Importância da genética e metabolômica hormonal.

Paciente de 30 anos com ovários policíclicos, ciclos irregulares, ansiedade, depressão e TPM severa.

Ela fez um painel chamado DUTCH para tentarmos entender o que estava acontecendo em relação à metabolização hormonal. O resultado foi um excesso de estrogênio e níveis elevados de metabólitos da Fase 1 (2-OH e 4-OH), porém sua atividade de metilação estava sinalizada como baixa.

Na desintoxicação hormonal (Fase 2), a enzima COMT depende da metilação para transformar metabólitos de estrogênio instáveis e potencialmente perigosos (como o 4-OH, o "feio") em formas metoxiladas estáveis e solúveis em água, prontas para excreção. A paciente já tinha feito um painel genético e além de ser COMT lenta, ainda tem polimorfismos dos genes MTHFR e MTRR). No exame de sangue, homocisteína alta, um indicador clínico da metilação deficiente.

A metilação é uma reação essencial onde um grupo metil é adicionado a uma molécula, utilizando o SAMe como doador universal. A conexão com a ansiedade e depressão ocorre porque a COMT também metaboliza neurotransmissores como dopamina, adrenalina e noradrenalina.
Quando a metilação está lenta, essas moléculas podem se acumular, gerando um estado de hiperexcitabilidade nervosa.

Além disso, o excesso de estrogênio circulante exerce um efeito epigenético que reduz ainda mais a atividade da COMT, criando um ciclo vicioso de ansiedade e acúmulo hormonal. Deficiências de cofatores (B12, folato, magnésio, colina) ou o uso de pílulas anticoncepcionais ( o caso dela) podem esgotar esses ciclos bioquímicos.

Condutas propostas:

- Suporte de Cofatores: Introdução de Complexo B ativo (com 5-metilfolato e B12) e magnésio quelado (glicinato) para apoiar os ciclos do folato e metionina e a função da enzima COMT.
- Aumento do consumo de vegetais crucíferos (ajudam na via 2-OH do estrogênio), alecrim (bloqueia a via 4-OH) e alimentos ricos em colina e betaína, como gemas de ovos, espinafre e beterraba.
- Estilo de Vida: Reduzir o consumo de álcool e gerenciar o estresse, fatores que depletam rapidamente os nutrientes necessários para a metilação.

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Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/