Dieta cetogênica aumenta tempo de vida?

Estudos em camundongos iniciais mostraram que intervenções cetogênicas aumentaram a longevidade e melhoraram indicadores de envelhecimento, incluindo:

  • Maior expectativa de vida média.

  • Melhor função cognitiva em idade avançada.

  • Menor inflamação sistêmica.

  • Melhor sensibilidade à insulina.

  • Redução de algumas doenças relacionadas à idade.

Os mecanismos propostos incluem:

  • Redução da glicemia e da insulina.

  • Menor ativação da via mTOR.

  • Maior ativação de AMPK.

  • Aumento da biogênese mitocondrial.

  • Produção de β-hidroxibutirato, que atua como molécula sinalizadora e pode modular expressão gênica, inflamação e estresse oxidativo.

Evidências em humanos

Até o momento, não existem estudos clínicos de longa duração demonstrando aumento de lifespan em humanos. O que existe são dados mostrando melhora de fatores associados ao envelhecimento saudável:

  • Redução da resistência à insulina.

  • Controle glicêmico em diabetes tipo 2.

  • Redução de triglicerídeos.

  • Diminuição de gordura visceral.

  • Possível melhora de marcadores inflamatórios.

  • Benefícios em algumas doenças neurológicas.

Entretanto, esses efeitos não provam aumento da longevidade.

Possíveis limitações

A relação entre cetose e longevidade parece depender da qualidade da dieta.

Uma dieta cetogênica baseada em:

  • azeite de oliva,

  • abacate,

  • peixes gordurosos,

  • castanhas,

  • vegetais não amiláceos,

provavelmente produz efeitos muito diferentes de uma cetogênica baseada predominantemente em:

  • carnes processadas,

  • manteiga em excesso,

  • gorduras trans,

  • alimentos ultraprocessados.

Além disso, ingestão proteica excessiva, especialmente rica em aminoácidos como leucina e metionina, pode aumentar a sinalização de mTOR, potencialmente reduzindo parte dos efeitos pró-longevidade observados em restrição calórica.

Cetose versus restrição calórica

Um ponto importante é que muitos mecanismos atribuídos à cetose também aparecem durante:

  • restrição calórica,

  • jejum intermitente,

  • restrição proteica moderada.

Por isso, ainda existe debate sobre o que é realmente responsável pelos benefícios observados:

  1. A cetose em si.

  2. A redução energética.

  3. A melhora metabólica decorrente da perda de peso.

  4. A redução da insulina.

O que parece mais consistente atualmente

A literatura de gerociência sugere que os fatores mais fortemente associados à longevidade humana são:

  • manutenção de baixa adiposidade visceral,

  • elevada sensibilidade à insulina,

  • atividade física regular,

  • boa aptidão cardiorrespiratória,

  • ingestão adequada de proteínas sem excesso crônico,

  • alimentação baseada em alimentos minimamente processados.

A cetogênica pode ser uma ferramenta para atingir alguns desses objetivos em determinados indivíduos, mas não há evidência de que seja superior a outros padrões alimentares bem estruturados para aumentar o lifespan.

A conclusão científica atual é que a dieta cetogênica tem plausibilidade biológica para influenciar mecanismos do envelhecimento e aumenta a longevidade em alguns modelos animais, porém ainda não há demonstração de aumento do lifespan em humanos. O conceito mais bem sustentado hoje é o de possível melhora do healthspan (anos vividos com boa saúde) em contextos específicos. Quer aprender mais? Acesse a plataforma https://t21.video.

Dra. Andreia Torres é Nutricionista, especialista em nutrição clínica, esportiva e funcional, com mestrado em nutrição humana, doutorado em psicologia clínica e cultura/ensino na saúde, pós-doutorado em saúde coletiva. Também possui formações no Brasil e nos Estados Unidos em práticas integrativas em saúde. Para contratar envie uma mensagem: http://andreiatorres.com/consultoria/