A doença hepática é, na verdade, um problema de todo o metabolismo

Quando o fígado acumula gordura e entra em disfunção, ele começa a alterar o equilíbrio de todo o organismo. Passa a libertar mais lipídios para o sangue, aumenta a inflamação e contribui para a resistência à insulina. Esse conjunto de alterações não fica limitado ao fígado. Ele “espalha-se” e impacta outros tecidos.

No coração, isso traduz-se em maior risco de aterosclerose, enfarto e insuficiência cardíaca. Muitas vezes, esse risco cardiovascular é mais relevante do que a própria progressão da doença hepática. No músculo, o excesso de gordura e a resistência à insulina dificultam o uso de glicose, favorecendo perda de massa muscular e piora do metabolismo. Nos rins, o ambiente inflamatório e a lipotoxicidade contribuem para declínio progressivo da função renal.

Células doentes apresentam:

  • aumento da lipogênese de novo, processo metabólico que converte excesso de carboidratos em proteínas em gordura, especialmente no fígado e tecido adiposo

  • alteração na composição de fosfolípidos de membrana

  • uso de lipídios como fonte de energia e sinalização

O excesso ou desequilíbrio lipídico leva a:

  • stress oxidativo

  • inflamação

  • disfunção mitocondrial

Alterações lipidômicas estão associadas a:

  • crescimento tumoral

  • invasão e metástase

  • angiogênese

  • inflamação

MASLD e MASH não são só doenças do fígado

MASLD (Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica) e MASH (Esteato-hepatite Associada à Disfunção Metabólica) são termos novos e mais precisos para doenças hepáticas gordurosas anteriormente conhecidas como NAFLD e NASH.

  • afetam coração, músculo e rins

  • fazem parte de um problema metabólico global

MASLD (Doença Hepática Esteatótica): Frequentemente, esta é a fase inicial em que o excesso de gordura (esteatose) se acumula nas células do fígado. Muitas vezes é assintomática, mas está associada a condições metabólicas como obesidade, diabetes tipo 2 e colesterol alto.

MASH (Esteato-hepatite): Esta é a forma grave de MASLD, em que a gordura causa inchaço (inflamação) e danos significativos no fígado. Afeta cerca de 13% das pessoas com MASLD. Sem tratamento, a MASH pode causar fibrose (cicatrização) e levar a doença hepática avançada (cirrose).

Ambas as condições são melhor controladas com mudanças no estilo de vida, principalmente uma dieta saudável e aumento da atividade física para reduzir o peso.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/