As ciências ômicas constituem uma abordagem particularmente relevante para investigar a pré-eclâmpsia porque permitem estudar simultaneamente alterações em múltiplos níveis moleculares, em vez de analisar um único biomarcador ou via metabólica.
O ponto central
A pré-eclâmpsia não é uma doença molecularmente homogênea. Ela envolve uma interação complexa entre placenta, endotélio materno, sistema imune, metabolismo, angiogênese, estresse oxidativo e fatores genéticos/epigenéticos.
Um modelo simplificado seria: alteração placentária → hipóxia/estresse oxidativo → desequilíbrio angiogênico → inflamação e disfunção endotelial → manifestações clínicas da pré-eclâmpsia
As ciências ômicas permitem investigar cada etapa e, principalmente, as interações entre elas. A grande oportunidade: integração multiômica A abordagem mais sofisticada atualmente não é escolher entre genômica, transcriptômica, proteômica e metabolômica, mas integrá-las.
Por exemplo:
variante genética → alteração epigenética → alteração da expressão gênica → alteração proteica → alteração metabólica → fenótipo de pré-eclâmpsia
Isso é chamado de multiômica.
Na prática, pode-se comparar gestantes que desenvolveram pré-eclâmpsia com gestantes normotensas e coletar amostras em diferentes momentos da gestação. A integração dos dados pode revelar biomarcadores precoces, mecanismos fisiopatológicos e possíveis subtipos moleculares da doença.
Um ponto especialmente importante é distinguir pré-eclâmpsia de início precoce e de início tardio, porque elas parecem apresentar componentes fisiopatológicos parcialmente distintos. A análise multiômica pode ajudar a explicar essa heterogeneidade.

