apetite e do metabolismo energético.
Do ponto de vista clínico, estas mudanças podem estar associadas a maior apetite, maior sensibilidade à recompensa proporcionada pelos alimentos, desejo aumentado por hidratos de carbono e maior suscetibilidade a episódios de ingestão alimentar compulsiva.
Alterações na composição corporal e no risco metabólico
Durante a transição menopáusica, o aumento de peso pode coexistir com uma redistribuição da gordura corporal, favorecendo o acúmulo de gordura visceral, localizada em torno dos órgãos abdominais. Esta alteração é particularmente relevante porque está associada a maior risco de resistência à insulina, dislipidemia e síndrome metabólica.
A revisão refere um aumento médio de aproximadamente 2 a 3 kg durante esta transição, salientando também a importância da adiposidade visceral e da perda de massa muscular. Estes valores representam estimativas apresentadas pelos autores e não devem ser interpretados como alterações inevitáveis em todas as mulheres.
A microbiota intestinal surge igualmente como uma área de interesse, devido à sua possível participação na regulação metabólica e na interação entre alimentação, inflamação e metabolismo energético.
Qual a importância da intervenção nutricional?
A compreensão destes mecanismos reforça a importância de uma abordagem individualizada durante a menopausa. A intervenção nutricional deve considerar não apenas o peso corporal, mas também a qualidade da alimentação, a composição corporal, a preservação da massa muscular, a saúde metabólica e a relação com a comida.
Uma alimentação nutricionalmente adequada, associada à prática regular de exercício físico, incluindo treino de força, pode contribuir para preservar a massa muscular e melhorar a saúde cardiometabólica. A avaliação das necessidades energéticas, da ingestão proteica, da ingestão de fibra e da qualidade global da dieta deve ser ajustada ao contexto clínico e aos objetivos de cada mulher.
A terapêutica hormonal pode ser considerada em determinadas situações, mediante avaliação médica individualizada. Contudo, não deve ser apresentada como uma intervenção universal para controlar o peso ou o apetite.

